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domingo, 8 de dezembro de 2019

A special friendship

Nas vésperas da viagem para o Carroção, uma coleguinha de Leti levou um livrinho que tinha produzido no curso de inglês para lhe presentear. Naquele momento, o livro ficou com sua monitora que, depois da leitura, ficou de repassar-nos a obra.

Passados alguns dias, depois de alguns desencontros, o livro chegou a nossas mãos, depois do que entrei em contato com a mãe da escritora, para elogiar a qualidade do trabalho.

Qual não foi a minha surpresa quando soube que a escola tinha disponibilizado apenas dois exemplares da obra e que, no momento dos autógrafos, sua colega primeiro autografou o exemplar que hoje se encontra em minha casa, para depois autografar o que deu a seu pai, com recomendação de repassar à madrinha, para leitura.

Esta coleguinha de Leti, chamada Zaila, entrou em sua vida este ano, com a junção das turmas do 4o ano do ano passado, mas chegou de forma avassaladora! Daquelas coisas que a gente sente mas não consegue explicar...

Fico impressionada com a forma como as crianças, já na pré adolescência, se relacionam com a minha pequena; com o olhar carinhoso e respeitoso, com o amor que exala dos poros... E se já me impressionam as crianças que fazem parte da sua vida desde o início da jornada na Escola Arco Íris, isso aumenta ainda mais com as que chegaram na sua vida a menos tempo.

Meu coração se preenche só de lembrar desta conversa despretensiosa que tive com a mãe de Zaila, que me fez enxergar com mais clareza ainda a capacidade da minha filha de se fazer amar por aqueles que te cercam. Um sentimento que, por ser amor, invade e fim, parafraseando Djavan (rs).

O livro, sem dúvida, ficará guardado com muito cuidado e amor em nossa modesta biblioteca, simbolizando a linda e especial amizade construída neste ano de 2019.





terça-feira, 27 de junho de 2017

Novos cenários para a velha caminhada


Apesar de minhas férias terem começado oficialmente ontem (e elas já estavam agendadas antes de eu precisar tirar licença prêmio para cuidar da minha pequena), só hoje consegui me liberar do trabalho para aproveitá-las.
 
E acho que Leti, mesmo sem saber, pressentiu o clima de férias.
 
Invadiu meu quarto cedinho, descartou a companhia da babá, venceu obstáculos pelo caminho (sim, o quarto tava uma zona!), e me disse de maneira sedutora: "mamãe, eu quero resenhar".
 
Subiu em minha cama, deitou ao meu lado e ficava se aninhando em mim como gato, dizendo que queria ver TV.
 
Acho que ela ainda não entende o exato significado da expressão resenhar, então aproveitei a oportunidade para tentar explicar e, de quebra, para tentar tirá-la um pouco da TV.
 
Ficamos um tempão (para ela um tempão pode variar em torno de 10 a 15 minutos) deitadas conversando  e ela esbanjava animação!
 
Num determinado momento começamos a brincar de caras e bocas. Ela dizia o sentimento, eu fazia a carinha correspondente. E daí passamos pelos conhecidos feliz, triste, raiva, sono, fome... até que surgiu o PREOCUPADA. Uau!!!!! Mais um sentimento para o repertório, e um pouco mais abstrato que os velhos conhecidos... Como cada pequena conquista, esta também foi amplamente comemorada.
 
Ela estava mais carinhosa que o usual, e me encheu de beijos molhadinhos.
 
Quando cansou, levantou e foi para seu quarto.
 
Tempos depois, a babá surgiu com ela, dizendo que iam caminhar pelo condomínio. Pedi que aguardasse um pouco porque faríamos uma caminhada diferente desta vez.
 
Como vi a roupa que estava vestida (que tinha comprado igual pra mim, para usarmos numa viagem), resolvi vestir a mesma, sem falar nada.
 
