sábado, 14 de julho de 2012

Hora da Porqueira

 

A “estereotipia salivar” de Leti tem piorado. E muito! O tempo todo ela está com o dedo na boca, molhando com a saliva e passando por todos os lugares: paredes, portas, janelas, mesas, espelhos, elevador… É feio, antifuncional e anti-higiênico!

Até então, nossa postura diante destes comportamentos era a repreensão; seja dizendo que não podia, seja distraindo-a para outras coisas. Mas de nada estava adiantando.

Até que sua TO teve um insight.

Segundo ela, a mania que Leti tinha de manipular massinha e de usar, como se fosse massinha, alguns alimentos poderia ser uma necessidade tátil sua, que, ao ser tolhida por nós, acabou por ser canalizada para outros comportamentos que lhe trouxessem a mesma sensação de saciedade.

Ela acha que, como suspendemos o uso da massinha e de tudo que pudesse ser transformado em algo similiar, Leti buscou outras formas de satisfazer sua necessidade tátil, usando da saliva, matéria prima eternamente disponível, para esta empreitada.

Achei seu raciocínio plenamente razoável.

E, usando das técnicas da integração sensorial (e de dieta sensorial), ela sugeriu que usássemos outra estratégia: que tirássemos 30 minutos por dia e proporcionássemos a Leti extravasar esta sua necessidade tátil com materiais que lhe trouxessem prazer. Sugeriu usarmos maizena com água, farinha de trigo com água, gelatina, areia com água… Texturas diferentes, sensações diferentes. Nestes momentos, ela estaria no comando. Sem cobranças, sem expectativas. O momento seria de mera exploração sensorial, para dar vazão a suas necessidades.

E, por incrível que pareça, das duas vezes que fizemos (iniciamos ontem no consultório, para ela nos orientar como fazer) ela usou da saliva raríssimas vezes (de vez em quando, quando a maizena estava mais seca, ela colocava o dedo na boca, mas era só adicionar mais água que o movimento parava).

Ontem, no consultório, ela usou maizena, água e gelatina (para dar cor e cheiro). Colocou numa vasilha em cima da mesa e deixou Leti, que estava sentada na cadeira, explorar como quisesse.

Hoje em casa, usei uma bacia grande, e mergulhei-a numa mistura de farinha de trigo, água e gelatina. Ela, por vinte minutos, mexeu, remexeu, passou a mistura pelo corpo, pela bacia, pelo chão… Pediu para colocar mais farinha, mais água, mais gelatina. Até tentou usar a tesoura para cortar o pacote de farinha de trigo (coisa rara, já que ela tem uma resistência terrível ao uso da tesoura). Poderia contar nos dedos de uma só mão quantas vez fez uso da saliva. Foram pouquíssimas. Passados vinte minutos, pediu para sair. Estava saciada!

Na hora do almoço, tentou fazer porcaria com o arroz, o que me fez considerar a possibilidade de fazer uma “hora da porqueira” com arroz cozido, já que, sempre que ela almoça, fica numa ansiedade enorme para amassar e manipular o arroz pela mesa e pelo corpo.

A ideia é institucionalizar uma hora para a porcaria. Batizei o momento de hora da porqueira porque toda vez que ela passa saliva na porta da brinquedoteca (ela tem uns lugares preferidos para isso), a babá fala “porqueira não, Leti” e ela, assimilando tudo o que ouve, quando vai fazer a porcaria e percebe que vamos recriminá-la, já antecipa: “poquêa ão”.

Queremos, assim, que ela perceba que tem hora para tudo e que, no dia, ela vai ter um momento específico para saciar suas necessidades táteis,  não precisando, portanto, fazer uso da saliva o tempo todo e em todos os lugares.

Tomara que dê certo!

 

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2 comentários:

Anônimo disse...

Muito legal , vai dar certo,sim!!!!!estamos na torcida!!!!quero essa TO tb Hehehe!!bjos. cCarla

Sheila Ferraz disse...

Muito boa acada da TO, me passa de novo o nome dela e fone por favor!!!
Aguardo sua visita no Empório da Papinha para seu filhote experimentar nossas delicias orgânicas!
bj

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