sábado, 2 de setembro de 2017

MInha Metamorfose Ambulante

Tal como a borboleta, Leti vem se metamorfoseando. Para nossa sorte, seu ciclo de transformações está sempre se renovando e nos surpreendendo. Para nossa alegria, tal como a borboleta, seu processo de metamorfose provoca grande encantamento àqueles que têm o prazer de conhecer e vivenciar este processo.
 
Nesta semana vivemos um momento que intensa emoção que bem ilustra tudo que afirmo.
 
Sua professora fazia uma revisão de Ciências com a turma e Leti parecia alheia a tudo que ela falava. Buscando incluí-la e avaliar sua atenção, a professora, num rompante, convocou-a:
 
- Leti, qual o ciclo da borboleta?
 
Depois de alguns segundos pensativa, ela respondeu:
 
- Ovo, lagarta, casulo e borboleta!
 
A resposta correta levou todos os colegas ao delírio, que, batendo palmas, começaram a ovacioná-la:
 
- Leti, Leti, Leti, Leti!!!!!!!!!!!
 
Como se não bastasse, chegaram em casa eufóricos, compartilhando com as respectivas famílias a grande conquista da minha pequena no dia.
 
Apesar de não ter presenciado o momento, só de imaginá-lo meus olhos se enchem de lágrimas e meu coração de amor e gratidão, pela oportunidade de ter em nosso caminho crianças tão especiais que fazem a diferença na vida da minha filha...
 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Um Domingo com Ilan Brenman

No ano passado, a escola dos pequenos trouxe para o evento literário anual o escritor Ilan Brenman, que, até então, eu não conhecia.
 
Fiquei apaixonada pelas obras do autor e trouxe vááááários livros para casa (confesso que sou meio compulsiva por livros infantis).
 
Alguns deles ficaram na cabeira de Leti e Teu por um bom tempo.
 
Neste fim de semana, sem qualquer planejamento, dois deles protagonizaram momentos maravilhosos em família por aqui, quando propus termos uma manhã sem telas.
 
O primeiro deles foi Telefone sem Fio.
 
Este sempre foi um dos preferidos de Leti que, às vezes, apenas quer ver as imagens, às vezes demanda que eu "conte" a história, e, em outras, permite-se ser a narradora. Estes, sem dúvida, são os meus momentos preferidos.
 
Ontem foi assim.
 
Espontânea e livremente, folheou o livro e ia atribuindo falas aos personagens, de acordo com a sua percepção do que via.
 
Foi um momento único, lindo, de puro deleite, depois do qual corri para uma mesa para anotar as frases, para não perder o valioso registro.
 
Trago aqui, então, a versão da minha princesa para o livro Telefone Sem Fio, de Ilan Brenman:
 

 














 
 
Momentos depois, quando falávamos sobre os espetáculos em cartaz nos teatros da cidade, lembramos de outro livro de Brenman: Minha Mãe é um Lobo.
 
No livro, a personagem propõe aos pais, depois do almoço, quando todos querem descansar, brincar de teatro, encenando a história da Chapeuzinho Vermelho, uma das preferidas de Leti.
 
Leti e Teu se mostraram imediatamente abertos à proposta de fazermos o nosso teatro em casa e se engajaram na distribuição e caracterização dos personagens.
 
Leti foi Chapeuzinho, Teu foi o caçador, eu a mamãe, Samir o lobo e Mamau (dinda de Teu), a vovozinha.
 
Leti resistiu um pouco mas usou um vestido e um chale na cabeça, ambos vermelhos, e portou uma cestinha; Teu usou um capacete de operário e uma arma de Star Wars; Samir colocou na cabeça a parte de uma fantasia de cachorro de Teteu e eu e Mamau ficamos como estávamos.
 
Queria ter podido gravar a cena para assistir mil vezes!
 
Todos estavam tão entregues. Foi tão lindo!!!!!! Nos divertimos tanto!!!!!!!!!
 
