sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Notícias da gravidez

Na última terça feira, fui com Samir para a consulta de 34 semanas de gravidez.

Como meu parto terá que ser cesárea, por conta das cesáreas anteriores, por insistência do meu marido (não resistida pela médica), acabamos marcando a data do parto: 25/01/2012, dia do aniversário do papai, que ficou com um sorriso de orelha a orelha quando ouviu da médica que esta era a data que seria, de fato, sugerida por ela, por ser o dia em que completaremos 39 semanas de gestação.

Saí do consultório com requisições para realização dos últimos exames laboratoriais pré parto, com solicitação de consulta pré anestésica, e com a guia de pré internação para o parto.

Deu um friozinho na barriga. Agora está realmente chegando a hora de conhecermos nosso pequeno príncipe...

Como Lipe e Leti nasceram grandes, com 3.890kg e 3.780kg, respectivamente, e Mateus ainda está com 2.300kg (dentro da média, mas desproporcional ao peso dos irmãos), ela solicitou um USG com dopplerfluxometria, para avaliar como está o fluxo da alimentação na placenta.

Pediu que não me preocupasse, porque meu líquido amniótico estava ótimo, o que era incompatível com a existência de problemas no fluxo, mas explicou que sua medida decorria de excesso de zelo.

Sinceramente, não me preocupei. Sinto Mateus mexendo vigorosamente, como se fosse um polvo (porque mexe em vários lugares ao mesmo tempo), a cada vez que me alimento e isso me dá a sensação de que não há problema algum com sua alimentação dentro do meu ventre. Mas, de qualquer forma, o exame está marcado para 04/01/12.

Ele já está encaixado.

E o mais assustador da consulta: engordei 3kgs em 15 dias. E já se vão 13kg em 34 semanas de gravidez. Pânico!!!!! Hora de me cuidar. E como é que se consegue fazer dieta em época de férias e festas de fim de ano?!?!?!

Passou

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer, de coração, a todas as manifestações de carinho que recebi depois do post anterior.

Como o blog andava meio às moscas, sem atualizações regulares, não imaginei que tanta gente leria o que escrevi naquele momento de desabafo.

Mas, apesar dos poucos comentários no post em si, recebi emails e telefonemas de muitas pessoas, preocupadas em me dar um conforto imediato, direto e pessoal, o que, com certeza, me deixou extremamente feliz!

Mas o que disse a cada uma delas, gostaria de registrar aqui: Passou!

Na verdade, quando acabei de escrever o post, passou. Como não estava conseguindo falar sobre o assunto, poder escrever sobre ele me ajudou a ver as coisas mais claramente e a superar a crise.

Estas crises, vez por outra, insistem em tomar conta de mim. No início, era muito mais frequente. Agora, acontecem raramente. E, quando acontecem, não duram mais que 24 horas. Esta durou um pouco mais que isso, mas me ajudou a ver as coisas de uma perspectiva diferente e a tomar umas providências que irão beneficiar o desenvolvimento da minha pequena, independentemente do que o futuro esteja reservando para ela.

O fato é que estou bem! Me sentindo humana por minhas eventuais faltas, e não CULPADA; acreditando que darei conta, sim, dos meus três filhotes (com toda dor e delícia que forem intrínsecas ao desempenho deste papel); ciente de que a recaída que tive pode ter sido contribuída pelo excesso de hormônios da gravidez e pela passagem do final do ano, que sempre me deixa mais sensível; e, por fim, ponderando a possibilidade de procurar acompanhamento terapêutico, para me manter mais estável, assim que as condições se fizerem mais favoráveis.

Por fim, novamente, gostaria de agradecer a cada amiga, real ou virtual, típica ou especial, que tenha dedicado parte do seu tempo para me trazer um pouco de conforto ao longo desta semana.

Beijo enorme a todas.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Recaída

Eu pensava que estava imune a isso. Principalmente agora, que estou afastada do trabalho, cercada de mimos da mamãe, em fase de conclusão de obras no novo apê e com mais tempo disponível do maridão.

Mas acho que é isso. Mais tempo ociosa. Eu, acostumada a viver com mil-coisas-a-fazer-ao-mesmo-tempo-agora, com mais tempo livre, tenho me dado ao luxo de parar para refletir sobre o meu papel em relação ao estágio de desenvolvimento de Leti.

Reconheço tudo de bom que aconteceu em sua vida neste último ano, e não tenho falsa modéstia quanto a minha responsabilidade em seus ganhos. Tenho convicção de que minha filha é feliz e, apesar disso dever ser suficiente para tranquilizar meu coração, confesso que não estou tranquila.

Ontem, depois de uma tarde difícil e reflexiva, tive muita vontade de chorar e chorei. Muito. Tinha vários compromissos sociais, mas a vontade era deixar tudo de lado e me largar numa cama. Sozinha. Acabei indo para uma festinha de criança, com meus pimpolhos, ainda que preferisse ficar em casa...

Uma palavra tem ecoado muito em minha cabeça: consistência.

Esta palavra foi usada num contexto muito apropriado por uma fono nova que está avaliando Leti.

Nessa fase de avaliação, acabei caindo na real e percebendo que, apesar de todos os avanços da minha pequena, ela ainda tem muito pouca autonomia para a prática dos atos de vida diária.

E, sinceramente, acho que a culpa disso é minha. (culpa, culpa, culpa... é como me sinto)

A TO que a acompanha, regularmente, a submete a alguns instrumentos de avaliação e, sempre que termina de tabular os questionários, me orienta como proceder e fixa algumas metas para o semestre seguinte.

No início, estou sempre empenhada, e fazendo tudo conforme o determinado, à risca.

Mas, com o passar do tempo, o empenho vai diminuindo, até eu esquecer das orientações para a minha lição de casa.

Resultado disso é que ela ainda não tira e veste a roupa sozinha, não lava suas mãos, não ajuda no banho, não saiu da fralda, não sobe na cama (apenas desce), não enfrenta degraus, não abre zíperes, não penteia seu cabelo, não calça seu sapato...

Outra coisa que tem me incomodado, como disse no último post, é a multiplicação das estereotipias. Fico enlouquecida, sem saber o que fazer. Com as que não trazem dano potencial a sua saúde ou integridade física (flapping, balanceio, sonoras...), tenho praticado a imitação sugerida pelo son-rise, e tem dado bons resultados.

Com as outras, ainda fico sem saber que caminho trilhar. Quando bate a cabeça ou tenta morder a própria mão (ela começou a fazer isso quando tenta nos morder, para não fazer algo que não deseja, e não consegue), tento tirá-la do movimento, procurando usar um tom de voz equilibrado, mas decidido. Quando coloca os três dedos na língua, para molhá-los e passar em alguma superfície (mesas, cadeiras, sofás, ou até no próprio corpo), procuro interceptar o movimento logo que percebo que ela vai iniciá-lo. Estou tentando conter a enorme proporção que o movimento tem tomado. Ultimamente, ela vinha fazendo isso o tempo inteiro.

O fato é que às vezes me acho muito centralizadora. Acho que só eu sei o certo para minha filha: só eu sei brincar, só eu sei dar a comida, só eu sei dar o banho, só eu sei conversar, ...(me sinto uma chata, embora as pessoas à minha volta nunca tenham tido a coragem de me dizer isso, assim, abertamente), e esqueço que não sou só eu que estou com ela 24 horas por dia, e que ela precisa de pessoas que mantenham a mesma consistência das atitudes que acho certas para ela.

Ou seja, não adianta, por exemplo, eu fomentá-la a ajudar-me a tirar sua roupa, toda vez que ela precisa ser despida, se as outras pessoas não souberem como fazer isso também.

Então, ao invés de eu conversar com as pessoas que lidam com ela (diga-se: babá, secretária da casa, papai, irmão, avós, tios, tias, primos...) para explicar a relevância de cada atitude, e reforçar a importância da consistência na repetição, eu faço a minha parte, esperando que as pessoas, olhando, entendam que devam fazer o mesmo. Ou às vezes até falo, mas não monitoro para verificar se estão fazendo da maneira correta ou com a regularidade necessária.

O resultado é que, quando aquela fase de motivação inicial vai passando, eu vou me descuidando da consistência em minhas atitudes, e elas ficam completamente sem eco porque as outras pessoas não as assimilaram direito.

O mesmo acontece em relação ao controle das estereotipias. Não adianta eu conter a nova "mania salivar" se, quando eu der as costas, a secretária da casa (que está substituindo a babá de férias) deixá-la livre para repeti-la inúmeras e inúmeras vezes.

