segunda-feira, 29 de maio de 2017

Gratidão e Amor

Antes de trazer as boas notícias, preciso abrir um parêntese sobre o post anterior.

Apesar do post ter sido concluído no dia 03 de maio, seu processo de escrita, até a conclusão efetiva, demorou cerca de dez dias, nos quais eu tentava digerir os acontecimentos, identificar meus sentimentos em relação a eles para, depois, traduzi-los em palavras.

O fato é que a fase mais crítica da transição de Leti foi, sem dúvida, a etapa inicial do processo, a qual já estava praticamente superada quando o post foi publicado.

No dia da publicação, já havíamos iniciado as últimas mudanças e o cenário dava mostras de melhora. Mas ainda não tínhamos certeza de nada. Tudo andava tão incerto... Foram tantas idas e vindas num espaço tão curto de tempo...
 
Mas aquela pequena melhora foi o combustível que faltava para fazer o post sair, documentando todas as angústias pelas quais tínhamos passado, e que já se mostravam um pouco mais amenas.
 
Os retornos que tivemos depois que o post foi publicado foram surpreendentes - de telefonemas e comentários de apoio a sugestões de intervenções e marcações para bate papo, passando por lindos atos de doação, vindos de pessoas próximas e outras nem tão próximas assim - nos dando a dimensão do quanto a humanidade pode ser boa e de como as redes sociais podem ser usadas a nosso favor.
 
Antes de partir para o texto deste post, portanto, gostaria de registrar meu sincero e caloroso agradecimento a cada um que, da sua maneira, juntou-se a nós numa corrente de oração e/ou energia positiva pela melhora da minha pequena: muito obrigada!
 
Mas vamos ao que interessa.
 
Depois de fazermos a experiência sugerida pelo psiquiatra, de aumentar, gradativamente, a dosagem do aristab por 30 dias, sem melhora substancial no comportamento de Leti, acabamos decidindo por trocar a medicação pelo invega, o que aconteceu no dia 04/05.
 
No mesmo dia, iniciamos o tratamento homeopático e, em paralelo, começamos a investir um pouco mais no lado espiritual.

Em pouco espaço de tempo ela começou a dar sinais de melhora.

O sono noturno teve uma melhora substancial, embora vez por outra ela ainda acorde de madrugada; a sonolência diurna reduziu; ela está consideravelmente menos agressiva, consigo mesma e com o outro (o que traz uma leveza enorme ao nosso dia a dia); está se permitindo outras atividades distintas dos seus interesses restritos e, o que é melhor, está sorrindo mais. Muito mais. Infinitamente mais...

Pequenas atitudes vêm nos dando mostras da sua melhora.

Durante todo o período crítico que passou, Leti desenvolveu um hábito que redobrou o meu estado de alerta com ela. Sempre que andávamos juntas, eu segurava uma de suas mãos e ela usava a outra para bater em quem passasse pelo seu lado. Normalmente um tapa que mais assustava que doía. Às vezes, mais forte. Para evitar a situação, passei a usar dos meus dotes de mãe polvo e, com a mão que não estava segurando a dela, mas segurava a de Mateus e, às vezes sua mochila, apoiava o ombro do braço livre dela, evitando que o levantasse para bater em alguém.

Há algumas semanas, saí da escola segurando um com cada mão e, apesar de termos passado por aglomerados de pessoas tentando buscar seus filhos, ela não levantou o braço para ninguém.

Ali me dei conta do primeiro sinal de sua melhora, a qual já deveria ter iniciado, neste aspecto, há mais tempo, já que eu não estava mais contendo seu outro braço, e nem tinha me atentado para isso.

Ela está aceitando fazer as atividades de casa da escola, mesmo reclamando, como sempre reclamou; voltou a aceitar as caminhadas pelo condomínio (depois de ter engordado horrores); está ainda mais conversadeira, argumentativa e divertida que antes. Temos tido um feedback positivo da escola e de suas terapias também, o que é um valioso termômetro.

Sim, e como havia dito, está mais sorridente.

Passamos o fim de semana do dia 21 (aniversário de minha irmã) em Guarajuba, e eu não cabia em mim de tão derretida que estava com ela, que se comportou tão bem, conversando, sorrindo, brincando, passeando, curtindo tudo que lhe era apresentado: brincou de cartinhas, tivemos momentos de leitura; foi ao parque, mesmo sem ter coragem de brincar, se esbaldou na praia, assistiu vídeos no youtube, no último dia até arrancou o próprio dente, e a quantidade de sangue que saiu não desencadeou nenhum comportamento autoagressivo, como aconteceria antes.

E o melhor de tudo é que esse quadro que mereceria uma moldura, não ficou estático lá naquele fim de semana. Tem sido uma constante eu me sentir derretida com seus sorrisos, com suas divertidas intervenções, com suas manifestações de carinho...

Na última sexta, por exemplo, depois de ficar um tempo com Mateus, que se eu permitisse me monopolizaria não deixando eu dar atenção aos outros irmãos, fui ao quarto dela ficar ao seu lado.

Ela tinha tido aula pela manhã, terapia na Ciranda a tarde inteira e, naquele momento, queria apenas ver TV, não aceitando qualquer outra alternativa.

Perguntei se poderia ficar ao seu lado assistindo e ela respondeu que sim (e quando ela não quer, responde categoricamente que não, e pede para eu sair).

Eu a envolvi em meus braços (imaginando que ficaríamos naquela posição por apenas alguns poucos segundos) e ficamos agarradinhas vendo um vídeo em inglês, quando Mateus, que estava brincando com a babá, entrou no quarto fazendo-nos uma proposta, para ele, irrecusável: trocar de companhia.

Perguntei a Leti se ela queria trocar e ela, bem dengosinha, disse que não queria trocar, que queria ficar com a mamãe.

Expliquei a Teu que aquele momento era meu com Leti, pedi que voltasse a sua brincadeira com a babá e fiquei curtindo aquele abraço intenso e agradecendo a Deus por me oportunizar, através daquele abraço que durou uns poucos minutos até ela adormecer, um sentimento tão pleno de amor que me mantém alimentada até hoje.

Hoje sou só amor e gratidão.


 
 
 
 

 



 
 
 

4 comentários:

Andréia Paiva disse...

Eita, que foi impossível não terminar essa leitura com os olhos cheios d´água! A sua felicidade transborda nesse texto e, tenho certeza, alegra a todos que acompanham essa história de tanto amor e superação! Beijo, Andréia Paiva

Priscila Nascimento disse...

Quanta notícia boa! E a gente fica aqui na torcida vibrando. Só dá vontade de abraçar vocês e se contagiar mais ainda desse amor.
Sinta-se beijada, minha amiga!

Dra. Luci disse...

Parabéns, pela conquista!!que voces tenham cada vez mais momentos de Paz e
Felicidades!!Luci Capuano

Vivian Vasconcelos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
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