Preparei um bolo imaginário com Leti e permaneci ao seu lado, para auxiliar em sua atuação. Ela passou pelo lobo, cheia de caras e bocas, chegou à casa da vovó, que já estava escondida atrás da cortina enquanto o lobo ocupava seu lugar, deitado no sofá. O lobo lhe fez as tradicionais perguntas, às quais ela respondia muito compenetrada e, quando ouviu dizer que ele ia lhe comer, gritou com vontade, fazendo cara de assustada. Cômico! Teteu entrou em cena, todo inflado da sua importância, matou o lobo, sendo convidado por Leti-Chapeuzinho para fazer um lanchinho junto com a vovó.
 
Foi tudo tão casual, tão nosso, tão delicioso! Pagou nosso fim de semana.
 
Quem sabe da próxima vez, liberamos o acesso a convidados???? rs
 
 

domingo, 2 de julho de 2017

Minha Flor de Maracujá

 
Hoje sou emissária de notícias felizes. Mais uma vez. Hoje quero falar sobre ontem. Sobre mais um dia feliz com a minha princesa. Mais um dia em que mudamos o cenário de nossas caminhadas matinais e o resultado foi surpreendente!
 
Mas ontem a alegria teve um sabor diferente. De maracujá com leite condensado.
 
Ontem, pela primeira vez em nem me lembro quanto tempo, consegui fazer um passeio sozinha com Leti e Mateus e o passeio foi MARAVILHOSO!
 
Ontem sugeri fazer nossa caminhada na Praça do Campo Grande e Mateus quis ir junto. Como seria apenas uma caminhada, resolvi levá-lo junto.
 
Até pouco tempo atrás, sequer cogitaria me aventurar nesta empreitada. Mateus faz o tipo grude, que quer atenção exclusiva e Leti, quando não quer(ia) algo, pode(ria) se jogar no chão, apertar bochechas, bater em pessoas, e, até, fazer xixi na roupa. (O desfralde ainda não é uma página completamente virada por aqui, embora o avanço dos últimos meses seja entusiasmante!)
 
Sempre que queremos fazer um passeio com os dois, procuramos estar os dois juntos, eu e Samir, para trabalharmos no sistema de marcação um pra um.
 
Ontem, então, foi um dia histórico!
 
Calcei os tênis dos dois, coloquei-os no carro e segui para o Campo Grande, enquanto o maridão fazia mercado.
 
Já fazia tempo que queria ir lá com eles, resolvi arriscar.
 

Leti mais uma vez aceitou o convite e seguiu serelepe para o nosso programinha. Não me lembrava como o Campo Grande era lindo! Tem espaço para caminhar, brincar, pedalar; fontes, lagoa cheia de peixes, pombos, parquinho, equipamentos de ginástica, monumentos...
 
Combinamos que daríamos uma volta completa e depois pararíamos para um picolé e uma brincadeira no parque.
 
É verdade que houveram umas paradinhas pelo caminho: para brincar com um cachorro, para olhar os peixes, para tirar umas fotos... E tudo correu tão bem... Os meninos respeitaram o desejo do outro, exercitaram a espera, se desentenderam também vez por outra. Mas que irmãos nunca?
 
  
 
Finalizada a volta prometida, foi hora de chupar o picolé e brincar. Este, normalmente, também seria um momento problemático, já que Teu sempre quer brincar sem parar e Leti corre léguas de brincadeiras em parques.

Mas ela estava plena e aceitou simplesmente observar por um tempo, enquanto crianças brincavam, e depois se arriscou a aproximar-se do irmão enquanto brincava: o empurrou no balanço, dando deliciosas gargalhadas, esteve ao seu lado enquanto descia na escorregadeira e ajudou a levantá-lo na gangorra.

 

Quando me descuidei por um minuto, ela fugiu, ultrapassou um obstáculo e foi parar do lado do carrinho do picolé. Leti sendo Leti... rs
 
Mas até isso teve um sabor diferente, já que em todas as últimas caminhadas, apesar da sua disponibilidade, ela sempre demonstrava insegurança, caminhando só segurando a minha mão.
 
Ontem ela não só aceitou caminhar solta, como correu, se escondeu e venceu obstáculos. Estava muito à vontade no ambiente.

 
 
Ao parar para escrever este post, e documentar a alegria do primeiro passeio sozinha com meus pequenos, sem intercorrência que me fizessem voltar antes da hora para casa, fiquei tentando imaginar o que teria acontecido com Leti para que ela viesse a se mostrar tão plena nos últimos dias.
 