E assim, vira e mexe, fico incomodada quando deixam ela no DVD mais tempo do que acho certo; quando brincam com ela, assistindo a um programa na TV, manuseando o celular, ou sem clima de animação; quando deixam ela sozinha, entretida com suas estereotipias; quando a pegam no colo ao invés de estimulá-la a andar; quando fazem tudo por ela ao invés de estimular sua autonomia...

Ando impaciente com tudo, me achando gorda, horrorosa, chata, mandona, incompetente... Ando preocupada com a minha capacidade para criar e educar 3 filhos. Ando ansiosa por resultados que sei que levam tempo para ser alcançados. Ando em conflito, sem saber o liame existente entre o meu papel de mãe e o de terapeuta da minha filha...

O primeiro passo para a solução desse problema, sem dúvida, perpassa pelo diálogo. E feita esta reflexão, seguida de uma sistematização do turbilhão de coisas que estou sentindo, estarei mais preparada para isso.

sábado, 17 de dezembro de 2011

O início da dieta

Como noticiado no último post, finalmente começamos a aplicar a dieta SGSC em Leti.

É impressionante como demoro para pôr em prática novas providências no tratamento da  minha pequena. Parece que preciso de tempo para digerir todas as informações que se processam em minha cabeça, ainda que as perspectivas de bons resultados sejam grandes.

Fui à consulta com a biomédica no final de outubro. Conversamos por um tempão, ela explicou os porquês da dieta e da necessidade de suplementação vitamínica, sugeriu a realização de alguns exames para detecção de alergias e se colocou à disposição para esclarecimento de dúvidas e ajuda quanto à aquisição de ingredientes para elaboração do cardápio.

No dia da consulta, me pediu que preenchesse um formulário de pesquisa para averiguar o diagnóstico de autismo. Até para preencher o formulario demorei...

Só em meados de novembro, entrei em contato com a farmácia para solicitar os suplementos, preenchi o tal formulário e comecei a ler o livro de Cláudia Marcelino, para poder colocar a dieta em prática.

A medicação chegou no final do mês. Seis frascos, sendo que metade precisa ser administrada duas vezes ao dia, o que totaliza nove administrações de medicação (diga-se suplementação vitamínica) diárias. Ainda bem que Leti não dá trabalho neste aspecto.

Pelo questionário, Leti teria um autismo moderado (grau 3, numa escala de 1 a 4), mas estou disposta a levá-la a novos profissionais que conheci no último curso que fiz, para desenterrar esta questão do diagnóstico outra vez.

Acredito que ela esteja, sim, no espectro, ainda que a psiquiatra tenha afastado a possibilidade, mas quero uma opinião especializada sobre o diagnóstico.

Nesta mesma época, comecei a ler o livro Autismo Esperança pela Nutrição de Cláudia Marcelino, que acabou por me convencer de que estava mais do que na hora de colocar a mão na massa.




Já vinha preparando a família para o início da dieta porque, para mim, o mais difícil seria contornar a boa intenção dos familiares de fazer as vontades da minha princesinha. Mas, para minha surpresa, todos têm sido importantes aliados nessa fase de mudanças, ajudando-me a manter a dieta firme e sem fugas.

Na verdade, não precisamos operar grande mudanças na rotina de Leti porque, por conta do excesso de peso que vem desde muito cedo, sua alimentação sempre foi muito equilibrada. O glúten já havia praticamente desaparecido da sua alimentação, por orientação da nutricionista que a acompanha, e o leite ninho também já havia sido substituído pelo de arroz, sem qualquer reclamação da minha pequena. A diferença importante, de fato, foi em relação aos lanchinhos de fim de semana: os docinhos de aniversário, as tortas de docerias nos passeios dominicais, os cookies da casa da titia e por aí vai...

A solução encontrada foi ter sempre à mão, nestes momentos, uma opção SGSC para não ter que transformar minha filhota numa antisocial.

Mas não tem sido fácil. Começamos a dieta há duas semanas. Anteontem fomos a um aniversário. Preparamos uma torta de chocolate, com cobertura e tudo, e levamos para atendê-la quando ela fizesse o tradicional pedido de boinho.

Ela já vai para festinhas de aniversário com a expectativa de se empanturrar de porcaria, e fica o tempo inteiro pedindo bolo e docinho para comer. É uma maratona tentar entretê-la com brincadeiras, com a decoração da festa, e com as crianças para tirar seu foco da comida.

Nesta última festa, tentamos enquanto pudemos brincar com ela e, quando sua apelação ficou insuportável, fomos para a mesa dar o bolinho trazido de casa.

Quando ela acabou de comer o bolo (que percebeu ter vindo de casa), falou: "- o parabéns", porque sabe que, sempre depois dos parabéns, o bolo da festa é servido.

Se fizermos sua vontade, ela come sem parar, é como se não tivesse sensação de saciedade. E nem posso estar lhe oferecendo, sempre que ela pede, uma opção SGSC, porque não podemos abrir mão do seu controle de peso.

Esse, para mim, tem sido o grande desafio da dieta. Mas estamos seguindo firmes.

Quanto aos exames solicitados, parte deve ser feita num laboratório aqui em Salvador, enquanto o mapeamento de alergias tem que ser enviado para os States.

Entrei em contato com o laboratório que faz o envio do material para os Estados Unidos, e eles me aconselharam a fazer a remessa só em janeiro, por conta do tumulto das transportadoras nesta época de fim de ano. Resolvi, então, deixar para fazer os outros também na mesma época.

O que eu espero da dieta

Minha maior expectativa em relação à dieta é o controle das estereotipias, que parecem se multiplicar a cada dia.

Ela bate com a cabeça na parede e no chão, balança o corpo para frente e para trás com muita frequência, faz o flapping (principalmente quando está excitada), apresenta uma estereotipia sonora (semelhante a um an an an) também muito frequente, pega objetos cilíndricos e os manuseia como se fosse uma massa de modelar que quer transformar em uma cobra (cantando: a cobra não tem pé, a cobra não tem mão...) e tem modificado uma que apareceu recentemente.

No início, ela tirava comida da boca e passava pela perna no "movimento de cobra" que mencionei. Depois passou a fazer a porcaria em mesas e outras superfícies. Em seguida, começou a fazer isso com o suco, mas só esfregando o líquido na mesa. Agora, mesmo sem nada na boca, passa a mão na língua, para retirar saliva, molhando a mesa e esfregando com a mão. E se desliga do mundo.

Essas coisas têm me incomodado.

Espero também uma melhora na qualidade do sono, embora perceba que ela tem dormido bem melhor depois que viemos passar esse tempo na casa dos meus pais. Acho que é porque ela dorme colada comigo. Porque a melhora já vem mesmo antes da introdução dos suplementos. É um aspecto a se observar, principalmente depois da mudança definitiva.

Por fim, espero uma melhora em sua pele, sempre tão suscetível a mudanças climáticas.

Estarei aqui relatando as novidades, e buscando estímulo para me manter firme no meu propósito de seguir na dieta sem fugas, pelo período que seja necessário.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Férias, Mudança e Providências

Estou de férias. Na verdade, licença prêmio. Mas dá no mesmo. O que importa é que estou em casa, com mais tempo para [e disposição reduzida por conta do peso] fazer coisas que preciso fazer neste fim de ano, como: matrículas de Lipe (escola, inglês, futebol); pesquisar escola para Leti; me preparar para a chegada do meu pequeno príncipe; acompanhar, na medida do possível, as obras do apartamento novo; e estudar muito e tomar algumas providências em relação aos (novos) encaminhamentos com minha pequena.

A mudança aconteceu pela metade. Entregamos nosso apê, mas ainda não mudamos para o definitivo que, graças a Deus, parece em fase final de obras, mas ainda vai ter que aguardar montagem de armários. Estamos na casa de minha mãe que, como sempre, nos acolheu de braços abertos e cheia de amor para dar.

O dia da mudança em si foi exaustivo! Já vinha encaixotando algumas coisas há um tempo, mas não tinha noção de quanta coisa ainda faltava. Como não contratamos empresa de mudança, só um carro para fazer o transporte, com uns ajudantes, contamos com a ajuda do meu pai, dos irmãos caçulas de Samir e de um amigo de infância dele para o trabalho braçal. Ficaram de 7 da manhã às 8 da noite no vai e vem com minhas caixas, transportando-as e estudando a melhor maneira de armazená-las no pouco espaço disponível (não submetido a reformas) no nosso apê.

Ao final do dia, apesar de todos super hiper mega exaustos, deu tudo certo!

E assim se encerrou o prazo de 3 anos, 6 meses e 6 dias que vivi no Edifício Imperial Boulevard, onde conheci muita gente que certamente continuará fazendo parte da minha vida, e, em especial, minha queridíssima amiga Carol, que parece estar na minha vida desde que me entendo por gente.