Quando entrei em seu quarto, e pedi que olhasse para mim, seus olhinhos brilharam quando percebeu que estávamos iguais! Foi tão lindo de ver...
 
Convidei-a para caminharmos no Dique e ela desceu num pulo, como NUNCA faz, vez que quando não se nega a ir, acaba tentando negociar para ir mais tarde.
 
Fiquei impressionada!
 
Na hora que Mateus me viu pegar a bolsa, começou a chorar querendo ir junto, mas lhe disse que aquele seria um passeio de meninas e que ele não poderia ir. Seguimos só nós duas e percebi sua expressão de satisfação quando entramos no elevador.
 
O caminho até o Dique foi de papo solto, sorrisos e cumplicidade!
 
E, apesar d´ela resistir um pouco para descer quando estacionamos o carro lá, o passeio foi recheado de momentos bons.
 
Ela caminhou com desenvoltura e prazer! Observava atentamente tudo que lhe mostrava, demonstrando interesse. Vimos pessoas andando de caiaques, trabalhadores catando folhas secas pelo chão, "patos" (que nos ensinaram lá se tratarem, na verdade, de gansos) sendo alimentados, barquinho atracado, barquinho 'naufragado', árvores lindas (sempre tenho um olhar especial para as árvores), pessoas caminhando em ambas as direções, parquinho de areia enlameado por conta da chuva de horas antes, orixás...
 
Cada coisinha que víamos, rendia um comentário, uma história...
 
Vi, pela primeira vez, lá uma placa explicando o significado de cada orixá. Como estava um pouco avariada, não dava para identificar com precisão cada um. Sugeri que nos aproximássemos para olhar, e ela aceitou. Conversamos, então, um pouco sobre Yemanjá. Nesta hora, ela lembrou de um passeio de pedalinho que fizemos anos antes ali, quando ela, de acordo com os símbolos que identificava, ia dando seus próprios nomes aos orixás e, à Yemanjá, tinha dado o nome de Branca de Neve por conta do espelho.

Vimos um homem pescando em um banco de areia no meio da lagoa, parecendo estar se equilibrando sobre as águas e, no exato momento que passamos, ele tinha conseguido pegar um peixe. Ela, espontaneamente, e num tom um pouco mais alto que o usual, soltou um "vou comer o peixe", arrancando sorrisos de quem passava por perto.

Apesar d´ela ainda mostrar um pouco de insegurança na caminhada externa, fazendo questão de estar sempre segurando a minha mão, ela, curiosamente, parecia mais leve e segura.

Sinto, na verdade, que a nossa relação vem passando por uma fase de transição.

Ela, que sempre foi escancaradamente mais apegada ao pai, começa a fazer mais questão da minha companhia, a demandar mais pela minha presença, a demonstrar mais carinho através de beijinhos molhados e aconchego, a sentir mais prazer nos programas que proponho.

E ela, que é uma negociadora nata, e tem sempre um "mais tarde" ou "amanhã", para qualquer proposta que demande um mínimo que seja de esforço físico, tem se mostrado mais aberta, caso o programa seja comigo.

Não precisa nem dizer que ando irradiando felicidade pelos poros e pedindo que esta fase dure para sempre.
 












segunda-feira, 29 de maio de 2017

Gratidão e Amor

Antes de trazer as boas notícias, preciso abrir um parêntese sobre o post anterior.

Apesar do post ter sido concluído no dia 03 de maio, seu processo de escrita, até a conclusão efetiva, demorou cerca de dez dias, nos quais eu tentava digerir os acontecimentos, identificar meus sentimentos em relação a eles para, depois, traduzi-los em palavras.

O fato é que a fase mais crítica da transição de Leti foi, sem dúvida, a etapa inicial do processo, a qual já estava praticamente superada quando o post foi publicado.

No dia da publicação, já havíamos iniciado as últimas mudanças e o cenário dava mostras de melhora. Mas ainda não tínhamos certeza de nada. Tudo andava tão incerto... Foram tantas idas e vindas num espaço tão curto de tempo...
 
