quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Viagens e reflexões

Retornei ontem de uma viagem a São Paulo com Samir e mais três casais amigos. Fizemos esta mesma viagem há dois anos, com os mesmos casais, e a programação havia sido intensa e divertida. E esta seria a primeira viagem depois de ter me tornado mãe de três. Seria! 

Há um mês aproximadamente, fiquei sabendo de um evento que aconteceria também em São Paulo, muito importante para subsidiar uns estudos que venho fazendo por conta de um projeto do trabalho. Um evento grande, que reuniria profissionais do Brasil inteiro e que, sem dúvida, incrementaria meu desenvolvimento profissional, além de possibilitar o estabelecimento de contatos com pessoas da área, que poderiam nos ajudar futuramente em nossa empreitada. Até então, tudo lindo! Restava saber se o Estado subsidiaria o alto custo do evento. 

Quando ficamos sabendo das cortesias que foram concedidas ao grupo de trabalho, tudo parecia perfeito. Exceto por um pequeno detalhe: o prazo que separaria o evento (que demandaria minha ausência de casa por 4 dias) e a viagem de casais, já anteriormente programada, seria de apenas 5 dias.

E eu, que nunca tinha me afastado do meu bebê, e que já me descabelava para organizar a logística para fazer uma viagem com o maridão, deixando, pela primeira vez, toda a prole em casa, de repente, vi meus problemas multiplicados por dois. 

Mas como nem tudo é tão ruim quanto parece, para nossa sorte, Samir, que trabalha a semana inteira no interior, justamente na semana do congresso em São Paulo, foi convocado para participar de um curso em Salvador, o que acalentou um pouco o meu coração.

Apesar de ele ter estado ocupado o dia inteiro com o curso, me deixou mais tranquila saber que ele acordaria com as crianças, estaria junto na hora do almoço, levaria Leti à escola e, à noite, estaria por perto para suprir o aconchego noturno da mamãe.

Viajei muito mais sossegada e pude aproveitar cada minuto em que estive longe da cria. A viagem foi, realmente, muito proveitosa! Um pouco cansativa, já que o congresso tomava todo o dia e, à noite, ainda precisei ficar trabalhando no hotel (até mais de meia noite todos os dias) para dar conta da demanda acumulada. Mas aprendi muita coisa, descobri que não sei tantas outras, conheci pessoas, estreitei laços com outras... Valeu à pena!

Cheguei a me sentir culpada por ficar tão despreocupada em relação às crianças. Mas o fato de ter Samir por perto me proporcionou uma segurança que permitiu que eu me desconectasse um pouco do meu lado mãe. Só no dia do retorno é que o coração começou a apertar mais e aflorou, lá no meu íntimo, um medinho de que Mateus tivesse se esquecido de mim, já que com ele não consegui falar por telefone, nem através do facetime, ferramenta que muito ajudou no meu contato com Leti.

Mas no final deu tudo certo!

Leti me recebeu com um sorriso lindo, largo e sincero. Mateus não deixou dúvidas de que não havia se esquecido da mamãe, e Lipe, meu primogênito, largou tudo o que estava fazendo para me dar um beijo carinhoso.

E todo esse rodeio foi para falar dele, do meu primogênito.

Uma amiga, que acompanhava todo o ritual pós viagem com as crianças na casa da minha irmã (quando comemorávamos os 9 meses de Mateus e 7 de Lucas, meu sobrinho e afilhado), muito sutilmente chamou a minha atenção, quando percebeu que Lipe ficou um pouco deslocado ao acompanhar todo o meu envolvimento com os pequenos, terminando, ao final, por desistir da minha companhia e voltar para a TV. Imediatemente, me justifiquei, explicando que, como com Lipe eu havia falado todos os dias por telefone, estava priorizando a atenção aos menores.



Mas aquilo ficou martelando a minha cabeça.

E só depois que os pequenos já tinham ido dormir, já em nossa casa, é que pude dedicar atenção exclusiva ao meu bebezão. Tomamos banho juntos, conversamos, lemos a bíblia e ficamos deitados juntos em sua cama até que adormecesse.

No dia seguinte, enquanto conversávamos e eu comentava da viagem que faria novamente, nos próximos dias, ele me cobrou uma progaramação exclusiva no período entre viagens. Para mim, foi um sinal de que eu precisava reforçar a atenção ao meu pequeno, que reivindicava o seu direito à atenção exclusiva da mãe.

Combinamos de ir ao cinema, assistir Hotel Transilvânia, e de comer algo por lá. O site do cinema estava desatualizado e não havia a sessão que tínhamos combinado de pegar. Acabamos assistindo o filme de Luiz Gonzaga, já que ele tinha estudado o artista na escola no primeiro semestre. Foi maravilhoso assistir ao filme com meu pequeno! Adorei a história, a produção, a trilha sonora e me surpreendi com o roteiro, já que não conhecia a relação pai e filho existente entre Luiz Gonzaga e Gonzaguinha. Voltamos para casa conversando sobre o filme e refletindo sobre a importância da estruturação e do amor da família. Foi muito gostoso poder ter uma conversa tão intensa e madura com o meu filho. Bom também perceber que ele valoriza isso. E melhor ainda ter despertado para a necessidade de administrar melhor o meu tempo, de maneira a suprir a necessidade de atenção de cada um dos meus filhos, considerando a especificidade de cada um deles.

3 comentários:

Ju Dalzoto disse...

Oi Jana!!!

Em primeiro lugar: Parabéns! Parabéns por ter ido, por ter conseguido ficar longe, ficar fora uns dias! Eu admiro muito as mães que conseguem fazer isso, e te digo uma coisa, se eu tivesse alguém de minha confiança para poder viajar tranquila, eu iria tb (não à trabalho porque não trabalho né, mas só pra passear mesmo, arejar a cuca).

E depois, amiga, que gostoso ler sobre o Lipe, sobre vcs dois, o programa de vcs. Como faz falta dedicar um tempo mesmo para cada filho ne'?! POrque as necessidades de cada um são diferentes!

Você é um exemplo de mãe viu?!
Mas me diz uma coisa, e a viagem dos casais, vai sair? Boa viagem!!! Divirtam-se e aproveitem!

Beijão
Ju

Anônimo disse...

Adoro seus posts!!!

Anônimo disse...

Te admiro muito e aprendo muito com seu blog!!bjo.Carla

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