É claro que estamos muito felizes de podermos nos mudar para um apartamento maior, com uma infraestrutura melhor para as crianças, mas os momentos bons que passamos ali nos deixaram com o coração apertado no momento da mudança.

Mas a vida é assim mesmo, e o ciclo que tínhamos que concluir lá se fechou, o que, todavia, não significa que os vínculos ali constituídos serão apagados de nossa vida. Principalmente porque estaremos morando bem pertinho de lá.

E, em relação às providências, refiro-me a algumas mudanças nos encaminhamentos dados à vida da minha princesa.

Já havia falado aqui sobre a dieta SGSC e, finalmente, comecei a fazê-la com Leti; tanto a parte da dieta em si, como a de suplementação vitamínica. Encontram-se pendentes só os exames de alergia que, por orientação do laboratório, encaminharemos para os EUA no início de janeiro. Em breve, estarei fazendo um post específico sobre esta fase inicial.

Também fiz visitas a algumas escolas porque tenho pensado muito sobre a manutenção dela na escola em que estuda. Mas essa é uma temática longa e tormentosa, que também será objeto de um post específico.

E, por fim, estamos iniciando o trabalho terapêutico com uma nova profissional. Ainda em fase de avaliação, mas que me parece que renderá excelentes frutos. Estou muito entusiasmada e em breve estarei retomando o assundo.

Pois é. O post foi só para instigar a curiosidade dos leitores.

Em breve, cenas dos próximos capítulos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mais notícias

Brincando na casa de Binha no domingo (13/11), peguei um brinquedinho, por acaso, que estava perdido no meio dos equipamentos eletrônicos do home, só para não ter que me levantar para ir buscar um no lugar correto. É um triângulo vermelho, em três dimensões, que, quando aberto, mostra uma galinha em seu interior. Faz um barulhinho quando aperta, tem o desenho da galinha do lado de fora... É interessante, porque trabalha cor, forma geométrica, motricidade, animais...

Mostrei-o a Leti, e quando ia prguntar pelo animal do brinquedo (que ela está cansada de conhecer e imitar o som), mas ela se antecipou e disse: tiango (triângulo).

Oh, quase caí pra trás, é claro!

Meu Deus! Minha filha é uma caixinha de surpresas, que me surpreende a cada dia (sem querer ser - e já sendo - redundante).

Nunca imaginei que ela pudesse reconhecer uma forma geométrica.

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Dia 17/11, depois do tradicional almoço com titia Bida, esta começou a puxar a temática do natal, perguntando a Leti se lembrava do natal, o que ia querer de presente etc etc...

Do nada, Leti disse: Jesus. E acrescentou: parabéns Jesus...

Sinceramente, não sei de onde saiu a associação. Há tempos não conversamos sobre natal e, principalmente, sobre a sua origem...

Só Freud explica.

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Em meio ao tumulto da mudança, pedi a Val, sua babá, que ficasse com ela o máximo de tempo brincando no play, para ela não ficar na zona que virou nosso apê no dia D.

Mas ela fez cocô e Val subiu para trocar sua fralda.

Quando me viu, já no quarto todo desorganizado, com tudo espalhado por todos os lados e o colchão no lugar onde ficava sua cama, ficou excitadíssima, chamando minha atenção.

Logicamente, não resisti, dei uma pausa nos empacotamentos, e fui fazer um denguinho em minha pequena.

Cheguei perto e perguntei: - o que você quer, meu amor?

Ela, sem pestanejar, respondeu: - "qué beso". Pegou meu rosto com as duas mão e levou ao encontro do seu rosto, encostando sua boca na minha, para me beijar. Me derreti toda e passei o fim de semana espalhando para quem quisesse ouvir a demonstração de carinho da minha princesinha linda.

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E por falar em carinho, num dia desses, quando eu ainda tinha a minha casa, eu estava no quarto com Lipe, conversando amenidades, quando Binha me ligou. Falava sobre meu dia e, lá pelas tantas, comecei a me lamentar, falando do cansaço, de dores na coluna e nos pés.

Do nada, Lipe saiu do quarto, sem me dar tempo de perguntar para onde ia.

Daqui a pouco volta ele com um creme hidratante nas mãos, e começa a passá-lo em meus pés, preparando-os para uma massagem.

Não preciso nem dizer que o melhor não foi nem a massagem em si, mas sentir o cuidado do meu pequeno, ao perceber meu estado de calamidade.

Lindo!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um domingo no parque


Linda, numa primeira tentativa (beem tímida) de brincar de chutar bola.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Bodas de Estanho

Hoje eu e Samir completamos 10 anos de casados!

Ao longo desta semana estive meio nostálgica, revivendo os anos que se passaram, lembrando de tudo o que passamos juntos e agradecendo muito a Deus por ter colocado um homem tão maravilhoso em minha vida.

Sem dúvida, quando, naquela manhã de domingo, numa modesta cerimônia, diante do altar, e cercados por tantos amigos queridos, dissemos sim um ao outro, não imaginávamos que, em 10 anos, nossa vida estaria tão diferente. E para melhor!

Não imaginávamos o quanto o nosso amor estaria consolidado e renovado, o quanto nossa família representaria a realização dos nossos maiores sonhos, nem quantas pessoas maravilhosas encontraríamos (e reencontraríamos) pelo caminho para tornar esta caminhada ainda mais prazerosa.

Hoje me sinto plenamente feliz! Com a sensação de ter tomado o rumo certo na vida.

Mesmo diante de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo agora (quando o que eu mais queria era um pouquinho de sossego), tenho, no meu íntimo, a convicção de que tudo dará certo porque sinto em meu amor o empenho para que as coisas se resolvam logo, da maneira que fique menos pesada para mim.

E essa sua proatividade me faz amá-lo ainda mais. É um reflexo do seu cuidado conosco, com nossa qualidade de vida, com nosso amor.

Queria muito que o dia hoje fosse só de celebração, mas as escolhas que fizemos (e as últimas decisões que tomamos) não permitirão que isso aconteça, o que não significa que o dia, em si, perderá a sua magnitude. É uma data emblemática! Comemoraremos como pudermos, mas sem nos esquecermos, sequer por um minuto, que o que faz deste dia tão importante é a maravilhosa relação que construímos, e que nos faz tão importantes para a construção da felicidade do outro.

Apenas estar com ele, para mim, já basta!

Te amo, Meu Amor!



"ainda bem que você vive comigo,
por que senão...
como seria essa vida?
sei lá, sei lá..."

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Estou lendo e recomendo



Comprei o livro no Simpósio de Autismo e Inclusão ocorrido na semana passada e estou simplesmente apaixonada.

O livro, com linguagem super acessível, traz diversas situações comumente observadas em crianças autistas, com sugestões de atividades de transformá-las ou canalizá-las para um aprendizado mais funcional.

Acho que todos os profissionais da área de educação (além dos pais, é claro!) que lidam com uma criança autista deveria ler. Tem excelentes dicas!

Fica a sugestão.

sábado, 12 de novembro de 2011

Enxoval em Miami: Dicas (editado)

Como disse aqui, sempre achei esse negócio de ir fazer enxoval nos States coisa de dondoca. Resolvi dar a mão à palmatória ao constatar a absurda diferença de preços dos itens de enxoval, logo que voltamos da Disney com as crianças.

Com a descoberta da gravidez, e o acúmulo de milhas sem perspectiva de utilização, resolvemos nos aventurar, sozinhos, na terra do Tio Sam, para montar o enxoval do nosso caçulina.

Antes da viagem, coletei dicas de algumas amigas que já tinham viajado antes e as consolidei para fazer nosso roteiro de viagem.

Minha ideia aqui não é traçar um roteiro de viagem para aqueles que quiserem seguir o mesmo caminho, mas, apenas, ressaltar algumas dicas que acho que podem ser úteis numa viagem com esta finalidade.

Vamos lá!

Muita coisa que vemos nos sites não encontramos disponíveis nas lojas para pronta entrega. Então, vale à pena comprar pela internet e programar a entrega no hotel. Eles estão habituados a esta prática. Mas vai um conselho: ao indicar o endereço do hotel, melhor colocar em algum dos campos do formulário, que o endereço é de um hotel. Fiz compra em 3 sites e, em um deles, tivemos problema com a entrega porque não havíamos indicado a especificidade do endereço. Resolvemos o incidente por email (eles são super acessíveis), e a encomenda (que era a maior) chegou a tempo. Ah! Eu também achei mais seguro ligar antes para o hotel e informar que chegariam uns pacotes em meu nome, porque parte da entrega estava programada para antes do meu check in. Tudo correu na mais perfeita tranquilidade.