Mas aquela pequena melhora foi o combustível que faltava para fazer o post sair, documentando todas as angústias pelas quais tínhamos passado, e que já se mostravam um pouco mais amenas.
 
Os retornos que tivemos depois que o post foi publicado foram surpreendentes - de telefonemas e comentários de apoio a sugestões de intervenções e marcações para bate papo, passando por lindos atos de doação, vindos de pessoas próximas e outras nem tão próximas assim - nos dando a dimensão do quanto a humanidade pode ser boa e de como as redes sociais podem ser usadas a nosso favor.
 
Antes de partir para o texto deste post, portanto, gostaria de registrar meu sincero e caloroso agradecimento a cada um que, da sua maneira, juntou-se a nós numa corrente de oração e/ou energia positiva pela melhora da minha pequena: muito obrigada!
 
Mas vamos ao que interessa.
 
Depois de fazermos a experiência sugerida pelo psiquiatra, de aumentar, gradativamente, a dosagem do aristab por 30 dias, sem melhora substancial no comportamento de Leti, acabamos decidindo por trocar a medicação pelo invega, o que aconteceu no dia 04/05.
 
No mesmo dia, iniciamos o tratamento homeopático e, em paralelo, começamos a investir um pouco mais no lado espiritual.

Em pouco espaço de tempo ela começou a dar sinais de melhora.

O sono noturno teve uma melhora substancial, embora vez por outra ela ainda acorde de madrugada; a sonolência diurna reduziu; ela está consideravelmente menos agressiva, consigo mesma e com o outro (o que traz uma leveza enorme ao nosso dia a dia); está se permitindo outras atividades distintas dos seus interesses restritos e, o que é melhor, está sorrindo mais. Muito mais. Infinitamente mais...

Pequenas atitudes vêm nos dando mostras da sua melhora.

Durante todo o período crítico que passou, Leti desenvolveu um hábito que redobrou o meu estado de alerta com ela. Sempre que andávamos juntas, eu segurava uma de suas mãos e ela usava a outra para bater em quem passasse pelo seu lado. Normalmente um tapa que mais assustava que doía. Às vezes, mais forte. Para evitar a situação, passei a usar dos meus dotes de mãe polvo e, com a mão que não estava segurando a dela, mas segurava a de Mateus e, às vezes sua mochila, apoiava o ombro do braço livre dela, evitando que o levantasse para bater em alguém.

Há algumas semanas, saí da escola segurando um com cada mão e, apesar de termos passado por aglomerados de pessoas tentando buscar seus filhos, ela não levantou o braço para ninguém.

Ali me dei conta do primeiro sinal de sua melhora, a qual já deveria ter iniciado, neste aspecto, há mais tempo, já que eu não estava mais contendo seu outro braço, e nem tinha me atentado para isso.

Ela está aceitando fazer as atividades de casa da escola, mesmo reclamando, como sempre reclamou; voltou a aceitar as caminhadas pelo condomínio (depois de ter engordado horrores); está ainda mais conversadeira, argumentativa e divertida que antes. Temos tido um feedback positivo da escola e de suas terapias também, o que é um valioso termômetro.

Sim, e como havia dito, está mais sorridente.

Passamos o fim de semana do dia 21 (aniversário de minha irmã) em Guarajuba, e eu não cabia em mim de tão derretida que estava com ela, que se comportou tão bem, conversando, sorrindo, brincando, passeando, curtindo tudo que lhe era apresentado: brincou de cartinhas, tivemos momentos de leitura; foi ao parque, mesmo sem ter coragem de brincar, se esbaldou na praia, assistiu vídeos no youtube, no último dia até arrancou o próprio dente, e a quantidade de sangue que saiu não desencadeou nenhum comportamento autoagressivo, como aconteceria antes.

