quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Quando a briga é motivo de alegria

Hoje, voltando da escola para casa, tive que interceder para apartar um litígio entre os meus caçulas. Desta vez o motivo da confusão não foi o ciúme da mamãe, nem um lanche em vias de ser furtado, mas um brinquedo. Sim, um brinquedo.

Quase não consegui manter a seriedade necessária para colocar ordem no carro tamanha era a felicidade que insistia em pôr um sorriso nos meus lábios.

Até muito pouco tempo atrás esta cena poderia ser considerada por mim impossível de acontecer, já que Leti nunca havia se interessado de verdade por brinquedos. Seu tempo de atenção para eles sempre foi extremamente curto e cada brincadeira da qual participava que envolvesse um brinquedo, na maioria das vezes, dependia da iniciativa de terceiro.

Mas parece que este cenário está mudando. E isso ficou muito claro para mim neste final de ano. Primeiro, no natal. Quando ela se encantou com uma miniatura do Mike que ganhou da vovó. Ela acordou pedindo o brinquedo e não desgrudava dele. Jogava no chão, apareciam as perninhas e os chifres; fechava, virava quase uma bola. E ela se divertia um tempão nesse joga e pega.



Poucos dias depois, o presente encomendado pela titia, e vindo do exterior, chegou às suas mãos, provocando-lhe um êxtase: toda a família Pig, em pelúcia. Ela ficou tão encantada, que não conseguiu se envolver com mais nada. Nem na piscina, que ama, quis entrar. É bem verdade que os colocava na boca o tempo todo, mas eu nem me importava. E se alguém fizesse menção de pegar qualquer deles, ela, prontamente, efetuava o resgate. Nesta noite, acordou de madrugada, pediu todos eles, e ficou por um bom tempo se deliciando com cada um, parecendo não acreditar que eram seus.


Recentemente, no aniversário de Mateus, praticamente monopolizou o presente que ganhou da sua dinda: um sapo que faz bolhas de sabão. E quando apertava e ele não funcionava, olhava com uma carinha de pidona para quem estivesse do lado e dizia: - faz barulho! No domingo depois do aniversário do irmão, depois de irmos a uma deliciosa festinha de aniversário de um querido, fomos deixá-los na casa da vovó para irmos ao Sarau do Brown, quando caí na besteira de perguntar se ela queria ficar ali ou ir para casa (até então, 100% das respostas anteriores tinham sido: casa de vovó Irá - que lhe faz todas as vontades). Mas, para minha surpresa e meu desespero, ela disse que queria ir para casa. Perguntei o porquê e ela me respondeu: - qué o sapo azul. Como os ingressos estavam comprados, e queríamos muito ir ao show, acabei passando em casa para pegar o bendito sapo azul para levar para a casa da vovó antes de seguirmos o nosso destino.

Várias (e quando digo várias são váááááárias meeeeesmo) vezes ela tem sido flagrada sozinha desenhando em sua lousa mágica o Mike do Monstros S/A.

No domingo, procurando uma opção para brincar que não fosse a lousa que ela sempre escolhe, ofereci os dois brinquedos que estavam espalhados na brinquedoteca: o jogo da palavra (sobre o qual falei aqui) ou os blocos de madeira. Ela escolheu os blocos. Então falei animadamente: - vamos brincar com os blocos de construção, numa alusão a um episódio de Peppa Pig. Ela, instantaneamente, respondeu: - uma cidade de blocos (certamente lembrando-se de um episódio de Pocoyo). Aproveitei a deixa e a instiguei a criar o que quisesse para nossa cidade. Ela fez uma casa, um carro de bombeiro (ideia exclusivamente sua, na qual ajudei apenas oferecendo uns blocos específicos para a construção), telefone e uma cama. Pegamos brinquedos em miniaturas e contextualizamos a nossa cidade. No final, já estava um pouco cansada, querendo encerrar a brincadeira, dizendo que o bloco retangular era o controle da TV, porque ela queria assistir Peppa. Mas foi indescritivelmente gratificante compartilhar este momento com a minha pequena.


Ontem à noite dormiu (aliás, capotou) super cedo e meia noite, quando eu me preparava para dormir, acordou e foi ao meu quarto. Coloquei-a em minha cama imediatamente, para manter o clima de sonolência, e ela pediu sua Uniqua (do Backyardigans), brinquedo que tem há um tempão e ao qual não dava muita atenção. Como apertou sua barriga e nada aconteceu, me disse num tom muito doce, entregando-me a boneca: - mamãe, toca música do pirata. Liguei o interruptor que estava desligado e ela ouviu as músicas do brinquedo por sabe-se-lá quantas vezes (porque dormi talvez depois da quinta ou sexta) até adormecer de novo.


Minha maior angústia com a minha filhota sempre foi ampliar seu interesse por brinquedos e brincadeiras. E ao parar, ao longo desta semana, para selecionar fotos que contassem um pouco das suas férias, para ela levar para a Ciranda, e perceber o quanto que conseguimos brincar com brinquedos de maneira prazerosa e espontânea nestes últimos meses, a sensação que me invade é de uma felicidade tão intesa que talvez só quem viva situação similar entenda.


2 comentários:

Pávula disse...

Oi Janaina!

Fico feliz com as conquistas da Leti! Os últimos posts me emocionaram grandemente! Desejo mais e mais momentos como esse para vc e sua família...

Grande Abraço! :D

aprendendoasermae disse...

Jana que felicidade a cada dia vê que Leti tem evoluído cada vez mais .Parabéns!

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