É verdade que ela vem demonstrado uma melhora no seu estado geral já há um tempinho, mas agora tem algo diferente no ar, porque ela tem se mostrado mais aberta, disposta, disponível, mais tranquila, mais plena, mais feliz...
 
Será que foi a passiflora que a homeopata prescreveu há 15 dias????
 
Seja o que for, que Deus a conserve assim.
 
 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Novos cenários para a velha caminhada


Apesar de minhas férias terem começado oficialmente ontem (e elas já estavam agendadas antes de eu precisar tirar licença prêmio para cuidar da minha pequena), só hoje consegui me liberar do trabalho para aproveitá-las.
 
E acho que Leti, mesmo sem saber, pressentiu o clima de férias.
 
Invadiu meu quarto cedinho, descartou a companhia da babá, venceu obstáculos pelo caminho (sim, o quarto tava uma zona!), e me disse de maneira sedutora: "mamãe, eu quero resenhar".
 
Subiu em minha cama, deitou ao meu lado e ficava se aninhando em mim como gato, dizendo que queria ver TV.
 
Acho que ela ainda não entende o exato significado da expressão resenhar, então aproveitei a oportunidade para tentar explicar e, de quebra, para tentar tirá-la um pouco da TV.
 
Ficamos um tempão (para ela um tempão pode variar em torno de 10 a 15 minutos) deitadas conversando  e ela esbanjava animação!
 
Num determinado momento começamos a brincar de caras e bocas. Ela dizia o sentimento, eu fazia a carinha correspondente. E daí passamos pelos conhecidos feliz, triste, raiva, sono, fome... até que surgiu o PREOCUPADA. Uau!!!!! Mais um sentimento para o repertório, e um pouco mais abstrato que os velhos conhecidos... Como cada pequena conquista, esta também foi amplamente comemorada.
 
Ela estava mais carinhosa que o usual, e me encheu de beijos molhadinhos.
 
Quando cansou, levantou e foi para seu quarto.
 
Tempos depois, a babá surgiu com ela, dizendo que iam caminhar pelo condomínio. Pedi que aguardasse um pouco porque faríamos uma caminhada diferente desta vez.
 
Como vi a roupa que estava vestida (que tinha comprado igual pra mim, para usarmos numa viagem), resolvi vestir a mesma, sem falar nada.
 
Quando entrei em seu quarto, e pedi que olhasse para mim, seus olhinhos brilharam quando percebeu que estávamos iguais! Foi tão lindo de ver...
 
Convidei-a para caminharmos no Dique e ela desceu num pulo, como NUNCA faz, vez que quando não se nega a ir, acaba tentando negociar para ir mais tarde.
 
Fiquei impressionada!
 
Na hora que Mateus me viu pegar a bolsa, começou a chorar querendo ir junto, mas lhe disse que aquele seria um passeio de meninas e que ele não poderia ir. Seguimos só nós duas e percebi sua expressão de satisfação quando entramos no elevador.
 
O caminho até o Dique foi de papo solto, sorrisos e cumplicidade!
 
E, apesar d´ela resistir um pouco para descer quando estacionamos o carro lá, o passeio foi recheado de momentos bons.
 
Ela caminhou com desenvoltura e prazer! Observava atentamente tudo que lhe mostrava, demonstrando interesse. Vimos pessoas andando de caiaques, trabalhadores catando folhas secas pelo chão, "patos" (que nos ensinaram lá se tratarem, na verdade, de gansos) sendo alimentados, barquinho atracado, barquinho 'naufragado', árvores lindas (sempre tenho um olhar especial para as árvores), pessoas caminhando em ambas as direções, parquinho de areia enlameado por conta da chuva de horas antes, orixás...
 
Cada coisinha que víamos, rendia um comentário, uma história...
 
Vi, pela primeira vez, lá uma placa explicando o significado de cada orixá. Como estava um pouco avariada, não dava para identificar com precisão cada um. Sugeri que nos aproximássemos para olhar, e ela aceitou. Conversamos, então, um pouco sobre Yemanjá. Nesta hora, ela lembrou de um passeio de pedalinho que fizemos anos antes ali, quando ela, de acordo com os símbolos que identificava, ia dando seus próprios nomes aos orixás e, à Yemanjá, tinha dado o nome de Branca de Neve por conta do espelho.