E o melhor de tudo é que esse quadro que mereceria uma moldura, não ficou estático lá naquele fim de semana. Tem sido uma constante eu me sentir derretida com seus sorrisos, com suas divertidas intervenções, com suas manifestações de carinho...

Na última sexta, por exemplo, depois de ficar um tempo com Mateus, que se eu permitisse me monopolizaria não deixando eu dar atenção aos outros irmãos, fui ao quarto dela ficar ao seu lado.

Ela tinha tido aula pela manhã, terapia na Ciranda a tarde inteira e, naquele momento, queria apenas ver TV, não aceitando qualquer outra alternativa.

Perguntei se poderia ficar ao seu lado assistindo e ela respondeu que sim (e quando ela não quer, responde categoricamente que não, e pede para eu sair).

Eu a envolvi em meus braços (imaginando que ficaríamos naquela posição por apenas alguns poucos segundos) e ficamos agarradinhas vendo um vídeo em inglês, quando Mateus, que estava brincando com a babá, entrou no quarto fazendo-nos uma proposta, para ele, irrecusável: trocar de companhia.

Perguntei a Leti se ela queria trocar e ela, bem dengosinha, disse que não queria trocar, que queria ficar com a mamãe.

Expliquei a Teu que aquele momento era meu com Leti, pedi que voltasse a sua brincadeira com a babá e fiquei curtindo aquele abraço intenso e agradecendo a Deus por me oportunizar, através daquele abraço que durou uns poucos minutos até ela adormecer, um sentimento tão pleno de amor que me mantém alimentada até hoje.

Hoje sou só amor e gratidão.


 
 
 
 

 



 
 
 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A primeira vez a gente nunca esquece

Todos os caminhos hoje levavam ao Wet´n Wild. Estava louca para ir com Samir ao Forró das Antigas, dançar ao som das músicas que nos embalavam no início do nosso namoro.
 
Mas como costumo dizer que ser mãe é viver o imprevisível, o dia de hoje confirmou a regra.
 
Mateus quis ir brincar com o primo na casa da minha irmã e, quando fui buscá-lo, o Gordo, seu primo, meu afilhado, num tom muito confiante, disse que queria vir dormir em nossa casa e levantou-se para arrumar a sua mochila.
 
Nem ele, nem Biel tinham dormido sem os pais em minha casa antes, embora Teteu já tivesse dormido sem mim na casa deles diversas vezes.
 
Como ele manteve sua decisão, deixando meu pequeno transbordante de felicidade, optei por ficar em casa pageando os dois, para evitar que algo desse errado neste dia de estreia na casa da dindinha (para ele, na casa de Teteu).
 
A sintonia dos dois é uma coisa quase transcendental!
 
Quando cheguei no prédio de minha irmã para deixar Teu, ela disse que o Gordo estava num mau humor terrível! Mas foi só ver Teteu que uma mágica se operou e ele se tornou só sorrisos.
 
Chegaram em minha casa exaustos, mas ainda encontraram energia para brincar na brinquedoteca, fazer bagunça no banho, pular na cama, quando, finalmente, tomaram vitamina, ouviram atentamente a leitura de um livro, rezaram e dormiram.
 
O Gordo rezou a oração do Santo Anjo, depois do que pedi que os dois pensassem em algo muito bom que tivesse acontecido no dia para agradecermos a Papai do Céu.
 
Numa demonstração da sintonia que mencionei, quase que imediatamente, agradeceram: pelo Gordo (Teteu) e por Teteu (o Gordo).
 
E agora dormem tranquilos e felizes para recompor as energias para o dia que virá.
 
Sem dúvida, este será o primeiro de muitos dias em que estes dois dormirão juntos, compartilhando suas histórias de vida.
 













 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Destilando Amor

Há duas semanas Leti, toda vez que se apronta para ir à Ciranda Pedagógica, diz que quer ir à Terapêutica, e não à Pedagógica.
 
