quinta-feira, 31 de março de 2011

Meu Presente de Aniversário

Como já disse aqui, e aqui, o dia 02 de abril é o dia mundial de conscientização do autismo. Vários eventos estão sendo organizados para tentar conscientizar a sociedade para a realidade que desconhecemos: QUASE 2 MILHÕES DE BRASILEIROS TÊM AUTISMO e não têm o respeito e o tratamento que merecem. Para quem não pode participar dos eventos e dos concursos que foram idealizados, um simples gesto pode demonstrar adesão à causa: vestir azul no dia 02 de abril.

Coincidentemente, dia 02 de abril é o dia do meu aniversário e, pela primeira vez, não estarei, nesta data, junto aos meus familiares e amigos, como aconteceu em todos os 33 anos anteriores, pois estarei com Samir em Florianópolis, tentando aprender a lidar melhor com nossa filha com características autísticas.

Peço, então, a você um presente especial: que vista azul no dia do meu aniversário e, se puder, depois me mande uma foto (para o email janaina_mascarenhas@hotmail.com), para que eu possa divulgar aqui no blog, como a nossa demonstração de adesão à causa.

Beijo grande,

Jana



quarta-feira, 30 de março de 2011

Transformando bolas e cobras em bolo e macarrão

Há mais ou menos uma semana, Leti aprendeu a dar um uso mais funcional à massinha de modelar.

Ela ainda não tem muita habilidade para as atividades artísticas, não risca com caneta e lápis, não usa pincel, mas, de vez em quando, tenta usar o dedo para pintar com tinta ou fazer rabiscos com giz de cera. Tudo muito rápido.

O rabisco com o giz só acontece porque, como toda a sua superfície pinta, um mínimo de esforço feito por ela, na tentativa de encostar o giz no papel, produz um risco que chama sua atenção e a motiva a tentar um pouco mais.

Com sua obsessão por coisinhas pequenas (e completamente inúteis), como grãos de areia, migalhas de pão, sujeiras, pedaços de papel dentre outras, a utilização da massinha restringia-se à prática de transformá-la em pedacinhos minúsculos, que ficavam transitando entre uma de suas mãos  e a outra, usurpando seu interesse por qualquer outra coisa que estivesse à sua volta.

Era assim. Não mais.

É que agora ela aprendeu a transformar a massinha numa cobra. UAU! Pois é! Ela modela a massinha com as duas mãos, ou com uma mão e uma superfície lisa, e quando a massinha toma a forma de uma cobra, ela nomeia o animal. Lindo!

Pode parecer uma coisa tão boba, tão elementar, mas, para mim, para ela, para nossa família, é algo espertacular! Primeiro, pela habilidade em modelar a massinha. Um avanço significativo. Segundo, pela capacidade de ver a massinha em sua nova forma e nominá-la de cobra. Gente, isso é jogo simbólico!!!

Ela gostou tanto da nova descoberta, que tem pedido para brincar de massinha, mesmo sem vê-la.

Anteontem, como de costume, depois do almoço, deitei com ela para colocá-la para dormir. Como ela estava esperta, sem demonstrar qualquer cansaço, perguntei se queria brincar e, como ela ainda não responde sim ou não, emendei logo outra pergunta: - quer brincar de quê, mãezinha?

Ela respondeu na hora: -matsinha!

Descemos da rede, ela abriu o baú dos brinquedos, pegou a sacolinha com as massinhas e me deu para abrir.

Brincamos juntas. Ela fazendo cobras. E eu, mais talentosa, fazendo mais. Cobras... e bolas! Só o que sei fazer.

Mas percebi que a brincadeira estava ficando muito repetitiva, então tentei transformá-la em algo diferente e um pouco mais funcional. Peguei a caixa com os brinquedos de cozinha (panelinhas, fogão, pratos, talheres...), a casinha com os bichinhos e passamos a transformar suas cobras em macarrão para os bichinhos, e minhas bolas em bolos. Tudo ia para panelas, pratos e, através dos talheres, chegavam às bocas dos (educados e famintos) animais. Demos macarrão e bolo para suas cobras também. Eu confesso que amei a brincadeira (minhas colegas do trabalho disseram que eu insisto tanto em que Leti brinque de casinha para poder satisfazer um desejo meu de brincar assim. Talvez seja verdade), mas ela não se empolgou tanto como eu, o que já era de se esperar para uma primeira vez.

De qualquer forma, continuarei tentando. Talvez, quando menos espere, ela me surpreenda. Oxalá!

segunda-feira, 28 de março de 2011

São Paulo Parte 3: Horas Vagas

Mas nem só de compromissos foi a viagem. Nas horas vagas, aproveitamos para curtir um pouco com a pequena. Sobre o passeio que mais nos marcou, por conta da empolgação extasiante de Leti, já falei aqui, mas fizemos umas coisitas mais.

Um passeio muito legal foi ao Aquário de São Paulo. Que lugar fantástico! Muito bem cuidado, com uma diversidade grande de animais, uma estrutura bacana, monitores, e com animais difíceis de se encontrar por aí.

Sob o piso de vidro, passeia um jacaré albino, sobre o teto de vidro, nada uma arraia enorme. Lindo, lindo, lindo!

Fora os shows dos pinguins, leões marinhos e outros animais exóticos.