Entre os itens que comprei pela internet, estavam incluídos papéis de parede (que acabei comprando para o apartamento novo todo), kit berço e itens de decoração coordenados com o tema. Há quem sugira também a compra do carrinho do bebê, mas, como ainda tenho um, não trouxe o item em minha mala.

Em relação aos papéis de parede, comprei no site https://www.wallpaperstogo.com/. Uma variedade de enlouquecer e um preço extremamente convidativo. Em todas as minhas andanças, não encontrei opções de papel de parede em lojas, então acho que valeu super à pena. Só um pequeno detalhe: ao calcular o preço, deve-se levar em conta que o rolo deles corresponde à metade do nosso, e que eles só são vendidos aos pares, então os preços devem ser multiplicados por dois. Mesmo assim, compensa!

O kit berço tinha visto no site da baby r us, que (arrisco dizer) é a loja mais tradicional de enxoval dos States. Mas, quando fui fazer a compra, tudo do tema que havia escolhido estava indisponível. Fuçando no google, minha irmã descobriu o site da Baby Super Mall (http://www.babysupermall.com/), que tinha tudo o que queria e um pouco mais. Foi difícil encontrar kit berço e kit cama coordenados, mas acabei encontrando lá. E várias coisinhas de decoração coordenadas com o tema: quadrinhos, bandô de cortina, cortina, abajur, cestinho para roupa suja...

Foi muito bom ter comprado antes, porque não encontrei em loja nenhuma kit berço e cama coordenados e o que tinha pesquisado aqui em Salvador antes de viajar custava três vezes mais caro.

Confesso que fiquei preocupada com a qualidade do produto, mas fiquei super satisfeita quando pude conferi-lo pessoalmente. Trouxe também o enxoval da minha irmã, que também está grávida, e tudo também estava lindo de viver. Então: Recomendo dar uma olhada no site.

A última compra que fiz pela net, foi no site da Pottery Barn Kids (http://www.potterybarnkids.com/). Tem uma lojinha super charmosa em Coral Gables, próxima a Miami, no Merrick Park. A loja não é barata, mas tem umas peças de decoração que não encontramos em qualquer lugar: lustres, abajours, espelhos recortados, roupas de cama diferentes. Tinha posto um monte de coisa na sacola (inclusive lustre para o quarto de Leti, um abajour em forma de carruagem, jogos de cama...), mas muita coisa só ficaria disponível num prazo de mais de um mês. Por isso, desisti. (quem quiser comprar, é bom entrar no site bem antes da viagem e verificar o prazo de entrega). Comprei um jogo de cama lindo, num material delicioso para a cama do quarto de Mateus; um edredom e almofadas de dinossauros (o tema do quarto dele), com o nome dele bordado e uns espelhos lindos para o quarto de Leti. Fui visitar a loja física, mas não tinha nada do que tinha escolhido na net. Comprei, apenas, as letras do nome de Lipe, em madeira, para decorar seu quarto.

Além da Baby R Us, que tem tudo e mais um pouco para o enxoval do bebê, descobrimos uma outra loja, pouco divulgada, que tem váááááários artigos de enxoval, alguns com preços melhores que a Baby R Us (como a babá eletrônica com câmera da marca summer): Buy Buy Baby! A loja fica em Coral Springs, Flórida. Um pouco distante, é verdade! Mas tínhamos duas opções para o mesmo lado, a loja Baby Love e a Buy Buy Baby. Então, separamos um dia para visitar as duas lojas. A primeira, bem grande por sinal, estava entregue às moscas e já não funcionava mais há uns 3 anos (descobrimos com uma funcionária da loja vizinha). Ainda bem que a visita à Buy Buy Baby compensou os 50 minutos de viagem que fizemos. Encontramos varias coisinhas diferentes, artigos de decoração, roupinhas em promoção e itens do Pooh, tema do enxoval da minha irmã. Para quem tem tempo, recomendo a loja.

Também achei que valeu muuuuuito à pena visitar algumas lojas de departamento, para comprar roupinhas de grife para os babies, bem mais baratas que as lojas tradicionais. A que mais me surpreendeu foi a Bloomingdale's . Comprei roupinhas Ralph Lauren, Guess, Levis, muuuuito mais baratas que todos os outros lugares que visitamos e ainda demos a sorte de, no dia da compra, ganharmos um desconto adicional no caixa. Não dá para acreditar no preço que pagamos nas roupinhas, cada uma mais linda que a outra...

Também encontramos roupas Ralph, Tommy, Guess, Calvin Klein, Puma, Nike dentre outras na Macy´s, e na Ross dress for less. Esta última tem muita coisa de qualidade duvidosa também, mas, procurando direito dá para encontrar muita roupinha legal a preço de banana. Outras coisas que comprei lá (das duas vezes que fui) foram: artigos para scrapbook (muuuuuito mais barato que aqui), álbuns de fotos para crianças, sapatinhos de crianças e alguns artigos de decoração. A loja é enorme, tem de tudo e existem várias espalhadas pela cidade, vale uma visita.

Por fim, uma coisa que acho importante, e não sei se todo mundo sabe, é conferir com a empresa aérea a cota de bagagem a que tem direito antes do embarque. Digo isso porque quando fomos para Disney em abril com as crianças, de American Air Lines, tivemos que deixar duas malas no aeroporto de Orlando porque a empresa simplesmente não permitia o excesso de bagagem para Salvador e uma outra cidade do Brasil (que não me lembro agora). Mesmo que pagássemos. Tínhamos direito a 2 malas de 23kg cada, uma de mão (cujo peso não lembro agora, mais que era mais de 10kgs com certeza) e uma bolsa ou mochila. Desta vez, fomos de TAM, que nos dava direito a 2 malas de 23kg, cada, e bagagem de mão de peso total de 8 ou 10kgs (não lembro). A cota de bagagem de mão era bem menor, mas eles são bem mais flexíveis no momento da conferência da bagagem. E admitem o pagamento do excesso (que tive que pagar, já que trouxe também o enxoval do meu sobrinho-afilhado).

Bem, é isso!


Ah, esqueci de dizer que, antes da visita à Carters e à OshKosh (que normalmente já estão nos roteiros das grávidas, porque possuem artigos lindos, de excelente qualidade, a preços igualmente atrativos) é bom entrar nos respsctivos sites (http://www.carters.com/ e http://www.oshkoshbgosh.com/) para imprimir cupons de desconto que deixam os preços ainda melhores.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Curtinhas: cores, brincadeiras e diálogos

Ontem, depois de ficar o dia inteiro envolvida com trabalho e com pendências do apartamento novo, cheguei em casa já no final da tarde e fui brincar com minha pequena (#saudade).

Ela tinha acordado há pouco e ainda estava meio preguiçosa. Perguntei do que queria brincar e ela, prontamente, respondeu: - massinha!

Tínhamos suspendido um pouco a massinha, porque ela só usa de uma maneira repetitiva, nada funcional e isso não é bom para seu desenvolvimento.

Mas, para despertar seu interesse pela brincadeira, acolhi sua sugestão, peguei uma massinha nova para brincar por um breve intervalo de tempo, apenas para puxar o gancho para outras atividades.

Enquanto abria o pote, lhe perguntei, mostrando a tampa da massinha: - que cor é essa massinha? Ela, sem pestanejar respondeu: - é osa!

A tampa era rosa!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Não acreditei! Já tinha percebido algumas vezes que ela reconhecia o amarelo, mas achava que pudesse ser coincidência. Mas, rosa?!?! Nem tem rosa nos DVD´s que falam de cores que ela tem... Fiquei tão tão tão feliz!!!! Que bom que cedi a seu pedido e aceitei a brincadeira com a massinha...

Brincamos por uns 10 minutos (noto que ela baba mais quando brinca de massinha, da mesma maneira que se balança menos).

Depois guardamos a massinha e peguei o castelo que trouxe da Disney (cheio de príncipes e princesas) e fomos brincar juntas. Na verdade, achava que ela nem ia ligar. Mas ela curtiu. Montamos o castelo, colocamos torres, tochas, escadas, separamos as princesas e os príncipes..., ela olhava tão empolgada para as princesinhas, analisava, fazia menção de arrumá-las no castelo... Tão lindo!!! Liguei as tochas que acompanham o castelo (e que parecem velas) e ela imediatamente disse: -sopá (assoprar). Achei tão engraçado, porque, de fato, pareciam velas que são assopradas em aniversários. Seu tempo de atenção para a brincadeira não foi longo, brincamos por cerca de 15, 20 minutos. Mas neste tempo ela esteve completamente envolvida, o que foi suficiente para me deixar imensamente feliz.

