quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Para não dizer que não falei das flores

Apesar da minha preocupação com o resgate de algumas estereotipias de Leti, não posso negar que ela tem apresentado avanços cognitivos que têm nos feito muito felizes.

Sei que não conseguirei enumerar todos, mas vou tentar lembrar-me de alguns, até para manter o registro para a posteridade.

I - Ela está aficcionada por controles remotos. Para não ficar na mesmice de pegá-los e levá-los à boca, comecei a apresentar-lhe outras opções de exploração: mostro os números e peço para apertá-los (óia nós trabalhando a matemática kkkk), tento transformá-lo em outras coisas, para exercitar seu jogo simbólico (seguro com as duas mãos, uma em cada extremidade e, fazendo um barulhinho de brummm, digo que estou dirigindo meu carro; pego com uma mão e o levo ao alto simulando um avião, fazendo um som sibilante). Pois bem. Muito despretensiosamente, na semana passada, quando ela estava com o controle na mão, pedi que fizesse o avião. Não é que ela fez?!?!?!?! #todomundobatepalmas 

Linda!!! Fez o movimento de vôo e ainda o sonzinho característico. Quase morro de felicidade!

Na mesma semana, ainda trabalhando os números, pedi que apertasse o 8, e depois o 5. E adivinha? Ela apertou!!!!! #maispalmas

O avião de controle remoto é uma demonstração de capacidade de abstração que abre portas para o exercício do jogo simbólico (faz de conta), da criatividade..., algo que estimulamos e desejamos muito. A identificação dos números é a comprovação de que ela possui uma capacidade intelectual que, no tempo certo, desabrochará em todo o seu potencial.

II- Ela sempre mostrou indiferença em relação aos coleguinhas da escola, nunca demonstrou interesse por nenhum específico. Pensava que ela sequer os distinguia. Dia desses, levando-a para a escola, puxei um papo cabeça (rs), instigando-a a falar sobre as pessoas da escola: perguntei quem abriria o portão, falei que entraríamos, iríamos para a sala, encontraríamos a pró... qual o nome da pró, Leti? Ela, até então, sem me dar muita bola. Aí falei dos coleguinhas. Só usei a expressão coleguinha, sem citar nomes. Perguntei: - que coleguinha você vai ver? Ela, toda animada, respondeu, sílaba por sílaba: - AN - TÔ - NIO!  Uau!!! Não posso perder essa oportunidade! - Quem mais, mamãe, vamos ver na escola? - Sopia. Mas ficou por aí. De outras vezes que perguntei (sem dar dicas, como a primeira sílaba do nome), ela sempre falou dos mesmos dois. Acho que rolou uma questão de afinidade. Talvez as pessoas não entendam, mas isso é um progresso extraordinário. É o início da construção de um vínculo afetivo, com pessoas que não integram sua família. LINDO, LINDO, LINDO!!!!!

III- Aprendeu a abrir a maçaneta da porta, para sair explorando os ambientes da casa, sem limitação. #perigo

IV- Ontem ela estava meio preguiçosa, só queria ficar deitada na cama, já sonolenta. Cantei uma música: "brilha brilha estrelinha; brilha brilha minha flor; ela é linda, muito linda; ela é Leti, meu amor." A música foi uma adaptação da titia Bida. Perguntei: - mamãe, quem canta essa música pra você? Ela, sem pestanejar, respondeu: titia Bida, alto e em bom tom. Godinha sabida da mamãe!

V - Finalmente despertou para desenhar, como anunciei aqui. Tem feito isso com prazer e propriedade (típica de uma iniciante nesta habilidade, é claro). Quando deseja, ela mesma pede: - quer desenhar, quer desenhar. - desenhar com quê, mamãe? - giz de cera. 

Linda! Dou o giz e ela se deleita em seus rabiscos. O problema é que não quer se limitar ao papel ou ao quadro; desenha no chão, no espelho, na blusa da mamãe, em qualquer lugar. E eu achando lindo (olha o risco de transformar essa garota numa sem limites...). Mas estou amando sua descoberta e não quero cercear, neste momento, sua iniciativa artística.

Hoje desenhei uma bola e pedi que pintasse dentro dela. Ela se esforçou para fazer todos os rabiscos dentro do círculo. Olha a coordenação motora...

VI - Quando não consegue pegar algo que quer, se aproxima de alguém que esteja perto, pega pela mão, e leva em direção ao objeto desejado, para que o pegue para ela. Autonomia! Antes, diante de tal frustração, se limitaria a ficar na estereotipia do balanço para frente e para trás.

VII - No final de semana, estávamos os quatro (ops, cinco) no carro, e, num contexto qualquer, Samir falou a palavra dinda (conversando comigo). Na mesma hora, ela falou: - din - do; Pe - peu; numa inequívoca associação à família da sua dinda.

Enfim, por enquanto, é isso! À medida que for me lembrando de mais coisas, vou catalogando para subsidiar um novo post.

Até lá.

3 comentários:

Mariana - viciados em colo disse...

são muitas vitórias, jana!
emocionei total aqui!

sobre o desenho sem limite: que tal uma parede toda dela?

você pode revestir a parede com um vinil para usar com marcador colorido para quadro branco (limpa com pano seco ou com álcool), existem as tintas laváveis (que não confio muito) e uma nova que imita quadro negro, de tom verde para usar com giz igual ao da escola no nosso tempo!

acho que ela vai amar!

beijoca

Ivana - coisademae disse...

jana, que linda!!! Fiquei emocionada aqui com tantos progressos e com certeza cada passo tem de ser comemorado!!! Eu fiquei imaginando aqui a sua cara de espanto e ao mesmo tempo de imensa alegria quando ela falou do nome dos coleguinhas, que fofa!!!

Bjos!

Lidi Prata disse...

Oi Janoca!
Leio sempre o seu blog e só agora q vi q posso deixar comentarios(rsrs). Toda vez q leio, fico emocionada demais, Leti é uma protagonista de uma historia real, q nos emociona com cada descoberta. Parabens! Vc é uma mãe com M maiusculo. Bjs Lidi

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