Além dos peixes tradicionais, há répteis, anfíbios, aves e mamíferos; uma fauna bastante diversificada para ilustrar bem os constantes passeios organizados por escolas locais, no intuito de estudar, na prática, a classificação dos animais vertebrados (tinha um grupo de alunos enquanto estávamos lá, e a monitora dava um importante enfoque à classificação. Lembrei das minhas horas e horas de estudo com Lipe no ano passado).

Leti curtiu muito, apesar de, às vezes, se envolver com umas miudezas que encontrava próximo aos aquários e se desligar um pouco. Mas, no geral, aproveitou bem o passeio; reconheceu cobra, sapo, jacaré, peixes..., tentava pegá-los, andava solta de um lado para o outro...

No final, já estava morrendo de fome e não queria olhar para nada mais, só pedia picoé, picoé, picoé... Demos um, para enganar seu estômago, e valorizar sua comunicação, e fomos almoçar no Famiglia Mancini, restaurante que sempre visitamos quando estamos na terra da garoa.






 

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Ela chegou ao restaurante dormindo e, quando estávamos no meio do almoço, acordou. Ficou impressionada com o quadro de Jack Nicholson preso à parede, caracterizado de Coringa e, a cada colherada que comia, parava para olhar o quadro. Muito engraçado! (o que será que pensava?)




Quando terminou de comer, dei o suco no copo de vidro em que tinham servido. Ela, normalmente, bebe no copo com bico dosador, ou com canudo, mas, de vez em quando, dou um copo de plástico normal e ela consegue controlar a quantidade direitinho. O único problema é que, quando termina, larga o copo de qualquer jeito, em qualquer lugar.

Samir quase tem um filho (rs) de preocupação, chegou a me chamar de irresponsável. Mas eu estava do lado, a postos, e não deixaria que se machucasse, nem quebrasse o copo, mas, para minha infelicidade, quando devolveu o copo à mesa, com um cuidado fora do normal, ele se desequilibrou e virou na mesa. Só fez derramar um pouco do suco que ainda restava, e nada mais, mas foi o suficiente para eu receber um olhar de censura autoexplicativo (eu te disse, eu te disse).






Por fim, fomos na última noite ao Shopping Paulista, para comprar um carrinho para Lipe, e procurar um lugar para jantar. Antes de irmos embora, demos uma passada na Saraiva, passeio que as crianças adoram, para olharmos uns livrinhos.

Ela fica solta em livrarias, anda de um lado para o outro, explorando e escolhendo livros. Quando escolhe, sentamos para ler para ela. A depender do livro, a leitura fica mais simplificada, para conseguir prender sua atenção por um tempo maior.

Ela ficou empolgadíssima com o livro do Cocoricó. Repetia: - Aipio, Aipio (Alípio)! É um livro grande, bem ilustrado, com 4 estorinhas da turma. Bem legal. Antes do começo das estórias, há fotos dos personagens, com os respectivos nomes. Fiquei super surpresa (é para enfatizar mesmo) quando percebi que ela identificava cada uma das três galinhas pelo nome: Lilica, Lola e Zazá. Para mim, era tudo galinha...

Não resistimos e trouxemos o livro para casa. Ela o mereceu.





quinta-feira, 24 de março de 2011

São Paulo Parte 2: Integração Sensorial

O outro motivo para irmos a São Paulo, como dito aqui, foi fazer uma avaliação de Leti com Aline Momo, terapeuta ocupacional, especialista em integração sensorial.

Como acredito que talvez mais da metade dos seguidores do blog não faça a menor ideia do que seja integração sensorial, vou tentar fazer um breve resumo, apenas para contextualizar o assunto.

A abordagem da integração sensorial surgiu na década de 70, com a terapeuta ocupacional Jean Ayres, e partiu do pressuposto de que todos os comportamentos motores, cognitivos e emocionais emitidos por uma pessoa decorriam de uma resposta do sistema nervoso central a estímulos sensoriais recebidos do meio ambiente.

Acreditava-se, portanto, que, se o processamento e a organização da informação sensorial fossem harmoniosos, o comportamento e a aprendizagem fluiriam sem problemas.

Por outro lado, quando o processamento de tais estímulos fosse inadequado, acabaria resultando em distúrbios de desenvolvimento, comportamento e aprendizagem.

Os estímulos sensoriais levados em consideração são, além dos tradicionais táteis, visuais, auditivos, olfativos e gustativos, também os vestibulares e proprioceptivos.

Como os tradicionais são autoexplicativos, falarei um pouco apenas daqueles que pareceram inéditos para mim: o proprioceptivo e o vestibular.

O sistema vestibular é o responsável pela manutenção do equilíbrio da cabeça e do corpo, através da detecção do movimento e da gravidade. Os receptores deste sistema estão localizados no labirinto, órgão do ouvido interno, e ele responde não apenas pela postura, mas também pela orientação espacial do indivíduo.

Atividades de subir, descer, girar, balançar estimulam os sensores vestibulares.

O sistema vestibular influencia no movimento da criança (velocidade, intensidade e duração), no tônus muscular (alteração de postura e tensão muscular para atividades físicas), no sistema ativador reticular (alterações no estado de alerta e na regulagem do sono e vigília), em outros sistemas sensoriais (tátil e proprioceptivo) e na integração bilateral (habilidade de coordenar os dois lados do corpo).

O sentido proprioceptivo é aquele através do qual conseguimos saber exatamente onde cada parte do nosso corpo está, mesmo sem precisar olhar para ela. É a percepção que se tem do próprio corpo.

Os receptores deste sistema estão localizados nos músculos e nas articulações.