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Hoje, quando descansávamos depois do almoço, e aproveitávamos para conversar, começamos a falar sobre banho, quando Samir lhe perguntou: 
- com quem você gosta mais de tomar banho, com Val, mamãe ou papai?
- com papai.
Pensava que ela simplesmente repetira o que ouvira por último, mas ela logo completou:
- a gainha pintadinha e o gao caijó... (a galinha pintadinha e o galo carijó).
Tive plena certeza que ela sabia o que falava e que estava respondendo corretamente à pergunta que lhe fora feita. É que toda vez que Samir dá banho nela, canta a música da galinha pintadinha, e ela adora! Então, interpretando, o que ela quis responder foi:
- gosto mais de tomar banho com o papai porque ele canta a música da galinha pintadinha.
LINDA!

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Agora à noite, na hora de dormir, me olhou e disse: - qué dubí (quer dormir). Vesti seu pijama e me deitei ao seu lado na cama, como sempre faço. Mas meu pai me ligou bem na hora. Levantei e fui à sala atender ao telefone. Quando estava no meio da conversa, chega ela ao meu lado, puxa meu braço, me olhando nos olhos e diz: - qué dubí!
Logicamente, desliguei o telefone na hora e fui com ela de mãos dadas ao seu quarto, deitar ao seu lado  e esperar por 5 minutos para ela cair num sono profundo (ela estava morta de sono).
(eu ainda fiquei por uns 20 minutos, boba, olhando para ela, e agradecendo a Deus estas demonstrações de evolução da minha filhota).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Hanen


imagem daqui

No dia 08/10 passado, participei, como havia divulgado aqui, do curso Hanen, ministrado pela fonoaudióloga Natalia Spinelli.

Já alimentava uma curiosidade em conhecer o Hanen desde outubro do ano passado  quando, participando de um workshop de Floortime em Recife (exatamente um ano antes do curso de Hanen), ouvi relatos entusiasmados de pais que aplicavam a técnica em seus filhos.

A (maravilhosa) TO de Leti, que me acompanhou no workshop em Recife, me prometeu que traria o curso para Salvador e, depois de muitas tratativas e tentativas, acabou conseguindo e proporcionando aos curiosos pais a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre esta abordagem terapêutica para crianças com comprometimento de linguagem.

Confesso que no início fiquei meio receosa com o desenrolar do curso, que aconteceu num dia inteiro de sábado, em que tinha vários compromissos agendados, que acabaram por ser adiados. É que a palestrante, antes de entrar nos finalmentes, achou por bem tecer um comentário introdutório, no qual justificou ser a única profissional no Brasil habilitada a aplicar o Hanen em pacientes, a utilizar e traduzir o material fornecido pelo Centro Hanen, a ministrar cursos, etc, etc... Me pareceu meio pernóstico. Mas depois entendi. Parece que alguns (ou alguma, não sei) profissionais têm se aventurado a aplicar a técnica no Brasil, a traduzir e fornecer material didático e a ministrar cursos sem possuir a devida habilitação junto ao Centro no Hanen no Canadá. (Fechado o parêntese, volto a falar do curso.)

Pois bem.

A técnica foi criada no ano de 1975, no Canadá, para tratar, inicialmente, crianças com atraso de linguagem e posteriormente foi aprimorada para ser aplicada também em crianças dentro do espectro autista.

O programa é baseado em evidências e em princípios de educação de adultos, e seus recursos são voltados para pais, cuidadores, educadores e profissionais que lidam com a criança, através de uma combinação de sessões de grupos entre pais e educadores, sessões individuais de devolutivas de vídeos e consultorias, planos de ação e gerenciamento junto às famílias.

O foco do programa é voltado para a comunicação, esta entendida como um processo dialético entre a interação e a introdução da linguagem.

E falar em linguagem não é tão somente pensar na fala do sujeito. A fala é uma das modalidades de linguagem. De linguagem expressiva! Mas tão importante como a linguagem expressiva, é também a linguagem compreensiva da criança, que se manifesta de maneira passiva, mas que nos permite perceber se ela entende o que lhe é comunicado através da palavra, de gestos, símbolos (objetos, fotos, desenhos) etc.

Em relação à linguagem, o programa classifica os níveis da comunicação em quatro:

1) Descobridor: vocaliza, ri, chora, apresenta baixo nível de linguagem;
2) Comunicador: balbucia, aponta, atende a comandos básicos, emite sons específicos para situações específicas;
3) Usuário de primeiras palavras: começa a usar palavras soltas para nomear coisas e expressar desejos;
4) Combinador: começa a combinar palavras (pelo menos duas), usando frases para se comunicar.

Em relação à comunicação, há que se classificar ainda o estilo utilizado pela criança:

a) Agenda Própria: quando a criança faz tudo sozinha, com independência, sem demandar auxílio de ningguém, restringindo, portanto, seu processo de comunicação;
b) Relutante: quando oscila entre momentos de comunicação interativa e outros de isolamento;
c) Passiva: quando se mantém passiva na situação em que for colocada, sem interação, portanto (é aquela que, se colocada em frente a uma TV fica lá o tempo inteiro, só saindo quando for retirada);
d) Sociável:  esta é autoexplicativa.

A classificação do nível de comunicação da criança é importante para que se identifique o estágio em que ela se encontra e aquele que precisa ser alcançado, para que se pense nas estratégias que deverão ser utilizadas.

Nem sempre é fácil identificar UM estágio no qual nossa criança se encontra, já que o processo de formação de linguagem é muito dinâmico, mas deve-se ponderar qual é o que melhor se encaixa no seu perfil, para que se tenha um parâmetro para nortear a utilização da abordagem.

No momento de classificação, há que se desconsiderar as ecolalias, que são repetições descontextualizadas de palavras ou frases ouvidas pelas crianças.

A Teoria do Hanen é baseada na Teoria Sócio Interacionista de Vygotsky, que prega que o desenvolvimento seja impulsionado pela linguagem (e não o contrário, como estabelece Piaget), e tem como objetivo capacitar o adulto para facilitar as crianças a adquirirem ou aprimorarem a atenção conjunta, a interação recíproca, a comunicação intencional, o vocabulário, as combinações de palavras iniciais, a diminuição (ou eliminação) de ecolalias e a alfabetização emergente e crescente.

Sua abordagem é responsiva, priorizando a espontaneidade, diferenciando-se, desta forma, da linha comportamental, que, na minha leiga acepção (está nos meus planos estudar mais a respeito) dá mais ênfase às repetições, que nem sempre vêm associadas aos interesses da criança.

A figura da coruja simboliza bem o que prega a Teoria do Hanen, e sua iniciais (em inglês, OWL) são usadas como referência para os papéis que devem ser desempenhados pelos seus aplicadores: Observe, Wait and Listen.

Esmiuçando: Tem-se que observar a criança, para perceber quais são os seus interesses, que serão tomados como ponto de partida para as atividades propostas; saber esperar o tempo necessário para que a criança inicie a interação, fornecendo uma resposta aos estímulos propostos; e, por fim, saber escutar, compreender e demonstrar à criança que compreendeu qualquer feedback que ela dê ao final deste processo.

Neste ponto, fiquei surpresa ao perceber (analisando um video de Leti no intervalo do workshop) que meu WAIT não anda muito bem trabalhado no dia a dia com minha pequena. Na minha ansiedade, acabo não lhe dando o tempo necessário para oferecer sua resposta ao nosso processo de comunicação. (ter oportunidade de perceber isso já valeu o curso para mim)

O plano de ação do Hanen, então, é composto das seguintes etapas: inicialmente, promover o contato visual a todo o tempo (olho no olho, que pode demandar adaptação, para adulto ficar no foco de visão da criança), praticar o OWL, seguir a liderança da criança (para manter sua motivação), juntar-se para brincar, imitá-la (acrescentando linguagem), interpretar (qualquer iniciativa sua, esperando sua reação) e comentar (acrescentando informação nova ou emitindo um juízo de valor).

Exemplificando, teríamos, por exemplo, na estereotipia do flapping (sacudir as mãos próximo ao rosto): imitação da estereotipia, acrescentando: - está com sono? (interpretar), - então vamos dormir (comentar).

A imitação pode ocorrer repetindo o que a criança diz, fazendo o que ela faz, relacionando ações suas. A interpretação pode ocorrer através de gestos, ênfase a palavras chaves, nominação de objetos, utilização de frases curtas.

Enfatiza-se também a troca de turnos, que consiste na delimitação do tempo de cada um para ter sua participação na atividade. Busca-se, assim, favorecer o diálogo e, a meu ver, conter uma ansiedade comum no quadro de autismo.

