quarta-feira, 10 de novembro de 2010

PAPAI NOEL

Adoro essa época do ano!

Adoro arrumar a casa para o natal, comprar presentes, organizar a ceia para reunir a família, participar de inúmeras confraternizações, sentir as pessoas mais solidárias...

Confesso que, apesar de católica, não consigo deixar de me render ao apelo comercial que prevalece nos últimos meses do ano.

Tenho lembranças gostosas da minha infância na época do natal: da família inteira reunida (minha mãe tem 11 irmãos, que somados aos seus respectivos cônjuges, filhos e agregados dava uma considerável quantidade de pessoas...), da árvore de natal cheia de presentes, da ceia farta, da expectativa ao retornar para casa, para esperar a chegada do Papai Noel.

Acho que acreditei em Papai Noel até os 7, 8 anos.

E acho importante que a criança acredite.

Não tem época melhor na vida da gente para sonhar, para dar asas à imaginação que a infância. A fantasia faz parte do processo de desenvolvimento da criança, enriquecendo-o; é a partir da brincadeira, do simbólico, que a criança aprende a lidar com sentimentos, que consegue fazer a tênue transição do imaginário para o mundo real. O exercício da fantasia fomenta a criatividade e, certamente, interferirá na construção da personalidade da criança.

Lipe não acreditou apenas em Papai Noel. Acreditou também em Coelhinho da Páscoa (fazíamos divertidíssimas caça aos ovos de chocolate no domingo de páscoa), e em Fada do Dente (arrancar o dente era uma atividade bastante rentável).

E como foi bom ter compartilhado com ele essa fantasia: ajudar a fazer a cartinha do Papai Noel; acordar no domingo de páscoa procurando, junto com ele, as pistas deixadas pelo Coelhinho para sair em busca dos deliciosos ovos de chocolate; vibrar pelo dinheirinho deixado embaixo do travesseiro pela Fada do Dente.

A grande questão é: até quando sustentar tal fantasia?

Acho que não há uma data exata, mas há indícios que a criança apresenta, que demonstram que está chegando a hora da fantasia ceder espaço à realidade, como quando a criança começa a questionar a existência do Papai Noel ou quando os amigos já não mais acreditam no Bom Velhinho.

O preço do estímulo à fantasia também não pode ser a exposição da criança ao papel de bobo entre seus amigos.

Quando Lipe tinha 6 anos, no natal de 2008 ( o primeiro natal de Leti), fiz com ele uma coisa que meus pais tinham feito comigo quando tinha mais ou menos a mesma idade e que tinha me proporcionado uma felicidade sem precedentes: comprei um saco vermelho grande, enchi de presentes, e disse que Papai Noel tinha esquecido o saco em seu quarto.

Apesar de não ter uma lembrança clara do MEU natal em que isso aconteceu (já se vão muitos anos...), sempre me lembro do episódio com uma euforia contagiante que, automaticamente, leva um sorriso aos meus lábios e faz palpitar meu coração, e, por isso, quis repeti-lo com meu filhote.

Foi delicioso perceber a excitação e a surpresa dele: a ansiedade para abrir os pacotes, a preocupação quanto à situação das crianças que poderiam ter ficado sem os seus presentes, a agonia para poder contar a todo mundo o ocorrido. Espero que tenha produzido nele o mesmo efeito que produziu em mim.

Eu já imaginava que seria o último natal em que viveria na plenitude a fantasia da existência do Papai Noel, e queria que fosse especial.

No ano seguinte, diante de todos os indícios de que meu filho efetivamente estava crescendo, pedi a Samir que fizesse tal qual meu pai fizera (muitos) anos antes, para que Lipe soubesse, por nós, que Papai Noel, de fato, não existia.

Fomos preparando o terreno, falando, vez por outra, que achávamos que, nesse ano, o Papai Noel o estaria esperando em casa, para que ele pudesse, enfim, conhecê-lo.

Quando voltamos da casa da minha mãe, na noite do dia 24 de dezembro, arranjamos uma maneira de Samir subir antes, para esperá-lo no quarto com o presente que ele havia pedido. Subi com ele, e disse que achava que o Papai Noel o estava esperando.

Não sei se ele estava preocupado, ansioso, ou o quê, mas o fato é que a expressão dele quando viu o pai sentado em sua cama foi de desapontamento, o que, para mim, foi uma coisa boa, porque me deu a certeza de que havíamos cumprido nosso papel, de ter fomentado a fantasia dele na época oportuna, e de tê-lo trazido à realidade, quando seu estágio de desenvolvimento assim o exigiu. Eu queria que ele soubesse por nós, e não por qualquer outra pessoa...