Na semana passada, achei tão curiosa sua insistência que, quando fui leva-la à Pedagógica, desci e lhe disse que faria fofoca a Dudú, contando que ela não queria ele, mas Ciça, coordenadora da Terapêutica.
 
De fato, desci, fiz a minha fofoca e Dudú se comprometeu a investigar a causa.
 
Ontem, quando fui leva-la, ela repetia o discurso e, quando Dudú nos viu (presenciando a reinvindicação de Leti de ir à Terapêutica), ele me contou que tinha descoberto a causa. E ela tinha um nome apenas: Sofia.
 
Isso tudo me pareceu tão inusitado, tão improvável. Leti nunca se importou muito com as crianças a sua volta. Seu interesse nos espaços coletivos, normalmente, ou se dirigia à comida, ou a algo que satisfizesse algum prazer sensorial (desenhar no muro, brincar com areia, ouvir uma música...), ou a algo que despertasse a sua fantasia (histórias, espetáculos, desenhos animados...). Mas uma colega... Não! Dudú deveria estar errado.
 
Hoje, ao levá-la para a Ciranda, ressaltei que seria dia de Terapêutica. E ela logo ficou animada! Perguntei por que gostava tanto da Terapêutica. Sem resposta. Então, meio incrédula, perguntei: - é por causa de Sofia?
 
SURPRESA!!
 
Instantaneamente, ela abriu um sorriso de orelha a orelha e começou a repetir "Sofia, Sofia", pulando de alegria.
 
Quase caio para trás.
 
Dudú estaria de fato certo???
 
Então ela falou de Sofia e de Heitor que gosta de correr.
 
Fiquei admirada dela compartilhar, espontaneamente, algo sobre os colegas da Ciranda.
 
Fomos conversando o caminho todo, quando disse a ela que iria entrar na Ciranda quando chegássemos, para que ela me apresentasse a Sofia.
 
Entrei, ela entrou correndo na frente e, enquanto conversava com Ciça, ouvi um burburinho mais adiante.
 
Todo mundo com cara de cuti-cuti, admirado com o beijo que Leti tinha acabado de dar em Sofia.
 
Não satisfeita, se aproximou e deu outro, e mais outro. E sempre saía com um sorriso largo no rosto.
 
Ninguém jamais compreenderá o que senti. Quase caí pra trás. Sempre desejei tanto que Leti construísse vínculos com coleguinhas; vê-la com aquela expressão de felicidade plena, buscando a colega, ofertando-lhe um gesto de carinho e sendo correspondida da mesma maneira foi algo arrebatador. O sorriso que ela trazia no rosto era indescritível! Todos ao redor ficaram tomados pela atmosfera de amor que ela plantou naquele espaço, naquele momento.
 
Uma outra coleguinha, que acompanhava tudo de perto, se aproximou de Sofia e também lhe deu um beijo. Leti logo depois se aproximou novamente, encostou e simulou dar-lhe um tapa no rosto. Sofia ficou sem entender nada. Nós, adultos, intermediamos o pedido de desculpa, seguido de carinho, que ocorreu tranquilamente. E, passado o incidente, todos compartilharam da mesma impressão: o que Leti quis foi demonstrar o seu ciúme, pelo carinho da outra colega a Sofia.
 
Ela, finalmente, está conseguindo generalizar o sentimento de amor que traz latente em seu coração, e que ela consegue demonstrar com tanta clareza em casa.
 
E eu ainda estou meio out de tudo, com um sorriso bobo no rosto, tomada pelo sentimento de amor que minha pequena destilou agora há pouco.
 
 
 
 

domingo, 31 de agosto de 2014

Sempre há o que celebrar...

O filho mais velho passa pela sala e pergunta quem vem tomar café conosco. Logo depois, passa o maridão e faz a mesma pergunta.

As perguntas confirmam a constatação que me levou a arrumar uma mesa de café especial para fechar o nosso fim de semana igualmente especial.

Percebi que só usava as coisas lindas para pôr uma mesa diferente quando tínhamos visita em casa (ou quando me propunha a fazer um jantar romântico para o maridão).