As principais estratégias do programa seriam: Juntar-se, Imitar, Sinalizar para ter vez e Equilíbrio adequado entre perguntas e comentários.

Considerando os níveis de comunicação (anteriormente mencionados), propõe-se as seguintes estratégias para a criança:

a) Ao descobridor: juntar-se, interpretar e imitar;
b) Ao comunicador: juntar-se, interpretar e imitar;
c) Ao usuário de primeiras palavras: juntar-se, interpretar e comentar; e
d) Ao combinador: juntar-se e comentar.

A elaboração da estratégia fica a cargo do terapeuta que, juntamente com a família, elaborará um plano de ação para trabalhar as habilidades comunicativas da criança.

Mas a ideia é aproveitar cada oportunidade para fomentar a comunicação da criança, acrescentando linguagem e experiência nas atividades de vida diária, quando ela se mostrar interessada em alguma coisa, quando acontecer algo inesperado, quando algo der errado... a ideia é enriquecer o processo de comunicação. Sempre! Mas respeitando, é claro, o estágio de desenvolvimento da criança.

No frigir dos ovos, a abordagem me pareceu um pouco parecida com a do son rise, com algumas pequenas diferenças. Distingue-se porque o foco do Hanen é a comunicação; todo o resto vem como subsídio para favorecer o processo comunicativo. E este enfoque faz com que tudo que se pense como plano de ação do hanen esteja permeado de intervenções que favoreçam este processo; acrescentando linguagem, interpretações, comentários, proporcionando tempo para as respostas... Isso me parece positivo, já que acredito que o trabalho mais focado tenha mais chances de conseguir melhores resultados.

A postura da palestrante me fez mais simpática à abordagem do hanen que a do son rise. Sua disponibilidade a tirar as dúvidas dos pais, suas dinâmicas (avaliadas de perto) abarcando situações das crianças ali representadas, sua sugestão para apresentação de videos das crianças, para que tentássemos colocar em prática toda a teoria trabalhada ao longo do dia, tornaram o workshop muito mais proveitoso (do que foi o de son rise, para mim).

Enfim, valeu muito à pena!

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Livro sugerido pela autora: It takes two to talk. Jan Pepper and Elaine Weitzman.
Site do Hanen: http://www.hanen.org/

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

E lá se vai o mês de outubro

O mês da criança deste ano foi cheio de novidades e opções de lazer. Nunca vi esta cidade com tanta coisa para se fazer com os pequenos... Tinha tanta opção que acabamos não conseguindo aproveitar todas.

Mas fizemos algumas coisas legais.

Fui com Leti à apresentação da peça do Peixonauta. Apesar de ter visto algumas críticas na net, adoramos o espetáculo! O formato era diferente, com bonequinhos de pano (pequenos, é verdade), manipulados por atores, tipo fantoches. Mas o teatro pequeno (e aconchegante), e boa localização das nossas cadeiras, a sonoplastia ao vivo, favoreceu a interação com o espetáculo, permitindo que boas gargalhadas e momentos de empolgação fossem experimentados pela minha pequena. Confesso que foi cansativo ir sozinha com ela, que demandou meu colo em muitas horas, por conta do tamanho da minha barriga. Mas valeu à pena!



Foto de divulgação tirada daqui

Fomos também ao espaço da Discovery Kids no Salvador Shopping. A ideia era fazer uma pequena viagem pelo Brasil, aproveitando a companhia de alguns personagens conhecidos das crianças. Para Leti, ficou muito complexo; para Lipe um pouco bobo. Leti não curtiu muito as atividades propostas; Lipe gostou apenas do último espaço, onde teve oportunidade de fazer uma cobrança de pênalti (futebol é com ele mesmo!). No final, tivemos oportunidade de tirar uma foto com o Doki.


Foto daqui
 

Mas o auge do mês das crianças, para mim, foi o show do Palavra Cantada, na Concha Acústica: programa delicioso para um fim de tarde de domingo! Eu estava numa expectativa enorme! Adoro o grupo, as músicas, os clipes, os shows dos DVD´s... acho que iria até sem as crianças (rs).

Lipe resistiu um pouco ao convite, está se achando grande e disse que aquilo seria programação para bebê. Mas acabou indo. E como se divertiu!!!! E olha que nem conhecíamos o grupo quando ele era menor... Ele começou a curtir quando Leti foi apresentada aos DVD´s e, compartilhando a companhia da irmã, aprendeu a cantar as músicas e a perceber o conteúdo que emergia delas. No final do show, quando nos preparávamos para ir embora, tocou uma música que adoramos e dançamos tanto que tomei reclamação do papai por conta das estripulias. Saímos leves e felizes. Lipe, super satisfeito de ter ido.

Leti foi uma atração à parte. Além de assistir atentamente ao show, bater palmas, sorrir..., interagiu várias vezes com os artistas. Coisa linda de ver! Levantava os bracinhos quando mandavam, tentou imitar bichinhos numa música, estava numa sintonia nunca vista antes. Me emocionei!

Amei, amei, amei!!!!!

Olha a expressão atenta da minha princesa

Mesmo distante, conseguimos curtir muito

Fim do show

Aproveitamos um dia de sol para curtir uma praia também, coisa que pouco fazemos, apesar de Leti gostar tanto. Binha e Pig foram com Biel, pegaram Leti em casa e eu saí direto do trabalho para me encontrar com eles. Foi delicioso!




No dia das crianças mesmo, a turma do prédio fez uma programação voltada para os pequenos, na área verde recém construída.

Leti se divertiu na caixa de areia e Lipe na quadra de futevolei. O auge da programação foi a inauguração da nossa pequena horta. Os pequenos se deliciaram podendo plantar suas primeiras sementes, cheios de expectativas quanto ao futuro daquelas pequenas sementinhas... Biel, que teve uma vivência semelhante na escola, mesmo detestando areia, curtiu a experiência e vibrou com cada etapa do processo.

Neste mesmo dia, logo que acordei, chamei Lipe e Leti para um programa diferente. Fomos os três para a cozinha, fazer o lanchinho que levaríamos à festa das crianças: um bolo (de caixa, mas tudo bem. Os outros sempre solam...).

Lipe costuma me ajudar quando faço o bolo, é sempre ele quem mexe a massa, dissolvendo toda a manteiga. Já está craque! Desta vez, Leti ajudou também. Na medida das possibilidades dela, é claro. Queria que ela acompanhasse o processo, e visse o bolo (que ela tanto ama) pronto ao final. Foi muito legal a experiência! Quando Lipe já tinha feito o trabalho pesado, foi a vez dela mexer a massa. Mexeu um pouco, cantando um refrão que cantava na aula de musicalização infantil: - mexe o panelão, mexe o panelão... Quando viu o bolo pronto saindo do forno, e depois graciosamente recheado com cobertura de brigadeiro, prontamente começou a cantar parabéns (é que sempre se parte o bolo depois dos parabéns...). Mas a degustação ficou para a hora da confraternização.





Na semana passada, a escola de Lipe promoveu o encerramento do Projeto Fábulas, com a exposição de alguns artigos produzidos pelas crianças com material reciclado e associado à temática. Cada criança ficava responsável por fazer a apresentação da sua estação de trabalho, contextualizando os materiais produzidos com o conteúdo aprendido sobre o tema.

Muito legal!




Bilhetinhos escritos pelos pais no dia da reunião, para ilustrar a amostra. (Lipe achou o meu)

Para encerrar o mês, algumas mães improvisaram hoje um halloween para as crianças do prédio. Lipe adorou a ideia! Subiu correndo para procurar uma fantasia. Encontrou a que vestiu na sua festa de 7 anos (que foi de halloween) e, apesar de ter conseguido fechá-la, desistiu de usá-la porque estava tão apertada que mal conseguia se mexer. Colocou uma roupa preta, uma máscara de bruxo, e seguiu acompanhando a criançada por todos os (80) apartamentos do prédio em busca de doces ou travessuras.

Ele nem gosta tanto dessas guloseimas, mas voltou para casa empolgadíssimo com seu saco cheio de docinhos.

O que vale é a farra!



E lá se foi o mês...

sábado, 29 de outubro de 2011

Parabéns, Dindinha!!!!

Ontem Biel completou 2 aninhos!

Biel é filho da minha única irmã, meu sobrinho e afilhado. Uma figurinha que a cada dia nos surpreende mais com suas peraltices e descobertas.

E quanta coisa aconteceu neste seu segundo ano de vida! 

O menino se tranformou num músico tagarela e num criativo contador de histórias, com apenas dois anos de idade, e sem que eu me desse conta de quando esse "bum" no seu processo de desenvolvimento tenha sido desencadeado!!!!!!

