sábado, 25 de março de 2017

É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu...

A proximidade dos 40 tem me deixado reflexiva! Não que seja um problema para mim o envelhecimento. Pelo contrário! Me enche de prazer saber que vou completar 40, recheada dos cabelos brancos que herdei do primeiro homem da minha vida, mas também com um acúmulo de intensas experiências que fizeram de mim quem hoje sou.
 
E como tenho pensado em quem eu sou, em quem me tornei...
 
Particularmente, nos últimos 30 dias, temos vivido momentos difíceis em casa. Leti se encontra num momento de transição entre uma medicação e outra e a abstinência da antiga tem trazido à tona um lado da minha pequena que me desestrutura. Fico sem saber se este lado é potencializado por um efeito reverso da medicação; ou se faz parte dela e estava ali escondidinho, controlado pela mesma medicação o tempo todo...
 
Esses momentos extremos com meus filhos, e não só com Leti, tendem a me deixar mais introspectiva, mais em slow motion...
 
Mas o fato é que ela vem melhorando, no ritmo dela, e com o acompanhamento virtual, porém ostensivo, do seu atencioso médico, a cada dia.
 
E nessa tempestade de comportamentos e sentimentos, coincidente com a fase reflexiva da minha vida, fui apresentada (somente) ontem, por uma amiga querida, com quem gostaria de ter mais contato efetivo (porque é daquelas pessoas que sempre nos reabastece de energia, mas que só vejo muito de vez em quando) à música Trem Bala de Ana Vilela, que fez eclodir em mim um sem-número de sensações, que me deixaram ainda mais reflexiva.
 
Eu passei o dia inteiro tocada pela música, emocionada cada vez que a ouvia, querendo apresentá-la a todo mundo que passava pela minha frente.
 
E, ao observar postagens pela internet e conversar com amigos, percebi, impressionada, o poder de identificação que ela causa nas pessoas, como se estivéssemos vivendo um momento de percepção coletiva da premente necessidade de mudar o rumo da vida, para dar a cada coisa o seu real valor.
 
A música é tão rica que eu poderia fazer uma reflexão sobre a minha vida a partir de cada verso dela.
 
Mas o que mais me tocou, a princípio, foi o que deu título a este texto.
 
"Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu"
 
Fico pensando no quanto do meu eu seja efetivamente meu e no quanto corresponda ao outro: aos meus pais, cujos valores e exemplos marcam minha personalidade; a minha irmã, responsável por importantes lembranças de minha vida, que remontam sempre a uma grande e terna cumplicidade; a meu marido, com quem aprendo, diariamente, que um relacionamento amoroso para ser duradouro precisa ser constantemente alimentado; a meus filhos, que me fazem perceber quão pouco sei sobre a maternidade; aos meus amigos, que estão sempre a postos para compartilhar comigo os momentos felizes e os nem tão felizes; a cada pessoa com quem vivenciei uma experiência profissional; a pessoas que passaram rápido por minha vida; àquelas que são duradouras, independentemente da frequência com que nos vejamos...
 
Fico imaginando que excluir um simples elo nesta imensa cadeia poderia ter me transformado em alguém diferente.
 
E não posso negar que, de cada elemento que compõe o meu eu, o que mais instiga minhas reflexões seja o fato de ser mãe de Leti.
 
Como eu seria se não fosse mãe de Leti? Quanta gente linda que passou pelo meu caminho eu não teria oportunidade de conhecer? Como seria o meu olhar para a educação e para a inclusão de uma maneira geral? Quantos filhos eu teria? Onde eu moraria? Será que eu teria motivação para escrever num blog? Como seria a minha maternagem? Como eu seria vista pelas pessoas?
 
Ao pensar sobre a escalada que me fortaleceu penso imediatamente em como ser mãe de uma criança com deficiência foi responsável pelo meu amadurecimento e em como este aspecto é um traço forte do meu eu.
 
Penso também em como meu fortalecimento às vezes pode ser paradoxal, expressando-se através de momentos de fragilidade e em como consegui dar para este fator externo - a maternidade "especial"- uma característica genuinamente minha, de leveza.
 