E o fato de termos tido um final de semana tão singelamente especial me levava a querer celebrar este momento.

Na verdade, nosso café-janta de domingo não teve nada demais. Só amor! Comemos tudo o que costumamos comer, mas numa embalagem mais arrumadinha. O bolinho feio, mas gostoso, que fiz com Teteu no sábado (ou as sobras dele rs), foi à mesa, acompanhado de pães recém aquecidos no forno, cuscuz, sopa, frios, ovos mexidos, suco, leite, café... Sentamos os cinco, coisa rara no domingo à noite, e, sem que se dissesse nada a respeito, tivemos um delicioso momento de cumplicidade familiar.



Quando no sábado cedo recebi a mensagem da secretária avisando que faltaria ao trabalho porque o marido estava doente, fiquei imaginando que a maratona de mãe-em-tempo-integral começando mais cedo me deixaria exausta.

É que costumo reservar os sábados pela manhã, já que os dias úteis são para dar conta de trabalho e  dos compromissos dos filhos sem o auxílio do papai, para dormir um pouco mais, malhar, ou, simplesmente, curtir o ócio.

Este sábado foi diferente. O sono e ócio ficaram para outro momento. Preparei o café para Lipe e o amigo que havia dormido aqui na véspera. E, como os pequenos intercalaram as sonecas diurnas, pude dar uma assistência melhor a cada deles, já que o mais velho tinha companhia. Enquanto Leti dormia, aproveitei para explorar o bairro a pé com Teteu, coisa que nunca havia feito, no vício automático do carro. Também fizemos o bolo de laranja que foi para a mesa do café hoje à noite. Quando Leti acordou, o momento foi de brincadeiras em família: esconde-esconde, roda e jogos. Depois que Teteu dormiu, foi a hora da assistência exclusiva à princesa: brincadeiras simbólicas, hora da arte e histórias...

À tarde, tentamos ir ao Museu Costa Pinto conferir a programação mas, por conta da dificuldade de estacionamento, acabamos seguindo logo para o que seria a segunda parte da nossa tarde: Centro Histórico de Salvador.

Tomamos o bom e velho sorvete na Cubana e seguimos para o Pelô, coisa que amo fazer com os pequenos (Lipe se incluiu fora da programação).



No caminho para a praça, nos deparamos com uma estátua viva que sempre encontramos por lá. Mateus que vinha no meu colo, na mesma hora quis descer para colocar um dinheirinho na caixinha e ver a interação do artista. Leti ficou paralisada prestando atenção...



Quando chegamos à Praça Pedro Arcanjo, já finalizavam a apresentação da Boiada Multicor, que Leti tinha amado na semana anterior, e, para a nossa grata surpresa, iniciavam o cortejo que marcaria a abertura do espetáculo do Teatro Griô, Um Passarinho me Contou.



Assisti, grudada com Leti e Mateus às histórias do Grupo, e, como sempre, nos deleitamos, super atentos, com cada uma delas.



Depois foi a hora do show que nos levou ao Pelô: Grupo Canela Fina. 

Quem me conhece sabe que curto o show tanto quanto, ou até mais que, meus filhotes. E desta vez não foi diferente, apesar de alguns probleminhas no som. A praça estava repleta de gente, uma energia intensamente contagiante, um show lindo! E uma coisa me chamou àtenção: várias crianças com deficiência dividiam aquele espaço. Impressionante como o Grupo Canela Fina tornou-se uma referência em inclusão. De emocionar...



Chegando em casa, a janta ficou por conta do papai que, assumindo o papel de mestre cuca, foi fazer para a família a sua especialidade: pizza! 

Teteu comia e dizia: "- papai que fez!" Tão lindo!!!!

Terminando o dia, depois de deixar os pequenos dormindo e o mais velho na balada, foi hora de os papais se despirem dos papéis de papais.