É que tudo foi acontecendo tão naturalmente... 
 
Primeiro, muito precocemente, surgiu o interesse por números, letras, formas geométricas e assuntos normalmente desinteressantes para crianças de apenas 1 aninho de idade.

O interesse, reiteradamente demonstrado, foi prontamente incentivado pela atenta mamãe que, percebendo o potencial do seu mini gênio (rs), buscou transformar sua curiosidade numa lúdica busca pela descoberta do saber.

Daí, o interesse por assuntos inicialmente desconectados começou a criar elos de ligação, favorecendo uma deliciosa (e diferente) leitura do mundo ao seu redor: Os números agora indicavam quantidade, as cores distinguiam as coisas, as letras se associavam a palavras do seu vocabulário, as formas geométricas integravam coisas que encontrava por toda a parte...

Meu Deus! Esta descoberta deve ser fantástica para as crianças! 

Mas ele está em constante ascensão. E não ficou por aí. Das palvaras soltas, passou às pequenas frases, depois às frase mais longas, depois às enormes. (é muito engraçada sua frase negativa: Biel quer ir para o salão ver vovó trabalhar não). 

E a comunicação ganhou também melhor conteúdo: do concreto para o abstrato foi um pulo! Hoje ele fala de presente, passado e futuro, associa informações, fala de sentimentos, inventa histórias... Já usa sua habilidade comunicativa até para nos pirraçar (mas quem herda não furta, e a mãe era - ou é? - igualzinha).

É uma criança linda, inteligente, amorosa, perspicaz, apaixonante!

É lindo ver seu interesse pela música e sua aptidão com os instrumentos. É a grande esperança de termos um artista na família.

Enfim, o que queria dizer, é que este pequeno grande garoto é um presente em minha vida. Eu, que já sentia um amor maternal pela minha irmã, passei a sentir algo esdrúxulo em relação à sua cria: um misto de amor de mãe (porque me sinto sua segunda mãe), que ama acima de tudo, se preocupa, cuida, se regozija com suas conquistas; com um amor de avó, que mima e estraga, sempre com a melhor das intenções.

Parabéns, Dindinha! Tenha certeza que terá sempre em mim uma segunda  mãe para todos os momentos. TE AMO!!!!!!!!!!!!!!!!

PS: Imagina o tamanho da minha felicidade... o segundo filho que minha irmã espera... também será minha dindinha. aeeeeeeeeee...


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O primeiro convite de Mateus

Ohhhh, meu baby nem chegou e já está sendo convidado para festinhas.

O primeiro convite foi para o aniversário do priminho Biel (minha dindinha), que acontecerá no final deste mês. O convite, é claro, foi produção da "empresa familiar" Feito por Nós e tenta simular o pote de mel do Ursinho Pooh.

Não ficou lindo?!




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Nutrição e Autismo

Há tempos tenho ouvido falar na dieta sem glútem e caseína (sgsc) para crianças autistas, e nos resultados impressionantes que se tem obtido em relação ao comportamento destas.

Alguns parentes de autistas, inclusive, já tinham sugerido que eu tentasse com Leti, mas, até então, eu não sentia a necessidade de impor à minha pequena tamanha restrição, por não vislumbrar tantos benefícios que  justificassem o esforço.

Depois da consulta com a psiquiatra, então, (sobre a qual falei aqui), acabei me acomodando um pouco nas investidas nas abordagens direcionadas ao autismo, e continuei seguindo nas terapias que ela já vinha fazendo. Coincidiu com meu período de clausura.

Ocorre que, com a multiplicação de estereotipias de Leti (voltou a bater a cabeça na parede; às vezes arranha o próprio rosto; segura o punho e fica olhando a mão sem nenhum motivo; o balanceio para frente e para trás; a mania de tirar a comida da boca e passar pelo corpo, no mesmo movimento que faz com a massinha de modelar; a obsessão pelos controles remotos...), voltei a pensar mais enfaticamente no autismo, e nas alternativas terapêuticas que estariam à minha disposição.

Meio inconformada com a minha postura conformista, encarei a realização de dois cursos aqui em Salvador como a oportunidade de dar uma sacudida no meu marasmo e de buscar um novo direcionamento para a vida da minha pequena.

Fui lá ouvir um pouco o que tinham a me dizer sobre a tal dieta SGSC.

Achava que uma nutricionista (ou médica) ministraria o workshop, e me surpreendi quando soube que era uma mãe, como eu, que após testemunhar uma experiência exitosa com seu filho, resolvera compartilhá-la com outras mães.

O meu maior receio em relação à dieta era ter que tirar minha filha do convívio social; das festinhas de aniversário, dos encontros de família, dos passeios a restaurantes... E já tinha conversado um pouco sobre isso com a nutricionista dela, que, mesmo sem eu saber, já havia restringido muito a alimentação de Leti a produtos sem glúten e caseína. Ela havia me tranquilizado, dizendo que, hoje em dia, há uma diversidade tão grande de receitas sem glúten e caseína, que dificilmente Leti sentiria falta de alguma coisa. O único porém é que eu teria que levar suas opções de alimentos e guloseimas de casa, quando fosse a qualquer evento social. Isso não me pareceu tão assustador, a ponto de me fazer desistir.

Voltando ao curso...

Ela começou falando um pouco da sua história e do autismo, das características, do diagnóstico do seu filho, das estapas do seu desenvolvimento e da maneira como ela chegou à dieta.

Falou que a dieta é recomendada para pessoas com intolerância às substâncias (glúten e caseína), mas que também pode trazer excelentes resultados a crianças autistas que não tenham detectada tal intolerância. Mas que, para trazer um resultado efetivo, necessita de uma restrição de 100%  do glúten e da caseína. Ou seja: inviável uma dieta com escapadinhas no fim de semana.

Sugeriu, a princípio, a diminuição de aditivos químicos (corantes e conservantes), açúcar e alimentos processados; o aumento da ingestão de comida verdadeira e alimentos funcionais e a correção de eventuais alterações detectadas em exames metabólicos.

A retirada do glúten e da caseína, segundo ela, deve vir acompanhada também da retirada do glutamato (presente em temperos prontos) e do aspartame (encontrado em alguns doces).

Diferenciou a lactose (que é o açúcar do leite) da caseína (que é a proteína do leite), e os efeitos da intolerância a estas substâncias: a intolerância à lactose normalmente acarreta problemas orgânicos, e à caseína causa, além dos orgânicos, alterações comportamentais.

Contra indicou o uso da soja, o que me causou espanto e desespero. Abre parêntese: A nutricionista de Leti tinha prescrito o uso do leite de arroz, que usamos por algum tempo, mas, considerando a diferença de preço entre o de arroz e o de soja, perguntei se poderia trocá-lo pelo de soja, o que ela autorizou, embora com um pouco de resistência. É o que estamos usando há uns dois meses. Fecha parêntese.

Justificativas para a contra indicação: 1) alimento rico em glutamato, que é um neurotransmissor excitatório do sistema nervoso; 2) possui uma proteína complexa, altamente alergênica; 3) é geneticamente modificada; 4) é matéria prima de muitos produtos industrializados.

Salientou que a observação no rótulo de um alimento indicando proteína vegetal hidrolisada é o mesmo que proteína de soja (novidade para mim).

(Estou dando a Leti o leite de soja que ainda resta em casa, mas já vou voltar a substituí-lo pelo leite de arroz.)

Aconselhou a ingestão na dieta de: a) reforços alimentares, como abacate, açaí, quinua, amaranto, alfarroba e alimentos coloridos; b) alimentos fermentados; c) grãos germinados; d) caldos caseiros; e) farelos; e f) sucos verdes-vivos.

Neste ponto, acho que não teria muita dificuldade com Leti, já que ela não tem uma alimentação restritiva e já consome grande parte dos alimentos sugeridos pela dieta. O pior, no caso dela, seria a retirada do açúcar, doces e afins.

Ela tem uma aceitação muito boa à maior parte dos alimentos, não consome produtos industrializados, frituras, refrigerantes, fast food, caldos prontos, mas, por outro lado, não pode ver um bolinho ou um cookie, que entra em desespero. O trabalho seria nosso, de ter sempre disponível uma opção sgsc para apaziguá-la nestes momentos de desespero.

Esclareceu que o glúten está presente na farinha de trigo, na cevada, no malte, na aveia, no centeio, no trigo de quibe; e sugeriu a substituição por: farinha de arroz branca, integral ou creme de arroz, amido de milho, fécula de batata, fécula de araruta, polvilho doce ou azedo, fécula de mandioca, farinha de linhaça, de quinua...

