segunda-feira, 16 de junho de 2014

Canalizando energias para o que vale à pena

Por aqui os tempos estão difíceis! A babá resolveu ir embora, as crianças estão em férias prolongadas por conta da Copa, marido no interior, trabalho acumulado e, em um mês, 4 candidatas ao emprego de babá entraram e saíram da minha casa, deixando claro não estarem dispostas a trabalhar cuidando de uma criança especial.

E isso tem me deixado enlouquecidamente desanimada para tudo! É muito triste perceber que não querem cuidar da sua filha... Sinto vontade de chorar por nada, não me concentro no trabalho e me vejo completamente desestimulada a reiniciar a minha saga em busca de uma nova babá.

Hoje pela manhã nos desdobramos com os compromissos da crianças, eu e marido, e fui a uma sessão com a psicóloga da pequena para uma conversa sobre seus últimos avanços e sobre uma reunião que a equipe teve com a escola há aproximadamente um mês.

Dentre os diversos pontos que permearam o nosso bate papo, um deu um pequeno alento ao meu coração e mudaram o meu foco.

Ela falava sobre o avanço dos desenhos de Leti. De como do desenho do Mike para cá, ela evoluiu. E mostrava como isso representava a sua apropriação de seu próprio eu.

Lembro-me das primeiras sessões com Carla, sua psicóloga, quando ela falava da ncessidade premente de Leti se apropriar do seu "eu", de se perceber como pessoa, dissociada de mim, mãe, de reconhecer seus desejos, de se posicionar, se impor...

Passados 18 meses, sua mudança é muito clara!

E seus desenhos, segundo sua psicóloga, retratam isso.

Ela saiu das garatujas, para o Mike (do Monstros SA); e do Mike, para a forma humana, que vem se aprimorando a cada dia. Hoje faz cabeça, dois olhos (e não só um, como o Mike), nariz, boca e até orelha. Faz corpo, braços e pernas. 

Nas atividades de casa da Ciranda Pedagógica, ainda vai, espontaneamente, à linha destinada para o nome do aluno e faz rabiscos, sussurrando: "Letícia", como se escrevesse seu nome.

Ela está mais vigorosa, mais desejante, mais senhora de si. Desafiadora também. Está numa fase desobediente, em que parece tentar testar, a todo tempo, os seus limites. 

Descobriu um brinquedo ao qual se afeiçoou, e mantém com ele uma relação de amor e ódio, irrompe obstáculos para conseguir o que quer, faz escolhas, diz o que quer e o que não quer, cria soluções para atender convenientemente aos seus interesses (como mandar parar o carro para eu pegar o brinquedo que jogou no chão quando digo que não posso porque estou dirigindo; ou pede para comprar um brinquedo na loja de brinquedos quando ela esqueceu o seu em casa), nos surpreende com tiradas engraçadas...

Impressionante como ela cresceu neste tempo. Até no tamanho. Sua expressão está diferente, perdeu a cara de bebezona e parece uma mocinha. Uma mocinha que tem fases melhores que outras, mas uma mocinha linda, que nos ensina tanto, todo dia...

E falando em ensinar, depois de muito trololó, acabamos chegando a algumas conclusões sobre uns comportamentos seus.

Falávamos sobre o seu bater de cabeça: o bater com o brinquedo-queridinho na testa, o bater a cabeça no espelho, o bater de testas com as pessoas que gosta. Ela associou ao seu movimento de aproximação com os irmãos, sempre com um puxar de cabelo (Mateus) ou um beliscão (Lipe). 

Carla achou que, na verdade, a intenção destes movimentos não é a de machucar (como sempre interpretamos), mas demonstrar um sentimento, que ela não sabe expressar de outra forma, já que sempre estão relacionados a pessoas do seu círculo afetivo próximo: ela mesma (espelho), o brinquedo favorito, eu, os irmãos...

E sugeriu que, da mesma forma que, no início do acompanhamento terapêutico, quando ela se valia de estereotipias para mostrar desagrado a algo, nós mostrávamos a ela como falar o que sentia e queria, fazendo uma espécie de tradução; fizéssemos o mesmo nestes momentos, tentando deduzir o significado do movimento, e mostrando a ela como fazer diferente.

Assim, ao invés de censurá-la por "se machucar" com seu sapo, eu lhe mostraria que percebia o quanto gostava do brinquedo e sinalizaria que ela poderia abracá-lo ou beijá-lo para mostrar isso.

Na verdade, não há garantias de que a estratégia dará certo, mas como a experiência anterior foi exitosa, e como confio muito na profissional que nos acompanha, seguirei à risca suas orientações, muito confiante de que em breve teremos excelentes resultados a colher, como os tantos outros que conseguimos enumerar na sessão de hoje.

E, por ora, procurarei canalizar minhas energias para investir e apostar na minha filha, pessoinha iluminada que tem o dom de tocar o coração daqueles que se permitem entrar em sua vida, transformando-os em pessoas melhores.





4 comentários:

Mariana - viciados em colo disse...

É isso aí: energia pra o que vale! E vale ver os progressos de Leti. Beijão

Pinguinho de Tinta disse...

Você é uma guerreira infinita! Para o alto e avante!
Conte comigo.

Vaneska disse...

Que bom, notícias boas para aliviar as dificuldades do dia a dia...
Aliás, muito boas! Minha Leti... desde o primeiro dia que eu a vi, uma emoção diferente tomou conta de mim. E olhe que nesse tempo, eu nem sabia o que o destino me traria... Tia Van está sempre aqui, de longe, torcendo e rezando por esse guerreira linda e por essa família maravilhosa que eu tanto admiro e amo!
Um beijo minha amiga querida! Tudo vai passar e vai dar certo!

Vivian Vasconcelos disse...

É lindo ver todo desenvolvimento de Leti e a dua dedicação e amor. Vou torcer para q vc encontre uma pessoa bem bacana para te ajudar a cuidar da nossa princesa linda... vai dar tudo certo! Já deu... Força sempre!

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