E pensando e repensando, refletindo e filosofando, sempre chego à conclusão de que ser mãe da minha pequena DEFINITIVAMENTE fez de mim uma pessoa melhor, me fez experimentar sensações extremas que me proporcionaram aprendizados talvez inextraíveis de outras fontes, aguçou minha sensibilidade, fez com que eu respeitasse mais a autoridade do tempo e valorizasse ainda mais a vida nas suas pequenas demonstrações de infinitude (porque embora a nossa vida seja finita, a vida em si está sempre se perpetuando no outro).
 
Por mais difícil que às vezes possa ser (e não imagino haver facilidade absoluta em relação à maternidade), como tem sido nos últimos dias, desejo seguir meu caminho, fortalecida por minhas experiências e pelo carinho daqueles em cujos corações consegui estabelecer uma morada.
 


TREM BALA
Ana Vilela
 
Não é sobre ter
Todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar
Alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar
Mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida
Que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar
E, então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe
Pra perto de mim

Não é sobre tudo que o teu dinheiro
É capaz de comprar
E sim sobre cada momento
Sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr
Contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera
A vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abrace teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abrace teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir
 
 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Feliz ano novo na Bahia!

Dizem que, em Salvador, o ano só começa depois do carnaval.
 
Embora eu seja meio avessa aos comentários preconceituosos que envolvem os baianos, percebo que, de fato, a vida toma um ritmo diferente depois do carnaval. Mesmo para aqueles que não (mais) se aventuram nos festejos momescos, como eu.
 
Vou aproveitar, então, o clima de ano novo para falar um pouco sobre os nossos planos para Leti, neste novo ano.
 
Desde o início do ano estamos repensando algumas rotinas de Leti para o ano de 2017.
 
Antes do início do ano letivo, tive oportunidade de conversar com sua psicóloga, com sua pedagoga (que já está atendendo-a duas vezes por semana), com a equipe da Ciranda e com a diretora de sua escola. No início de fevereiro, a equipe terapêutica pôde se reunir, por Skype, com seu psiquiatra e, no sábado que antecedeu o carnaval, eu pude me reunir com toda a equipe da minha pequena (psicóloga, pedagoga, TO´s da Ciranda, acompanhante terapêutica - AT - e psicóloga da escola) para pensarmos juntos o que queremos para Leti neste novo ano, e como fazer para atingirmos nossos objetivos.
 
A equipe está, sem dúvida, mobilizada e motivada!
 
A ideia é conectar a rede para que todos que lidam com Leti saibam o que o outro faz e para que tentem uniformizar, na medida do possível, o discurso na interação com ela.
 
Foi lindo perceber o esforço, no momento de compatibilização das agendas, de cada uma para se fazer presente naquele primeiro e histórico encontro.
 
Foi emocionante passar uma manhã de sábado com todas aquelas profissionais maravilhosas e comprometidas, pensando em estratégias para favorecer (ainda mais) o desenvolvimento da minha pequena.
 
Falei um pouco das minhas expectativas e frustrações e, daí, iniciamos um diálogo sobre as perspectivas para este ano.
 
Cada uma, com seu olhar e com sua experiência, falava de uma Letícia inteligente, perspicaz e impetuosa, com quem se relacionavam dentro do seu respectivo ambiente de atuação, e com quem eu me sentia intimamente familiarizada.
 
Conversamos sobre a consulta com o psiquiatra, sobre seu processo cognitivo, sobre sua sensibilidade para perceber as pessoas mais vulneráveis a seus sedutores pedidos, sobre suas dificuldades e seus avanços...
 
Visando aperfeiçoar a interlocução entre os profissionais, decidimos manter o grupo de whatsapp que criamos para viabilizar o encontro (sem a minha participação, já que sou mãe e não profissional) e proporcionar encontros regulares entre a AT e sua pedagoga (duas vezes por mês), e entre a AT e a Ciranda (uma vez por mês). A pedagoga também sugeriu fazer uma visita à Ciranda, para conhecer melhor o trabalho desenvolvido lá com Leti, como também dar seguimento às conversas que já vem mantendo com a psicóloga, e ampliar o diálogo com a escola.
 
E por falar em escola, a primeira impressão da professora deste ano foi ótima!
 
Já começamos a estabelecer uma relação de parceria e sinto que teremos um ano proveitoso!
 