Com a primarada reunida, fomos conferir o show promovido pela 2GB, empresa de dois primos: Skank e Tuca Fernandes. O show superou nossas expectativas, a companhia dos primos valeu muitas risadas e assegurou a diversão da noite!



Mas o fim de semana estava ainda na metade...

No domingo pela manhã, o maridão, conhecedor das limitações da esposa que beira a terceira idade, resolveu levar os pequenos para a casa da vovó, me proporcionando uma deliciosa manhã de sono.

O almoço na casa da vovó foi de gordurices e resenha em família. E a ele se seguiu uma tarde de soneca para papai, Leti e Teteu, enquanto mamãe e Lipe colocavam as fofocas da balada da noite anterior em dia (na verdade, a mamãe tentava, em vão, coletar informações da night).




Como restava ainda um fim de tarde a ser explorado, aproveitamos para fazer algo que não fazíamos há tempos: fomos para o MAM - Museu de Arte Moderna.



Minha irmã foi com meus afilhados lindos, o que deixou a tarde ainda mais maravilhosa!










As crianças pintaram e se esbaldaram naquele cenário lindo que só a Bahia de Todos os Santos tem. E dali, voltamos para a casa, ao ponto onde este post começou...

Agora digam se não tive motivos de sobra para fechar a noite, e o fim de semana, de maneira especial...


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Bendita PEC

Em tempos de PEC (que nem é mais PEC, mas Emenda Constitucional) das empregadas domésticas, temos nos virado nos 30 para tentar minimizar o pagamento das horas extras à babá que dorme em nossa casa de segunda à sexta e de quem não podemos abrir mão, já que o marido trabalha a semana inteira no interior e tenho medo de precisar dar assistência à noite a um dos filhos e não ter com quem deixar os outros.

Mesmo antes da PEC, depois que os pequenos estavam alimentados e limpos (tarefa divida entre nós duas, eu e a babá), eu assumia os cuidados com as crianças até a hora em que iam dormir, contando com sua ajuda para preparar um leite, arrumar a cama ou até, ficar com um dos pequenos enquanto eu colocava o outro para dormir. As (agitadas) madrugadas já ficavam sob a minha responsabilidade.

Como agora descanso é descanso, tenho me virado à noite com Lipe para dar conta dos dois pequenos.

Normalmente, Lipe se entende com Mateus para que eu possa colocar Leti para dormir e depois volte meus cuidados para o caçulinha. Mas hoje Mateus estava enjoado, dengoso e só queria o colinho da mamãe.

E a babá tinha aproveitado o final do expediente para descer para conversar com as amigas. Éramos em casa apenas nós quatro: eu e minha prole!

Eu já estava no quarto com Leti, colocando-a para fazer xixi, escovando seus dentes, organizando sua cama, pegando o livro que ela havia escolhido para a leitura noturna quando o choro de Mateus passou a soar insuportável aos meus ouvidos.

A solução saltava aos olhos: Lipe leria para Leti o livro que ela tinha escolhido, enquanto eu tentava colocar Mateus rapidamente para dormir, e voltava para fazê-la dormir depois.

Apenas para contextualizar, Lipe e Leti têm uma relação, digamos, indiferente!

Apesar d´ele ter criado grande expectativa em torno da irmã que estava por nascer, com o passar dos anos, o vínculo afetivo entre os dois não se fortaleceu como eu gostaria, por conta da dificuldade de Leti na formação de vínculos.

Às vezes o sinto mais empenhado em conquistar o amor da irmã, às vezes menos. Às vezes Leti é mais arredia com ele (e com todos a sua volta), às vezes menos. E assim vamos caminhando... 

Minha grande preocupação, neste caso, era Leti retribuir a gentileza e carinho do irmão com seus usuais arranhões e beliscões, deixando-o triste e frustrado.