"A estimulação proprioceptiva é uma programação neuro-motriz na qual uma diversidade de exercícios com graus de dificuldade programada, o paciente obtém a percepção e controle de segmentos do seu corpo e o corpo como um todo." (Lígia Maria de Godoy Carvalho).

Uma disfunção no sistema proprioceptivo pode acarretar movimentos incoordenados, quedas frequentes, inabilidade em segurar objetos sem olhar para eles, dificuldade em moderar força de preensão para segurar um lápis ao escrever...

A terapia de integração sensorial busca, portanto, avaliar o processamento sensorial do paciente para, a partir daí, trabalhar conjuntamente um sentido que tem um processamento adequado, com um deficitário, para tentar buscar um equilíbrio que, normalmente, acarreta reflexos visíveis nas atividades do dia a dia.

Avalia-se, assim, antes do início do trabalho, o limiar da criança aos determinados tipos de estímulo. Lembro-me que no curso de Floortime a palestrante falava de uma criança autista que tinha um limiar auditivo muito baixo, e que, por morar próximo a uma estação férrea, vivia em crises, sem que ninguém descobrisse a causa. Um som aparentemente irrelevante para um, pode parecer ensurdecedor para outro. Precisamos estar atentos porque, às vezes, situações corriqueiras podem estar causando um prejuízo absurdo à qualidade de vida destas crianças, sem que ninguém se dê conta.

A terapia de integração sensorial, então, se põe a serviço deste equilíbrio que desejamos e buscamos para os nossos filhos.

Leti já fazia terapia de integração sensorial. Há aproximadamente 6 meses. Fiquei muito seduzida com a proposta na época e resolvi investir, para ver no que dava.

Normalmente, quem faz esta modalidade de terapia é terapeuta ocupacional. No caso de Leti, foi uma fisio, acompanhada de uma fono. Saímos da fisio antiga, que nos acompanhava desde o sétimo mês de vida de Leti, e por quem tínhamos (e temos) um carinho enorme, e que foi responsável por grandes avanços motores da minha pequena, e fomos buscar o novo.

Foi um investimento alto! Não pelo valor em si, mas pela logística que tínhamos que fazer para tentar manter a continuidade da terapia. A terapia era numa cidade próxima (mas outra cidade). Íamos, inicialmente, às sextas à noite, fazíamos uma sessão, dormíamos num hotel,  fazíamos outra no sábado pela manhã e voltávamos logo depois.

Tinha, então, além do custo com as duas terapeutas, também o do combustível, do hotel, o desgaste na estrada toda semana e a perda das sextas feiras a dois, já que este era o único dia que tínhamos para sair à noite sem as crianças, porque temos babá em casa. Mas foi por uma boa causa.

Depois passamos a fazer duas sessões seguidas nas sextas pela manhã, o que eliminava o custo do hotel e o sacríficio das noites a dois. Mas, em compensação, sobrecarregava Leti, que acabava desgastada por ter que fazer a viagem de ida e volta no mesmo dia.

Mas neste segundo momento o trabalho acabou ficando descontinuado, porque ora uma das terapeutas não podia atender, ora a outra, ora nós tínhamos algum imprevisto. Fui ficando cismada com a situação.

Como já conhecia a referência de Aline Momo, e sabia do acesso fácil que ela teria com a atual TO de Leti, fui fazer uma avaliação, para saber o que ela achava do processamento sensorial da minha filha, e para tirar umas dúvidas, já que, até o momento em que tinha marcado a avaliação, não tinha tido um feedback do questionário que tinha preenchido quando do início do trabalho de integração, no ano passado.

A avaliação foi criteriosa e profissional. Merecia um post autônomo (até porque este já está está enorme). Mas serei sucinta para não fragmentar a matéria.

Primeiro, ela fez uma entrevista comigo. Depois pediu que eu preenchesse o mesmo questionário que havia preenchido aqui no ano passado. Tabulou o questionário e avaliou Leti. Ficou de mandar um relatório minucioso para mim dentro de 15 dias, e vai fazer a supervisão da TO, no que se relaciona à abordagem sensorial da minha filhota.

Depois de tudo isso, ela entendeu, em suma síntese:

1) Que Leti não tem nenhuma disfunção de processamento sensorial. Me explicou os testes que fez para chegar a tal conclusão. Disse que o que ela precisa é de mais tempo para acomodar as informações sensoriais que recebe, porque seu processamento é mais lento. Mas que o choro com a cessação do estímulo não significa desconforto, e sim necessidade do estímulo por um período maior.

2) Que o grau de maturidade social de Leti está bem próximo ao da sua idade (nem sei o que é isso, mas, pela simples literalidade da expressão, fiquei feliz com a conclusão);

3) Que o maior atraso que Leti tem é na parte motora. Disse que está seguindo as fase normais do processo de desenvolvimento, mas num ritmo muito mais lento, e que, ainda que não faça fisioterapia, vai adquirir marcha regular como todo mundo. Mas sugeriu a fisioterapia motora, tradicional, para acelerar o processo. Aconselhou a integração sensorial apenas como complemento, e não como terapia principal (ela chamou uma fisio para discutir o caso, que concordou com suas colocações).