Indicou também a presença da caseína (ou caseinato), no leite de vaca, cabra, ovelha e búfala e em todos os seus derivados, recomendando a substituição por leite de coco, de arroz, de castanhas, amêndoas, além dos sucos naturais, água de coco e água.

Por fim, de maneira didática, elencou o que, para ela, seriam os seis passos para introdução e manutenção da dieta:

1) Retirar toda a alimentação vazia: balas, pirulitos, pipocas, doces...

2) Evitar toxinas dos alimentos e fazer higienização da cozinha (trocando panelas de alumínio pelas de inox ou vidro), utilizando água mineral sem flúor, restringindo o uso de microondas, evitando uso de plásticos para substâncias quentes, e tomando cuidado com o armazenamento de alimentos em geladeira.

3) Diminuir ou eliminar o consumo de produtos industrializados (ricos em glutamato monossódico e aspartame), aumentando a quantidade de refeições diárias.

4) Diminuir o consumo de açúcar e carboidratos refinados, utilizando receitas alternativas e porções limitadas.

5) Retirar todo o leite animal.

6) Retirar todo o glúten.

Disponibilizou seu blog (http://www.dietasgsc.blogspot.com/), onde se encontram disponíveis diversas receitas sgsc para dar uma variada no cardápio.


Saí do curso disposta a tentar. Apenas a probabilidade da redução das estereotipias de Leti, para mim, já justifica uma tentativa. Principalmente, porque acho que não será um processo traumático para ela (embora muito trabalhoso para nós). Marquei consulta com uma biomédica que me indicaram e vou fazer esta aposta, que, para ser bem sucedida, precisará da adesão de toda a família, que terá que fazer um esforço imenso para não ceder ao irresistível charme da minha princesa, quando pede um bolinho.

Em breve, cenas dos próximos capítulos.

sábado, 15 de outubro de 2011

Hiperatividade Seletiva?

Meu primeiro compromisso logo que cheguei de viagem foi uma reunião com a orientadora da escola de Lipe.

Eu achava que a reunião seria uma complementação de outra, ocorrida cerca de 2 meses antes, quando, depois de uma longa conversa, a então orientadora, aventara a possibilidade de meu filho estar acometido de hiperatividade e precisar de medicação para conter seu tal comportamento hiperativo.

Saí desta primeira reunião atordoada. Liguei para Samir, meio perdida, sem saber o que pensar e o que fazer. Me pediram que o levasse para uma avaliação com uma neuro, pontuando os aspectos levantados pela escola.

Cheguei a marcar a consulta com a neuro de Leti que, coincidentemente, foi a que a escola recomendou.

Mas minha primeira providência foi marcar um horário com a psicóloga dele. [ele participava de um grupinho terapêutico, há aproximadamente um ano, por indicação da professora da escola do ano passado, para tentar trabalhar a atenção, a dispersão e melhorar o diálogo em sala].

Falei da conversa na escola e perguntei o que achava. Ela me perguntou como ele era em casa com as atividades do seu interesse. Perguntou se se concentrava ou se mantinha a mesma dispersão relatada pela escola. Falei que, com as coisas que gosta, mantém um período longo de concentração, como para assistir os programas de TV, os jogos de futebol, para jogar video game, para ler livros, pesquisar lances futebolísticos mirabolantes no youtube...

O que ela me disse foi que a hiperatividade, patologicamente falando, não se apresenta de maneira seletiva. E que é impossível que uma criança hiperativa consiga se concentrar em qualquer coisa, por muito tempo, mesmo que seja do seu interesse. Ainda exemplificou que ele poderia até assistir seus programas de TV, mas o faria dando cambalhotas, correndo pela sala, ou fazendo qualquer outra coisa ao mesmo tempo.

Concluiu, por fim, dizendo que, sob o seu olhar profissional, Lipe não seria uma criança hiperativa. Mas que isso não significava que tudo ia bem na escola, uma vez que o seu comportamento dispersivo, nas horas em que se demandava sua atenção, era algo que precisava ser trabalhado para que ele pudesse entender que, infelizmente, na vida, nem sempre fazemos apenas o que nos agrada.

Cheguei a falar que as queixas feitas pela escola não eram novidade para mim; que, em casa, para que ele desse conta das atividades de vida diária (banho, escovar dentes, sentar para fazer os deveres de casa,...) eu precisava mandar umas dez vezes, antes que ele efetivamente fizesse o que eu pedia. Confessei que, às vezes, eu falava as dez vezes seguidas e perguntava se assim ele poderia me obedecer logo.

Ela me alertou sobre meu erro e sobre como isso reforçaria uma ausência de autoridade naquilo que eu  lhe pedia. Aconselhou que conversasse com ele, falando da minha conversa com ela, e que combinasse que, dali em diante, eu só pediria uma vez para que fizesse algo; que ele poderia até contra argumentar, tentar negociar um prazo, mas que eu não iria admitir que fingisse que não tinha me ouvido. (e, se não me atendesse, eu o pegaria pelo braço e levaria para fazer o que havia pedido).

Pediu que estabelecêssemos regras para que ele se implicasse mais em suas obrigações: que estipulássemos um horário de descanso quando chegasse da escola e o horário de início das tarefas de casa, sem que eu precisasse, a cada dia, chamá-lo para se sentar para o cumprimento de suas obrigações.

Segui à risca seus conselhos, e acho que até funcionou bem. De vez em quando precisamos fazer uns ajustes, mas, de uma maneira geral, os resultados foram positivos.

Antes da consulta com a neuro, ainda conversei com outras pessoas. O depoimento de duas delas, uma amiga blogueira que tive o prazer de conhecer por aqui, e uma tia que é uma referência  muito positiva em minha vida, por ser uma excelente profissional, uma pessoa extremamente coerente em suas convicções políticas, filósoficas e sociológicas, e uma pessoa que admiro de verdade, me marcou muito.

As duas se descreveram exatamente como Lipe é em sala de aula: faziam tudo muito rápido, pegavam o assunto muito rápido, se desinteressavam pelas atividades que não eram do seu interesse e sempre tiravam excelentes notas.  Seriam típicas alunas hiperativas do seu tempo! E as duas são pessoas muito bem resolvidas hoje em dia. São, para mim, formadoras de opinião. Sinceramente, tenho uma leve tendência em acreditar em tudo o que dizem... rs

Logo depois, minha irmã me falou que ouvira recentemente no rádio uma entrevista  na qual se falava de uma inclinação das escolas em sugerir diagnóstico de hiperatividade dos alunos, ante a dificuldade de acompanhar as mudanças de comportamento das crianças, decorrentes das mudanças da vida moderna.

Ainda, numa conversa informal com a neuro, numa festa de aniversário na qual nos encontramos, ela  também me tranquilizava, dizendo não achar que o quadro de Lipe fosse um quadro típico de hiperatividade, que demandasse acompanhamento clínico.

E, por fim, tempos depois, numa reunião de pais na escola, para discutir problemas gerais da turma, a professora relatava que sua turma deste ano possuía uma característica peculiar de imaturidade, e que a maioria dos alunos precisava do acompanhamento mais de perto da professora, para que as coisas pudessem caminhar bem. Ou seja, o problema de Lipe não era só de Lipe, mas uma característica da turma.

Pois bem. Fui a esta segunda reunião munida de todas essas informações para combater uma nova suspeita de hiperatividade por parte da escola.

Mas a coordenadora em exercício que me atendeu (a outra estava exercendo uma outra função) não enveredou pelo mesmo caminho.

Falou dos problemas já conhecidos por mim, das investidas da professora para tentar facilitar sua concentração em sala e disse que, na verdade, o objetivo da reunião era afinar o discurso escola x família, para que ele não se sentisse fortalecido ao perceber que tudo o que a professora falava em sala acabava caindo no vazio, sem consequências, já que não contava com o reforço em casa. Corretíssima!

Falou, ainda, que Lipe se relaciona muito bem com praticamente todos os meninos da sala, e que exerce uma certa autoridade sobre a turma, o que acaba provocando balbúrdias, já que, sempre que ele começa uma brincadeira fora de hora, encontra pronta adesão de seus colegas, o que faz com que a situação acabe saindo do controle. Disse também que ele nunca é agressivo ou desrespeitoso, e que se envolve muito mais com atividades que envolvam arte.

Assegurei que conversaria com ele em casa, como efetivamente fiz, e ficamos de manter um diálogo mais próximo para conseguirmos manter uma postura coerente escola / família.

(Mas, confesso que fiquei surpresa com a informação da escola sobre a postura desenvolta de Lipe em sala, e com a "liderança" sobre os colegas. Como ele é diferente de mim)


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