Vimos um homem pescando em um banco de areia no meio da lagoa, parecendo estar se equilibrando sobre as águas e, no exato momento que passamos, ele tinha conseguido pegar um peixe. Ela, espontaneamente, e num tom um pouco mais alto que o usual, soltou um "vou comer o peixe", arrancando sorrisos de quem passava por perto.

Apesar d´ela ainda mostrar um pouco de insegurança na caminhada externa, fazendo questão de estar sempre segurando a minha mão, ela, curiosamente, parecia mais leve e segura.

Sinto, na verdade, que a nossa relação vem passando por uma fase de transição.

Ela, que sempre foi escancaradamente mais apegada ao pai, começa a fazer mais questão da minha companhia, a demandar mais pela minha presença, a demonstrar mais carinho através de beijinhos molhados e aconchego, a sentir mais prazer nos programas que proponho.

E ela, que é uma negociadora nata, e tem sempre um "mais tarde" ou "amanhã", para qualquer proposta que demande um mínimo que seja de esforço físico, tem se mostrado mais aberta, caso o programa seja comigo.

Não precisa nem dizer que ando irradiando felicidade pelos poros e pedindo que esta fase dure para sempre.
 












segunda-feira, 26 de junho de 2017

Mãe em sistema de revezamento

A maternidade impõe escolhas, prioridades. Para quem realmente se propõe a ser mãe, a vida deixa de ser como era antes, depois que a cria nasce. E não tem como ser diferente! O bebê humano é o mais dependente dos mamíferos e, nos primeiros anos de vida, demanda cuidados sem os quais sua vida corre perigo. O tempo para as atividades antes corriqueiras, portanto, fica mais escasso. E como não ganhamos, de bônus, horas excedentes em nossos dias depois que nos tornamos mães, surge a necessidade de fazer escolhas.
 
É claro que dá para continuar trabalhando, malhando, cuidando do casamento, encontrando as amigas,  acompanhando as notícias, viajando... depois que se tem filho. Mas não há como negar que são necessários ajustes para descobrir a melhor forma de colocar a dinâmica para voltar a funcionar, sem que os compromissos antes assumidos (conosco e com o outro) prejudiquem o compromisso maior que acaba de chegar.
 
Pois bem. Se com UM filho, a vida da gente já muda consideravelmente, imagina com TRÊS. E se os três têm idades completamente diferentes e um deles ainda tem necessidades especiais, ah, aí o nível de complexidade pode aumentar em proporções geométricas.
 
Neste caso, a maternidade impõe, além de escolhas e prioridades, uma cota extra de criatividade e de disponibilidade para o aprendizado. Diariamente.
 
Tenho abusado da minha cota extra de disponibilidade para o aprendizado para exercer a maternidade em casa. E este exercício tem potencializado o uso da minha criatividade. Com a primeira, descobri que preciso aceitar a fazer programações em separado com meus filhos, para melhor atender a seus interesses (falei sobre isso neste post), com a segunda, vou tentando colocar a descoberta em prática.
 
E assim nasce a mãe em sistema de revezamento. Mãe que leva o filho mais velho a uma escola, e os mais novos a outra; mãe que vê animação no cinema com os pequenos de tarde, e comédia americana com o grande à noite; mãe que caminha com a filha - em ritmo quase de passeio - pelo condomínio à tarde, e transpira com o mais velho na academia à noite; mãe que aproveita quando um dos filhos quer passar um turno na casa de um dos avós, para poder dar uma atenção mais intensa ao que ficou em casa; mãe que precisa ser dura - de vez em quando - com aquele que sempre demanda atenção, para poder cuidar daquela que, se deixar, fica em seu cantinho o dia todo (mas que começa demandar seu espaço também); mãe que, vez por outra, invade o quarto do adolescente altas horas da noite, para colocar em dia o papo que ficou sacrificado pelo cuidado com os pequenos; mãe que exercita a sensibilidade para perceber que programação cabe para cada filho, em conjunto ou separado, oportunizando-se o exercício da escuta; mãe que se desdobra para descobrir a melhor forma de atender aos interesses e às necessidades dos filhos.
 