Com poucos dias de aula, Leti já trouxe atividade para casa de português, matemática, ciências, história e geografia, fazendo com que eu consiga ficar a par dos conteúdos que estão sendo trabalhados em classe com a sua turma, para poder acompanhar seu processo de aprendizagem.
 
E sinto que minha pequena está mais aberta a este processo. Está menos resistente às atividades (embora não se voluntarie para fazê-las), e tem demonstrado, em casa, conhecimento sobre os conteúdos trabalhados em sala.
 
O ambiente está, sem dúvida, propício a grandes voos. Minha empolgação extravasa de meus poros. A motivação e o engajamento da equipe são contagiantes. E Leti, envolta de tanta energia positiva, segue respondendo à altura.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Eco Parque Sauípe

Há alguns dias, uma mãe da turminha de Leti da escola vem tentando reunir um grupo para um passeio ao Eco Parque Sauípe.
 
O passeio aconteceu hoje, com apenas 3 coleguinhas da turma, incluindo Leti, nos proporcionando experiências incríveis e deliciosos momentos de interação entre as famílias.
 
 
 
O parque constitui-se sob a forma de OSCIP (Oranização da Sociedade Civil de Interesse Público), e tem como missão a promoção do desenvolvimento sustentável da região em que atua, por meio da proteção e conservação dos recursos naturais, recuperando áreas degradadas e promovendo a criação de corredores ecológicos, bem como o estímulo ao conhecimento dos bens e valores culturais, através da educação.
 
Ele não é aberto ao público, abrindo suas portas apenas para escolas e empresas, com finalidades educacionais específicas, mas, nos meses de janeiro e fevereiro, o Projeto Verão Eco Parque Sauipe possibilita que visitantes explorem o espaço, com seu sem-número de possibilidades, mediante o pagamento de uma taxa de entrada (Hoje, R$ 15,00).
 
Segundo o site Pequenópolis, o parque "situado na Vila Sauipe, Litoral Norte da Bahia (município de Mata de São João), a 77 km de Salvador, conta com espaços físicos de exposição mantidos pelo Instituto Fábrica de Florestas e patrocinados pela Braskem e Cetrel, que também são mantenedoras do Instituto. A proposta é unir lazer e sustentabilidade, reunindo atrativos culturais, ecológicos e educativos para toda a família.

O projeto foi criado com o objetivo de estimular a conservação dos ecossistemas e fomentar a educação ambiental. Desde 1998, o Eco Parque Sauípe protege uma área de 66 hectares na região de transição de dois ecossistemas do bioma Mata Atlântica (a floresta e a restinga), além de fornecer mudas de plantas nativas utilizadas no reflorestamento do Litoral Norte da Bahia. O local tem ainda lagoas, nascentes, variedade de árvores, diversas espécies de animais nativos, como o jacaré de papo amarelo e macaco prego, e diferentes trilhas ecológicas."
 
Quando aceitamos o convite, não imaginávamos a riqueza que a visita nos proporcionaria, e que pretendo compartilhar aqui no blog.
 
 
 
A primeira grande felicidade do dia foi poder ter um momento em família decorrente da iniciativa de alguém do círculo relacional escolar da minha pequena, quando raras são suas oportunidades de interação com os colegas fora da escola, por conta da sua falta de interesse pelo brincar.
 
A beleza natural do lugar foi outro motivo de felicidade, que permeou todo o nosso dia.
 
 
 
O primeiro espaço que visitamos foi a Estação Ambiental Braskem.
 
 
 
 
O espaço tem 750 m² de área construída, distribuída em três módulos. O primeiro é dedicado à utilização do plástico, com destaque para o plástico produzido a partir do etanol de cana-de-açúcar, uma matéria-prima 100% renovável. Já o segundo módulo é destinado a atividades práticas relacionadas à sustentabilidade, com foco em temas como água, energia e resíduos. Por fim, há um Viveiro Escola, onde os alunos visitantes receberão informações sobre botânica, produção e plantio de mudas nativas da Mata Atlântica e conservação das florestas. (informação aqui).
 
No espaço, pude ver com Mateus forma do uso racional da água, com técnica de aproveitamento da água usada nas pias para utilização nas descargas.
 