4) Por fim, não foi uma conclusão dela, mas uma obesrvação que me deixou feliz e me fez refletir. Quando acabou, me disse: "- mãe, e sua filha sabe brincar, sim!" Porque na avaliação tinha dito que o que mais me preocupava era o pouco interesse de Leti pelo brincar. Ela me mostrou a capacidade de Leti de imitação, a noção de permanência de objeto, o interesse por regras etc, quando Leti, respectivamente, viu o cachorro de pelúcia e fez au au; quando procurou a bola que foi escondida em baixo de um pano; e quando apertou um brinquedinho de ação e reação, depois que a terapeuta mostrou como fazia, para ver o bichinho fazer um som. Ela estava super interessada em tudo! Na verdade, a minha preocupação era com as brincadeiras simbólicas (brincar de dar comidinha, de dar banho, de pôr a bonequinha para dormir), coisa que ela ainda faz muito mal. Mas, na minha ansiedade em fomentar o jogo simbólico, acabava não percebendo que brincava de outras coisas tão bem...

Para tudo tem seu tempo. Tenho que estimular o que ela precisa aprender, mas valorizar muito o que ela já sabe. Ficou a lição.

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O texto foi elaborado com apoio: do livro O processamento sensorial como ferramenta para educadores: facilitando o processo de aprendizagem, de Aline Momo e outras (disponível para compra aqui); e do módulo Integração sensorial e sua utilização com crianças com distúrbios de aprendizagem e neurológicos, de Lígia Maria de Godoy Carvalho.

domingo, 20 de março de 2011

O resgate da linguagem

Já estava com a tela de nova postagem aberta, com o título digitado (São Paulo Parte 2: Integração Sensorial), quando resolvi dar uma parada para prestar os cuidados noturnos das crianças.

Tudo seguia como de costume, até que, depois de colocar Lipe para dormir, Leti me surpreendeu quando sentamos para conversar.

Isso mesmo! Você leu certo: conversar!

Quem convive mais de perto conosco sabe que, com a aquisição da marcha, Leti deixou seu lado tagarela (como relatado aqui) um pouco de lado e vinha aprimorando sua marcha. No começo, ao perceber que estava falando menos, me preocupei um pouco, mas depois fui relaxando, ao ouvir dos profissionais que era normal uma pequena regressão em alguma habilidade, quando outra importante resolvia aflorar.

Ficava tranquila também porque sentia, no meu íntimo, que o fato d´ela falar menos não significava que tinha desaprendido a se comunicar oralmente, principalmente porque demonstrava entender o que falávamos com ela.

Agora sinto que ela vem resgatando a fala. Tem falado mais, repetido mais, pedido mais, se comunicado mais.

A novidade hoje foi a resposta (correta) a um fato acontecido no passado, e sem nenhuma pista.

Como ia dizendo, estávamos conversando (na verdade, deveria ser uma preparação para uma brincadeira, mas a conversa fluiu tão deliciosamente que exauriu-se em si mesma, seguindo-se dos preparativos para dormir), e eu falava sobre a viagem a São Paulo, sobre o parque da Xuxa e sobre outros acontecimentos da viagem. Então comentei perguntando, sem qualquer pretensão de uma resposta correta: - Ê, mãe, fomos para o parque da Xuxa em São Paulo, lembra? Quem nós vimos lá? Ela respondeu prontamente: - Guto!

Ainda bem que estava sentada no chão e com as costas apoiadas. Fiquei boba, porque falei do parque, mas não falei de personagem algum, não disse nenhuma sílaba de dica, simplesmente perguntei. E ela respondeu.

Como o clima estava propício, dei continuidade ao diálogo: - Foi legal, não foi, mamãe? E nós viajamos de quê? - De abião! o.O (de novo!)

O bacana da conversa não é só a articulação da palavra em si, mas a percepção de um fato acontecido no passado, coisa extremamente abstrata, quando eu achava que ela não possuía qualquer capacidade de abstração.

Ao perceber seus olhinhos diminuindo, anunciei que a colocaria para dormir, quando ela imediatamente reivindicou: - gagau. (basta falar em dormir, que ela pede gagau).

Depois de tomar o leite, escovar os dentes e vestir o pijama, segurou o meu rosto com as duas mãos e disse: - Patati Patatá.

É que o horário d´ela assistir DVD é à noite, quando já está ficando com soninho, e não tem mais energia para brincar. Eu ia suprimindo o seu direito e ela, novamente, reivindicou. Liguei o DVD portátil na cama, mas, na terceira música, ela dormiu.

São Paulo Parte 1: GENOMA HUMANO

O principal objetivo da viagem a São Paulo era a visita ao Genoma Humano da USP, para tentar incluir Leti no Projeto de Pesquisa Estudo Genético dos Transtornos do Espectro Autista.

Soube do Projeto através do grupo de email de autismo do yahoo e fui para lá, ingenuamente, achando que chegaria e coletariam o sangue de Leti para fazer a pesquisa de síndromes genéticas associadas ao autismo. Simples assim. Achava eu.

Mas o buraco era mais embaixo.

Há, de fato, um projeto de pesquisa a respeito, mas o que me informaram foi que quando o projeto é submetido ao CNPQ para aprovação, já há o grupo de "cobaias" (expressão minha) que será objeto de estudo.

Ou seja, as crianças que seriam "pesquisadas" já estavam previamente selecionadas.

De prêmio de consolação, ganhamos um exame (MLPA, acho) que, segundo a médica, detecta apenas 1% dos casos de autismo.

Ao perceber nossa decepção, a médica falou da possibilidade da troca de uma criança previamente selecionada por outra que apareça depois e que se encaixe melhor no perfil objeto da pesquisa. Mas pela cara dela ao preencher o questionário da pesquisa, acho que Leti não se encaixa nesse perfil...