E olha que só estou falando do revezamento na maternidade. Desconsiderando todos os outros necessários para a prática das atividades do nosso dia-a-dia.
 
Lendo, pode soar cansativo, mas (tirando - para mim - a dificuldade de admitir fazer programação familiar com a família compartimentada) o sistema vai-se impondo de forma tão natural que nem nos damos conta.
 
Em alguns dias o revezamento sai redondo, proporcional, e eu durmo feliz, com a sensação de dever cumprido; em outros, fico com a impressão que algo poderia ser feito de um jeito diferente. Nestes dias, já fui dormir inundada de culpa, me sentindo em débito com um dos meus filhos. Hoje em dia, lido melhor com a situação, sabendo que a dinâmica familiar não pode ser otimizada através de uma equação matemática, e que estas inexatidões fazem parte do processo. E assim vamos seguindo.
 
Mas ontem foi um dia redondo, feliz! À noite, quando o dia insistia em anunciar o seu fim, a sensação que me invadia era de plenitude, de felicidade incontida, de... sei lá, algo indizível...
 
O início do dia já dava pistas do que estava por vir.
 
Leti acordou feliz. Irreverente. Logo que entrei em seu quarto ela me saiu com a pérola: "Mamãe, vamos conversar? Eu quero resenhar com você." (resenhar é uma expressão muito usada pela família de Samir).
 
E aqui vale abrir um parêntese.
 
Dias antes, quando tive a reunião devolutiva da Ciranda, eu conversava com a TO coordenadora do seu grupo e ela questionava se o discurso de Leti sempre focado em comida, mesmo quando está indiscutivelmente saciada, não seria uma maneira, ainda incipiente, de incremento do seu processo de comunicação. Ela dizia que quando Leti chegava já pedindo biscoito, mesmo tendo acabado de almoçar, ficava com a sensação de que o que ela queria, de fato, era falar algo do tipo "oi, Luíza, tudo bem?". Mas, com o repertório viciado, o diálogo começava meio às avessas.
 
Ouvir este seu convite logo pela manhã me fez pensar que Luíza, realmente, deve estar certa.
 
E me fez recordar do desenvolvimento do processo comunicativo de Leti e da significância de cada etapa: no início, quando queria que ela simplesmente falasse; depois quando desejava que formasse frases; em seguida, quando o desejo era que as frases fossem funcionais; depois, que falasse um pouco sobre sentimentos; que falasse na 1a pessoa...
 
Meu desejo atual é que tenha a iniciativa de um diálogo mais abstrato (que não tenha como finalidade apenas atender a uma necessidade atual) e que relate fatos ocorridos. Parece que estamos passando por uma fase de transição.
 
Fecho o parêntese.
 
É óbvio que aproveitei a disposição dela para a resenha para conversar, apertar, encher de beijo e brincar. E como foi divertida a brincadeira!
 
Eu dizia que ia fazer um ataque de cócegas, ela se encolhia toda, sorrindo e esperando as cócegas, me derrubando no final, para se liberar, depois do que eu, ao cair no chão, fazia uma mega encenação que tirava dela gargalhadas intermináveis. A brincadeira se repetiu diversas vezes. Numa vez, me fingi de morta e disse que precisava de um beijo para voltar a viver, como a Branca de Neve. Ela me ignorou e saiu do quarto. Continuei imóvel. Quando ela voltou e me viu na mesma posição, disse "mamãe está muito morrida...", correu e me deu um beijo.
 
Várias outras brincadeiras se sucederam, o que, por ser muito raro com minha pequena, deu àquele momento um quê pra lá de especial.
 
Como Mateus quis ir para a casa da avó e Lipe ainda dormia, resolvemos ir à Barra, fazer nossa caminhada matinal com Leti lá.
 
Ela, como sempre, apresentou uma resistência inicial, mas logo cedeu, demonstrando que, sim, aquele era um passeio possível para ser feito por nós três: eu, ela e o papai.
 
E como foi delicioso caminhar com ela pela Barra! O dia estava lindo, o sol quente na medida certa, a ocupação agradável, sem causar tumultos, as belas paisagens naturais nos cercando por todos os lados.
 
