terça-feira, 23 de agosto de 2016

Minha Medalha de Ouro

Eu venho compartilhando na página do blog no facebook que a grande contribuição da nossa última visita ao psiquiatra em São Paulo foi a mudança na rotina de Leti, visando sua perda de peso.
 
Na verdade, apesar do médico não ter nos falado nenhuma novidade (post da consulta: aqui), sentir o assombro dele com o ganho de peso de Leti nos deu o choque de realidade que precisávamos para sairmos da inércia em que, inconscientemente, havíamos nos colocado.
 
 E isso tem sido excelente!

Quem conhece minha pequena sabe como é difícil resistir a seus pedidos sedutores de gulodices, que sempre demonstram seu amplo vocabulário gastronômico.

E a gente então seguia fazendo uma concessão aqui, outra acolá, cuidando mais da qualidade dos alimentos, menos da quantidade... E deixando a atividade física para segundo plano (aliás, mais ou menos, já que ela mantém a assiduidade da natação).

Mas voltando de São Paulo, tínhamos um firme propósito: estaríamos mais investidos no controle do peso de Leti.

A primeira mudança que colocamos em prática foi incluir em sua rotina uma atividade física. Desde 05 de junho, temos feito caminhadas diárias (leia-se, de domingo a domingo), de aproximadamente 35 minutos, com ela pelo nosso condomínio.

A fisioterapeuta que acompanhou sua avaliação sensorial na clínica de Aline Momo em São Paulo sugeriu que tentássemos promover atividades físicas que facilitassem sua dissociação de membros e melhorasse seu senso gravitacional.

Usando, portanto, o que temos disponível, montamos um "circuito", no qual ela caminha no plano e em ladeiras, sobe e desce escadas, passa agachada por alguns equipamentos, tenta vencer uns obstáculos...

Tentei fazer uma parte da caminhada na academia do prédio, para tentar imprimir um ritmo mais regular, mas ela ofereceu muita resistência e acabei recuando.

Nossa proposta é que a atividade seja o mais lúdico possível!

Digo possível porque, mesmo depois de dois meses, não poderia afirmar que este é um dos programas preferidos da minha pequena (mas ela é filha da mãe e genética é algo do qual não podemos fugir).

Ainda assim, temos compartilhado momentos maravilhosos nas nossas horas de "malhação". As conversas são sempre divertidíssimas, as companhias são das mais variadas (pai, mãe, babá, irmãos, avós...) e as sapequices dela sempre surpreendentes.

O hábito serviu também para apropriá-la mais do local onde mora. Hoje ela conhece cada cantinho por onde circulamos, identifica cada um dos seis prédios do condomínio, tenta me driblar ao tentar encurtar o circuito, através de atalhos...

A família se implicou mais neste processo, nos ajudando com as caminhadas e com o cuidado na alimentação, sentindo-se corresponsável pelo processo e cedendo menos a seus pedidos tentadores.

Além disso, ela também vem demonstrando que pode vencer desafios. Lembro-me que nos primeiros dias só fazia a caminhada segurando fortemente a nossa mão como se pudesse cair, caso andasse sozinha. Era angustiante ver sua expressão de medo caso soltássemos sua mão no meio do caminho.

Mas aos poucos ela foi reforçando sua segurança, passando a prescindir da nossa mão de apoio, e experimentando, quase que diariamente, saltos e corridinhas inusitados no meio do percurso.

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A evolução dela é gritante e contagiante! A superação dela é apaixonante!

E superação se mede de acordo com as habilidades e dificuldades de cada um. Para ela, no início, era difícil passar por baixo de umas barras do parquinho. Com o tempo, temos tentado que ela o faça sem o apoio das mãos e, recentemente, propus que passasse por uma barra ainda mais baixa e ela topou! Sem reclamar. Caiu sentada depois de passar, mas se arriscou e não esmoreceu. Levantou e seguiu seu caminho.

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Em tempo de paraolimpíadas, consigo sentir um pouco na pele o que vivem nossos atletas. Sinto uma felicidade indescritível cada vez que percebo a evolução da minha filhota neste percurso.

E esta mudança, aliada a um controle alimentar mais rígido, só tem nos presenteado com bons frutos.

Apesar de nossa motivação inicial ter sido simplesmente a perda de peso, temos ganhado muito mais ao longo deste período.
 
Ganhamos na cumplicidade da família, no reforço da autoestima, nas sensações de pertencimento e superação, no incremento da nossa afetuosidade... Ah, e também na redução do peso!

A cada semana ela perde um pouquinho e, devagarzinho, vamos caminhando em direção à meta que, acreditem, sequer me lembrei de estabelecer.
 
Mas, seja qual for, a certeza que tenho hoje é que o empenho da minha pequena e os resultados que ela vem alcançando são mais que suficientes para fazê-la merecer a medalha de ouro das olimpíadas do meu coração.
 


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