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(Acho que eles procuram crianças mais velhas e que se aproximem mais do autismo típico. Mas é só uma impressão.)

sábado, 19 de março de 2011

Começando pelo fim

Hoje Leti voltou com Samir para Salvador (coração apertado de deixar-los irem sós) e eu fiquei para fazer um curso sobre brincadeiras e jogos para crianças autistas, promovido pela AMA. Volto amanhã.

Logo atualizarei o blog com as novidades da viagem, mas quis começar pelo fim. Pelo fim da viagem para Leti, que essa hora deve estar dormindo em sua caminha (ou na do papai), longe de mim.

Nossa despedida foi no Mundo da Xuxa, no Shopping SP Market.

Tínhamos ido com Leti e Lipe lá quando ela tinha 1 ano e 4 meses. Ela curtiu zero. Lipe curtiu pelos dois.

Como ela gosta dos DVD´s da Xuxa (conhece os personagens, aprendeu os números com eles, canta as musiquinhas), resolvemos fazr um novo teste.

Foi  MA-RA-VI-LHO-SO!!!!

Indescritível!

Ela ficou deslumbrada ao entrar e ver os brinquedos, as cores, as réplicas dos personagens nas coisas... Andava para todos os lados, fuçava tudo. Fiquei estatalada com a reação dela. Com vontade de chorar. De alegria, é claro!


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Fiquei impressionada porque demonstrou interesse por brincar nos brinquedos do parque, coisa extremamente incomum. Ela detesta carrossel! Recentemente, tínhamos ido para um aniversário num parque, tentamos o carrossel mais uma vez, mas ela não quis conta. Se jogou para o colo de tia "Eca" que estava do lado na hora, e não aceitou voltar para o cavalinho de jeito nenhum.

Pois hoje foi diferente. Ficava um pouco receosa ao entrar nos brinquedos, mas ao perceber os personagens, ficava fascinada, olhando, curtindo... lindo demais!


Quando descobriu o Teddy lá em cima, quase ficou com torcicolo

Só o Txutxucão para fazê-la curtir o carrossel.

Na saída do carrossel, pausa para acarinhar o Coelhinho Fufu

Papai tentou escapar, mas fez companhia no trenzinho. O desafio maior foi colocá-la num brinquedo, sem nosso suporte ao lado, porque não era possível a entrada de adultos. Samir achou que ela não ficaria bem, que choraria. Ele sempre tende para o lado super protetor. Eu achava que conseguiria.

Foi super engraçado. Estavam tendo alguns passeios de escola. Coloquei ela num carrinho seguro, ao lado de um garotinho um pouco mais velho. Logo que entrou, ficou procurando graça, mexendo no volante dele (ele não gostando nada disso). Depois que foi repreendida pelo garoto, ficou mais na dela. Não demonstrou tanta felicidade, como nos brinquedos mais temáticos, mas também não demonstrou desconforto, o que, para mim, já foi um grande progresso.


Papai acompanhou no trenzinho


Desafio vencido

Mas o melhor de tudo, sem dúvida, foi perceber seu entusiasmo ao ver os personagens ao vivo. O que será que se passa pela sua cabeça numa hora dessas? Ficou numa excitação ao ver o Teddy, o Txutxucão, a Xuxinha..., puxou a tromba da Bila Bilu, fazia carinho, encostava a cabeça para dar beijo, aprontou!






Pausa para o lanche

Foi um dia feliz! Imensamente feliz! Esse passeio pagou a viagem.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Um choro. Um analgésico. E um papai que sabe das coisas.

A avaliação de Leti com Aline Momo hoje, aqui em São Paulo, estava marcada para às 14hs. Almoçamos mais cedo, voltamos para o hotel e tentamos colocá-la para dormir, porque sabíamos que se não dormisse, a sessão não renderia.

Ao retornarmos para o hotel, nada feito! Ficou agitada, querendo andar, pegar as coisas, ver DVD. Todo o esforço foi em vão.

Resultado: no táxi, a caminho para a clínica, começou a cochilar, e a choramingar cada vez que eu a acordava.

Mesmo assim, tentamos iniciar a avaliação para ver no que dava (afinal, este foi um dos motivos da nossa vinda à Sampa). Ela só chorava, reclamava, não aceitava qualquer brincadeira ou estímulo.

Graças a Deus que a terapeuta não era uma mercenária, e nos propôs que voltássemos ao hotel, deixássemos que dormisse e retornássemos quando ela estivesse bem, para que não houvessem distorções na avaliação.

Topamos.

Só que, mesmo de volta à caminha aconchegante do hotel, Leti continuava chorando e não conseguia dormir. Como tinha corisa e roncava um pouco, prontamente dei meu diagnóstico: estava incomodada com uma sinusite, como eu (que desde que chegara a São Paulo estava à base de tylenol sinus para aliviar as dores de cabeça), e precisava de um analgésico. Dei um analgésico, lavei o  nariz com soro, e... nada!

Samir já vinha desde a manhã dizendo: - Leti não fez cocô ontem, deve estar com gases, deve estar com dor de barriga, blábláblá...

Enquanto eu lavava seu nariz, ele dizia: - isso vai irritá-la mais. Ela deve estar assim porque não consegue fazer cocô.

Eu estava certa de que logo amenizaria seu desconforto.