Minutos depois, quando caiu na real, conversamos, explicamos que a fantasia do Papai Noel servia para tornar a infância mais prazerosa, combinamos de manter o segredo quando Leti passasse a ter compreensão sobre o assunto e admitimos que havíamos sido nós que tínhamos comprado os presentes de todos os anos anteriores. Prontamente ele chegou à conclusão de que Coelhinho da Páscoa e Fada do Dente também não existiam.

Acordar de um sonho não é fácil. Mas ele superou bem.

Esse será o primeiro ano em que não escreverá uma cartinha para o Papai Noel. Estamos mobilizados para o natal da mesma forma, mas, neste ano, sem dúvida, terá um sabor diferente.


Não resisti, e coloquei esse video de Lipe, com 3 anos de idade, na plenitude de sua fantasia.

9 comentários:

luciana.torres.sales disse...

Amiga
Que coisa linda!!!!
É uma maravilha poder alimentar determinadas fantasias de nossos filhos!
Adorei o relato das brincadeiras e mto bacana o cuidado q tiveram p revelar a verdade p Lipe!!!
Como é bom ser criança, não é?
Melhor ainda qdo elas têm a benção de ter pais tão amorosos!
Vcs sao uma família nota 1000!
Bjs e saudade

Coisa de Mãe disse...

Jana, que história mais linda!!!! Achei muito legal a forma com que vc apresentou "a realidade" à Lipe!!! Lindo demais! Eu ainda não preciso me preocupar com isso, pois as meninas ainda tem uns dois anos pelo menos aí pela frente, mas vou guardar no coração essa história (e estará aqui em seu blog caso esqueça algum detalhe!!rsrs), para me inspirar quando chegar a vez delas!

Amiga, você é demais!!! Adoro seus posts!!!

Bjos!

Ivana

Carolina disse...

Jana,

Já fazia alguns dias que não acessava o su blog, está muito lindo!!! Como de costume, me emociono bastante com os seu depoimentos. Mostrei para Jú os vídeos de Lipe e ela adorou! A danadinha já está me cobrando um blog para ela e Digo!!!
Amiga, amo tanto vocês... Estou sempre aqui do lado, para o que precisar!

Um beijo enorme,

Carol

F.Cristina disse...

Oi Janaína

Te li na lista Autismo e adorei seu blog, parabéns, bom te ler!
Espero que a gente troque muita experiência, seja bem vinda.
Visite meu espaço:www.mundodami.zip.net
Beijo Grande!!!!
Fausta Cristina - mãe da Milena

Rosa Virginia disse...

Janaína,

Nos conhecemos de vista da Experimental, minha filha era um grupo a frente do seu filho.
Achei muito lindo os seus relatos. Parabéns pela mãe que você é.
Achei ótimo esse relato. De fato, as nossas crianças precisam aprender desde cedo a lhe dar com as frustrações, afinal na vida adulta vivenciamos elas quase que diariamente.
Mais uma vez parabéns!!!

Janaína Mascarenhas disse...

Rosa, sua filha é a que está de blusa branca nas fotos do aniversário de Bruna??? Se for, lembro-me de você.
Seja bem-vinda!
beijo.

Janaína Mascarenhas disse...

Fausta,
Visitei seu blog e amei!
Sua filha é linda e me identifiquei muito com sua história.
Beijo.

Rosa Virginia disse...

Janaína,

Isa é a que está de blusa branca sim. Sou amiga de infância de Jack.
Obrigada!

Jefferson Mascarenhas disse...

Eu também gosto desta época do ano. Apesar de bater aquela tristeza pelas crianças carentes. Mas, a solidariedade também aumenta e isso faz com que eles tenham, também, um natal melhor. Lá em casa Gu e Dan já sabem a verdade.Gustavo questionava e descobriu primeiro... Aos 7 anos. O problema é que tudo ele conta a Daniel que acabou sabendo aos 5 anos. Mas, a festa continua. O que eles querem, me mandam indiretas... Tipo. "pai, vc pode falar a papai Noel que eu quero... Não esqueça tá pai." Kkkk Mas, gostei da ideia de se vestir. Viu tentar fazer isso este ano... Muito legal!

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