Ela ainda demonstra uma certa insegurança em caminhar sozinha pelas calçadas, mesmo onde o piso é liso, e isso nos deixa um pouco intrigados, já que ela caminha bem em ambientes fechados. E, cada vez que precisava parar para tirar uma foto, por exemplo, se agarrava a nosso corpo, parecendo ter medo de cair.
 
Mas isso não tornou o passeio pesado. Pelo contrário. Nos permitiu experimentar estratégias para tentar ajudá-la a lidar com o medo.
 
Ao final, conseguimos manter uma hora de caminhada (o dobro do que fazemos em nosso condomínio), que serviu para cuidar da saúde física e mental de nós três. Foi uma deliciosa manhã de inverno.
 
 

 
 
O meu desejo para a tarde era dar um passeio pelo Pelourinho. Estava doida para conferir a decoração de São João.
 
Leti não quis ir, o que já era esperado; Mateus, na casa da avó, pediu que fôssemos buscá-lo para que pudesse ir concosco, e Lipe também topou a programação.
 
Quando fomos buscar Mateus, deixamos Leti - muito animada, inclusive - na casa da avó, e fomos dar uma olhadinha no Pelô.
 
Não chegamos a ver nenhuma apresentação junina. A ideia era apenas conferir a decoração junina e caminhar sem pressa, por onde desse vontade, coisa que não conseguimos fazer quando Leti está conosco, por conta das suas limitações.
 
A decoração, como eu imaginava, estava linda!
 
 
 
Aproveitamos para desbravar a parte do Pelô que vai dar no Carmo, e que ainda não conhecíamos (apesar de termos jantado uma vez no Pestana, mas parando o carro lá pertinho) por que exige uma caminhada considerável por uma ladeira.
 
O passeio nos reservava uma grata surpresa!
 
É bem verdade que sou suspeita para falar das belezas do Pelourinho, porque me encanto por cada pedacinho daquele lugar.
 
Mas passamos por casinhas diferentes, igrejas diferente, estabelecimentos diferentes, cada um com sua graça.
 
 
No caminho nos deparamos por uma longa escadaria que abrigava, em seu topo, um pequeno vira lata e é óbvio que Mateus quis subir cada degrau para ver o que o cachorrinho fazia lá em cima.
 


De lá seguimos nossa despretensiosa caminhada. O objetivo era simplesmente ver, conhecer as redondezas, sem qualquer intenção específica mas, como era hora do lanche, assim que avistou um Café, Samir sugeriu que fizéssemos uma parada.
 
Bendita parada!
 
A fachada do Cafelier, apesar de charmosíssima, pouco fala da singeleza do seu glamour (se é que isso é possível). A decoração rústica, com seus objetos clássicos, passando pela simpatia do dono do estabelecimento, que tomava seu café antessala de espera, enquanto um Garfield gato descansava preguiçosamente na mesa de jantar ao lado, são poucos se comparados à decoração do ambiente que atravessa o corredor, nos brindando, ainda, com uma linda vista da Baía de Todos os Santos. A bailarina pendurada no teto é linda! Os quadros são lindos! As cadeiras de ferro azul são lindas! As flores cor de lavanda são lindas... É tudo lindo demais por ali... O lanchinho é bom e o atendimento muito atencioso! Foi, sem dúvida, uma grande descoberta! É daqueles lugares que dá vontade de voltar para escarafunchar cada cantinho...
 
 
 





 

De lá ainda subimos mais um pouco para ver o Plano Inclinado, na esperança que estivesse aberto. Mas não estava. Descobri agora que não abre aos domingos.



A esta altura, eu ainda estava com meu instinto explorador aguçadíssimo, mas meus meninos davam sinais de fadiga. Resolvemos, então voltar.

No retorno, ainda paramos em frente à igreja onde tirei a foto do meu convite de formatura para um registro e no Largo da Casa de Jorge Amado para outros cliques.


 
Voltamos leves e felizes, sentindo o incremento de uma cumplicidade sem que qualquer palavra precisasse ser dita.
 
E para fechar o dia com chave de ouro, tivemos a visita festejadíssima de meus pais com quem, juntos, pudemos viver mais deliciosos momentos em família.
 
 
 
 
Este foi, de fato, daqueles dias em que o revezamento cumpre, com honras, o seu papel!
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