E ela continuava a chorar. Ele a pegou no colo e, quando ia tentar massagear sua barriga, sentimos o odor característico. Bingo! As fezes estavam ali. E numa proporção maior que o normal, e extremamente ressacadas. Certamente incomodou muuuuuito para sair.

Depois de trocada, ela dormiu. Como um anjo.

O papai estava certo. Ele, em situações normais, não perderia a oportunidade para soltar uma piadinha (para mostrar como é um super pai), mas simplesmente se deitou, e dormiu ao lado dela.

E eu? Fiquei remoendo a raiva enquanto eles dormiam. Por que ele sempre acerta?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Selinho

Ganhei esse selinho de Sarah (há um tempão), mas só agora estou tendo tempo para  postá-lo aqui, depois de desvendar o mistério da proteção da imagens do blog. (Amei, Sarah, meu blog já está protegido. Valeu!).



As regras são:

1) Indicar que te presenteou: pois, é, foi Sarah, mãe de Bento. Bento é um galeguinho fofo e tagarela, cujas peraltices dão pano para manga no blog da mamãe. Vale à pena ir lá acompanhar as peripécias do pequeno.

2) Dedicar o selo a 5 seguidores assíduos e 5 novos: como a maioria dos seguidores do blog não é blogueira, e a maioria da minoria blogueira (ih, deu para entender?) já possui o selo, vou dedicá-lo apenas a Ivana e Dani.

3) Colocar uma frase, um trecho de música ou uma citação que seja alegre.


Tava pensando em nós dois
Buscando um jeito inédito pra falar de amor
E reparei que o tempo passou
Sonhando, pensando, querendo
Meus olhos caçando você
Pensando, sonhando, querendo
Minha boca mirando você

Já é
Suficientemente especial
Posso dizer
Que encontrei
A cara metade que sempre busquei

Basta olhar pra você
Pra minha boca querer
Um beijo bis
Pela sorte de ter
Alguém como você
Sou feliz

(Ivete Sangalo, composição de Samir)

Inclusão Escolar

É difícil falar sobre inclusão no Brasil. O que esperamos de uma escola inclusiva? Quando podemos afirmar que, realmente, uma escola está praticando a inclusão?

Muitos ainda acham que praticar a inclusão seja apenas proporcionar à criança com necessidades educacionais especiais o acesso ao ensino regular. E ponto. Não há uma preparação sistemática para que os centros educacionais possam, efetivamente, atender às demandas das inúmeras crianças especiais que precisam de assistência em nosso país. Conseqüência disso é que grande parte deste alunado acaba enveredando por outro caminho, alguns, abandonando os estudos; outros, buscando o atendimento das suas demandas em escolas especiais.

Muita controvérsia gira em torno dos benefícios que a escola especial pode proporcionar à criança especial. E acredito que, neste tema, não possamos ser maniqueístas a ponto de tomar como certa apenas a opção que entendemos mais conveniente no momento. Toda moeda possui dois lados. Tenho medo de dizer “desta água não beberei”.

O fato é que, no começo deste ano, instigada por uma discussão ocorrida (ainda no ano passado) num grupo de email de que participo, percebi que precisava começar a pensar um pouco sobre inclusão, já que não tinha muita noção do que isso significava.

Ficava pensando com meus botões: qual a postura que espero da escola em relação a minha filha? Ah, gostaria que a escola (diga-se: seus profissionais) estivesse o tempo inteiro chamando sua atenção para participar das atividades, que não a deixassem sozinha, com suas estereotipias e autoestimulações, que fomentassem seu interesse pela socialização com outras crianças, pela marcha, pela comunicação, pelo grafismo, pelo brincar, que reforçasse sua autonomia...

Este, sem dúvida, seria o modelo ideal.

Mas a vida real está longe de atingir aquilo que idealizamos.

A realidade impõe que os profissionais da escola busquem compatibilizar os cuidados com a minha filha, única criança especial da sua turma de seis alunos, com suas obrigações em relação às demais crianças.

Não posso exigir que todas as atenções estejam sempre voltadas a Leti. O que quero é sentir o empenho da equipe em incluí-la, o máximo possível, nas atividades planejadas para a turma.

Mas, para saber se este objetivo vem sendo alcançado, precisava saber, a princípio, quais são as atividades planejadas para a turma e quais são as estratégias que a escola vem pensando para incluir minha filhota nelas.

Procurando me inteirar do assunto, marquei uma reunião com a coordenadora da escola (profissional altamente qualificada, na minha opinião), para que ela pudesse me explicar um pouco sobre o planejamento da escola para o Ciclo 1 (obs: lá as turmas são divididas em ciclos: ciclo 1 para crianças entre 1 e 3 anos, e ciclo 2 para crianças entre 4 e 6 anos).

Na minha cabeça (santa ignorância!), deveria haver, como há para o ensino fundamental, um currículo mínimo a ser trabalhado com as crianças, que estabelecesse algumas competências mínimas que a criança precisasse adquirir antes do ingresso no ensino fundamental.

Queria saber, então, o que as crianças da idade dela precisariam aprender, para, junto com a escola, pensar formas de tentar facilitar tais aprendizados para Leti.

Mas descobri, naquele momento (e confirmei depois, em pesquisa), que nossa Lei de Diretrizes e Bases não estabelece a obrigatoriedade de um conteúdo a ser trabalhado com as crianças que têm até 6 anos de idade.