Num espaço interativo, que os três adoraram, eles puderam analisar o uso da energia elétrica dos aparelhos que temos em casa. Desenhos de vários deles no chão (como TV, ferro, micro-ondas, ventilador, secador de cabelo...), quando acionados, faziam acender lâmpadas no teto que representavam a quantidade de energia gasta. Didático e interessante!
 
Num outro espaço, também interativo, pude aprender com Lipe um pouco sobre as formas de energia eólica, solar e hidroelétrica.
 
Uma geladeira compartimentada mostrava a proporção do tipo de resíduos produzidos pelas nossas casa, mostrando possibilidades de reciclagem.
 
Guias simpáticos e preparados sempre se aproximavam para nos prestar informações, o que tornou a visita muito mais proveitosa!
 
O guia que nos acompanhou ao Viveiro também fez toda a diferença, por transmitir, além de informações, paixão pelo tema a que se referia.
 
Ele nos explicou como as mudas (plântulas) eram extraídas do Parque, bioma de Mata Atlântica, e cultivadas no viveiro (primeiro, quando "bebês", num espaço protegido do sol, e depois, quando maiores, num local à parte, em condições similares aos locais onde seriam replantadas) e utilizadas, posteriormente, para reflorestamento. Nos ensinou conceitos de plantas primárias, secundárias e tardias, para explicar a forma como seriam replantadas; explicou como as plantas caducifólias perdem as folhas para economizar energias nas estações mais secas e enfatizou a importância das plantas para a existência da água.
 
Nos informou que o Instituto Fábrica de Florestas, mantenedor do parque, atua em parceria com o Ministério Público na reconstituição da Mata Atlântica, utilizando aquelas mudinhas para recomposição do respectivo bioma. Exemplificou, nos mostrando uma muda de Pau Brasil.
 


 
Pau Brasil
 
Ver aquela quantidade absurda de mudas e saber que estávamos diante de uma Fábrica de Florestas foi, para mim, emocionante!
 
O parque conta, ainda, com o Museu de História Natural e o Núcleo de Arqueologia e de Ciências Naturais Cetrel.
 
Confesso que fiquei tão encantada com o Museu de Ciência Natural, que dei pouquíssima atenção ao de História Natural.
 
Um guia no início da visita nos informou que o espaço seria o 3o maior do Brasil, e que os animais expostos eram conservados através da técnica de taxidermia, segundo a qual todo o interior do corpo era esvaziado e preenchido com isopor (diferentemente do empalhamento).
 
O espaço abriga uma coleção de 380 animais taxidermizados, de 180 espécies, que ilustram os diversos ecossistemas brasileiros.
 
Fiquei simplesmente APAIXONADA pelo espaço! Ficaria um dia inteiro ali, olhando cada especiezinha exposta.
 
Ali as crianças puderam ver aves, mamíferos, répteis... Viram ninhos e pássaros com seus ovos ao lado. Mateus aprendeu sobre os ovíparos. Viu tatu bola aberto, em forma de bola, entrando na toca... Viu cobra comendo um animal. Viu corujas, araras, capivaras, onça. Foi um instigante e delicioso passeio!
 






 
 
Outro ponto alto do parque são as obras de Bel Borba, que estiveram expostas no Shopping da Bahia e que tivemos o prazer de visitar (de que falei aqui), espalhadas por todos os cantos.
 
 
 Além de visitar estes espaços, os meninos desceram na tirolesa, Samir andou de bicicleta com Leti e eu me aventurei no caiaque com Lipe e Teu.
 
 




 



 


 
 
Ao sair do caiaque, fui surpreendida por uma infinidade de girinos de dar arrepio. Nunca imaginei viver para ver aquilo. Fiquei imaginando a quantidade de sapo que habita o lugar (mas aproveitei a oportunidade para explicar a Teteu um pouco sobre os anfíbios).
 
 
No parque pudemos, ainda, fazer piquenique, ler um livro, olhar para o céu, descobrir um novo tipo de inseto, como também, simplesmente, contemplar a beleza do lugar e desfrutar do prazer das agradáveis companhias.
 







 
Um passeio para guardar na memória e no coração!
 
 
 
 
 
 
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