Os artigos 29 e 31 da Lei n. 9.394/96 (com suas respectivas alterações), estabelecem que A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.”, e que “Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.”.

Mas o fato de não haver uma imposição legal de conteúdo a ser trabalhado com estas crianças, não retira da escola a obrigação de planejar suas atividades, que deverão sempre ser direcionadas ao aperfeiçoamento do desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social da criança.

Conversamos, então, sobre o projeto da escola para o semestre, sobre a diferença do enfoque para cada ciclo, e, especificamente, sobre a forma que os temas deverão ser trabalhados com a turminha de Leti.

Abrindo um parêntese (ou como diria, Mari, pausa): No ano passado, quando visitava escolas para poder escolher uma para Leti, uma amiga da minha cunhada, profissional da área de educação, que conhecia a minha história, lhe dizia que achava que a escola em que sua filha estudava seria mais adequada para Leti do que a que escolhi, porque nesta a parte pedagógica era muito fraca, e era dado um enfoque muito grande à parte artística. Naquele momento, mesmo ainda desconhecendo o planejamento da escola, tive mais certeza de que estava fazendo a escolha certa, já que o que menos buscava (e busco até hoje) era uma escola conteudista para minha filha. Adoro o fato de Leti ter em sua escola, como professores, um biólogo, uma psicomotricista e um músico! Adoro o apelo artístico que envolve quase todas as atividades de lá. Fechando o parêntese (ou como diria Mari, despausa).

No decorrer da nossa conversa, fiquei mais tranqüila ao perceber que a professora está atenta aos interesses da minha filha e tem feito ajustes no projeto da sua turma para favorecer sua maior interação (ex: ela percebeu, um belo dia, que Leti demonstrava um interesse maior que o normal por fantoches. Então sugeriu à coordenadora que ajustasse o projeto para trabalhar mais com eles em algumas das atividades inseridas no planejamento).

Uma semana depois do meu bate papo com a coordenação, aconteceu uma reunião entre a TO de Leti, a coordenadora e a professora, solicitada pela primeira, da qual, logicamente, eu me voluntariei para participar.

Nesta oportunidade, cada uma falou um pouco das suas impressões sobre Leti, e procurou apresentar alternativas para instigar o resgate do seu interesse pelo brincar e pela utilização da linguagem, que foram deixados um pouco para trás depois que ela começou a dar seus primeiros passos.

1) A pró já tinha tido umas ideias bacanas para favorecer a inclusão. Além da utilização dos fantoches, tinha usado, dias antes, argila com Leti, para tentar tirar um pouco seu foco da areia (que ela adora ficar manuseando só pelo prazer tátil), para algo que pudesse ser mais funcional.

2) Minha sugestão foi fotografar os coleguinhas, para, em casa, poder conversar com ela sobre a escola de uma maneira mais concreta, já que ela ainda não tem abstração quase nenhuma.

Quanto às fotos, na hora em que apresentei a sugestão, a coordenadora falou que poderia ser legal, mas não exclusivamente para Leti. (Lá tudo que é feito para facilitar a inclusão tem que ser disponibilizado para todas as crianças). Ela pensou em aproveitar o gancho do projeto, que vai partir da história de vida das crianças, para fazer uma espécie de álbum, em que tivesse as fotos de todos os coleguinhas, e fosse entregue a todos.

Adorei!

3) A TO sugeriu que, toda semana, Leti fosse fotografada em alguma atividade, e a foto fosse enviada para mim, com alguma descrição, para que pudéssemos conversar a respeito. Eles já têm um registro fotográfico das atividades bem amplo e falaram que encaminhar para mim seria super tranqüilo.

Ótimo!

4) A coordenadora assumiu o papel de defensora de Leti, esclarecendo, com base em sua experiência, que é muito normal, neste momento, em que ela se apropriou do espaço da escola, e vem assegurando a marcha, que demonstre um interesse maior em explorar o ambiente a sua volta, e reduza seu interesse por outras habilidades.


Enfim, o que extraímos desta última reunião foi o interesse comum da equipe para contribuir, da melhor maneira possível, para que o processo de inclusão da minha princesa seja, ao final (?), um prjeto bem sucedido.

Assim, ela só tem a ganhar.

_________________________________________________

Obs: No dia seguinte, quando cheguei com Leti na escola, tive uma agradável supresa. Como havíamos falado na reunião sobre a redução do interesse de Leti pelo brincar, e, sendo notório o interesse dela por areia (ela foge o tempo inteiro para o parquinho ou para o jardim para poder ficar manuseando a terra/areia), sua pró teve a excelente ideia de levar areia para a sala de aula, dentro de uma vasilha grande, junto com panelinhas, talheres e afins. A ideia era dar função à areia, transformando-a em comidinha para bonecas. É claro que Leti não cedeu a tal abstração assim de primeira, mas achei a iniciativa formidável e me sensibilizei com a sensibilidade da querida pró.



sexta-feira, 11 de março de 2011

Campanha

Sorteio

Mari, do viciados em colo, está promovendo um sorteio em comemoração ao primeiro ano do blog.

Confesso que, apesar de seguir vários blogs, poucos são os que acompanho com habitualidade, e este, sem dúvida, é um deles. Seus textos são de uma profundidade e uma fluidez de dar inveja...

Adoro de verdade!

E recomendo!

terça-feira, 8 de março de 2011

Dindinha

Carnaval. Opção pelo sossego do lar, acompanhada da família (depois de ter "pulado" dois dias para acompanhar o maridão). Churrasco na casa de mommy. Descanso no quarto reservado para as filhas e netos, pageando o soninho de Leti. Calmaria. Eis que, rompendo o silêncio do recinto, a porta se abre abruptamente, um toquinho de menos de um metro adentra o quarto, pára na  minha frente e grita: - DINDINHAAAA!!!!



Na mesma hora, esqueci o sono, a preguiça, e, com o meu jeito delicado de ser, levantei aquele toco e apertei de todas as formas possíveis e imagináveis, arrancando-lhe sorrisos do rosto (para minha alegria, já que até pouco tempo atrás ele não compreendia minhas manifestações de carinho).

Esse toquinho se chama Gabriel, é filho da minha única (e super amada) irmã, tem 1 ano e 4 meses, e está numa fase de desenvolvimento tão acelerada que, a cada dia, tem nos deixado mais surpresos.

Seu vocabulário é tão extenso que nem me atrevo a listar, porque sei que não conseguiria catalogar todos os verbetes que vocaliza. Conhece os números de 1 a 10, as vogais (e agora algumas consoantes), sabe pedir o que quer comer, o que quer ver na TV, sabe a hora certa de dizer o não, e entende quando lhe dizem não também, dentre tantas outras habilidades, e está super sociável e carinhoso.

Está cada dia mais apaixonante!

Com ele, Leti tem aprendido a conviver mais harmonicamente, e menos indiferentemente, com crianças da sua faixa etária: esboça demonstrações de carinho, experimenta brincar junto, ensaia reivindicar por seus direitos (principalmente quando há um cookie em jogo).

Uma experiência enriquecedora!


Como o espaço do blog é reservado para as crianças especiais que fazem parte da minha vida, aproveito o ensejo para apresentar esse "toquinho" que, de uma maneira muito especial, roubou um pedaço do meu coração.

Te amo, Dindinhaaaaa!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Já é carnaval, cidade! Acorda pra ver.

Hoje Leti participou do primeiro bailinho de carnaval. Na escola. Como ela nunca curtiu muito farra, nunca a havíamos levado a nenhum antes.

Com Lipe foi diferente. Era nosso primeiro filho, super espertinho, sociável, queríamos exibir aos quatro cantos, e, no auge da nossa irresponsabilidade, o levamos para a Barra, para ver o desfile dos blocos infantis, com seus (apenas) 10 meses de idade. Acredite, é verdade!

Ele odiou, é claro! O calor insuportável e o som alto foram suficientes para encurtar o nosso passeio.

A partir desse ano, passamos a levá-lo somente aos bailinhos antigamente promovidos pelo Aeroclube, mais tranquilos, menos barulhentos, onde ele conseguia se divertir, desfilando a sua fantasia, correndo, dançando (do jeito dele rs) e jogando confete e serpentina para todos os lados.

Apesar do estímulo precoce, ele não desenvolveu um apreço muito grande pela festa momesca, e hoje em dia o carnaval é só uma oportunidade para ter uns dias de folga. Acho até bom. Espero que continue assim por toda a adolescência...

 

Na Barra, com 10 meses de idade

Chegando para o baile do Aeroclube.

Comemoração carnavalesca do seu décimo mesversário



Mas, bem... voltando a falar de Leti.

Hoje, como de praxe, fui deixá-la na escola, sabendo que hoje seria o baile de carnaval. A fantasia estava na mochila, como solicitado pela escola (fui ontem à tarde comprar às pressas e quase não cabia. É um problema comprar roupa para essa menina; as que cabem no comprimento, ficam apertadas na largura; as que fecham direito, quase arrastam no chão). Mas, enfim, avisei à pró que insistisse, que ela fecharia.

Sempre que chegamos, é Leti quem toca a campanhia e fica na expectativa esperando Dinho abrir o portão. Hoje ele o abriu vestido de palhaço. SURPRESA!!!!! (quando voltei para buscar, me disseram que ela olhou para ele e disse: - paiaço! Fofa!)

A escola estava linda, toda decorada de carnaval. A pró também vestida de palhaço, tudo muito colorido, com máscaras, confetes, serpentinas, um clima de alegria no ar. Quando cheguei lá, percebi que tinha esquecido a câmera fotográfica. Humpf, que raiva!

Mas tinha que resolver um problema antes de ir ao trabalho, então tive uma ideia. Passei em casa, peguei a máquina, fui resolver meu problema e, antes de ir ao trabalho, dei um pulinho na escola para fazer uns clicks.

É verdade que aproveitei também para dar uma olhadinha em como ela estaria em meio a toda aquela folia. Queria olhá-la sem que soubessem que eu estava olhando. Coisa de mãe.

Cheguei bem na hora em que a banda de Maracatu ia começar. O circo estava armado! A criançada toda na expectativa, se organizando para assistir ao show.

Meu medo era que deixassem ela meio de lado, e ela se perdesse no tempo catando confetes pelo chão, já que ela adora essas miudezas.

Mas tive uma adorável surpresa. Darci, a auxiliar de sua turma, ficou o tempo inteiro com ela, intermediando sua participação no evento. Fiquei emocionada de vê-la de longe, participando, do seu jeito, da festa, tentando escapulir do olhar atento de Darci para catar confetes no chão e de perceber o compromisso da equipe da escola, em fazer realmente o que dizem que fazem: inclusão!

Lindo de ver!

independente


Darcy auxiliando na sua interação

observando a farra



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