Mateus não dormiu tão rapidamente como eu esperava o que me permitiu observar (por um tempo pequeníssimo) os meus mais velhos num momento de rara de intimidade e deleite. Lipe lia tão empolgado, envolvido, cheio de entonações, incitando a participação da irmã, e Leti prestava atenção, acompanhava, respondia... Minha vontade era ficar ali a noite toda.

Mas tive que voltar ao meu intento e, quando, finalmente, consegui colocar o pequeno no berço e voltei para assumir meu posto no quarto rosa da casa, encontrei os dois dormindo, lindos, lado a lado.

Meu coração quase não se conteve de tanta felicidade. Era como se o meu grande sonho, de vê-los completamente apaixonados um pelo outro, como sou com minha irmã, estivesse finalmente começando a se realizar.

Quem sabe???

Quando acordou, ele disse que ela não o machucou nem uma só vez

quinta-feira, 4 de abril de 2013

50 tons de azul

Há dois anos descobri que no dia do meu aniversário se comemora o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Há dois anos, tenho tido aniversários azuis... E, a cada ano, mais amigos vão se apropriando da data e, sem mesmo que eu diga nada a respeito, já se preparam para vestir azul no dia 02.04.

Refletindo sobre o assunto, depois de um papo cabeça com uma amiga-blogueira, percebemos quão poucas oportunidades tivemos, durante nossa vida escolar, de conviver com pessoas com deficiência e com a diversidade, de uma maneira geral. Eu mesma, ao longo de toda a vida escolar, NUNCA tive um colega de sala com deficiência.

E, apesar de ter tido oportunidade de conhecer, em outros cenários, pessoas com deficiência, só depois de ser mãe de Leti é que passei, realmente, a enxergar as pessoas com deficiência nos seus papéis dentro da sociedade. Antes, elas passavam meio que desapercebidas...

Faço este relato com um pouco de tristeza por perceber que a minha experiência pessoal ainda reflete a maioria do que tenho visto ao longo da minha caminhada de mãe especial: normalmente, as pessoas mais mobilizadas em prol da inclusão são pais ou mães de crianças especiais.

É claro que há exceções! E me parece também que essa realidade tende a mudar com um política que busca assegurar, pelo menos no campo normativo, o respeito à diversidade. Mas ainda há um longo caminho a se trilhar, até que lei e sociedade consigam andar pari passu, de mãos dadas.

Mas esse post não é para falar de tristeza. Pelo contrário! É para falar de felicidade. Felicidade plena. Que tem cor: azul. Felicidade que alimenta a alma, que mobiliza, que transforma...

Quem acompanha nossa vida, no real ou virtual, sabe do dilema que passamos no início do ano, quando constatamos que o comportamento de Leti havia passado por um significativo retrocesso. 

Foi um momento especialmente delicado, que fragilizou muito a mim e a Samir, fazendo com que nos sentíssemos impotentes diante daquela nova realidade.

Mas às pessoas maravilhosas que sempre estiveram em nosso caminho, somaram-se outras igualmente maravilhosas que apareceram para cuidar da nossa princesa, com a mesma energia e o mesmo compromisso, e como coisas boas quando se somam só podem dar resultados bons, num espaço curto de tempo conseguimos perceber resultados de melhora na nossa pequena, o que me fez sentir vontade de celebrar a vida, a família, os amigos e tudo de bom que acontece a nossa volta, ainda que não percebamos.

Por isso, neste ano, abri minha casa, no dia do meu aniversário, o dia inteiro, para quem quisesse me ver. Café, almoço e janta. Aliás, janta não! À noite, a comemoração ficou por conta de uma aula pública de futebol feminino. 

Há dois meses, conseguimos reunir um (crescente) grupo de mulheres para jogar futebol em meu condomínio todas as segundas feiras. 

Aproximadamente metade do grupo é formado por parentes e amigas antigas e a outra metade de amigas novas, amigas de amigas, antigas amigas distantes que acabaram ficando mais próximas. A integração do grupo é uma coisa deliciosa e, nos nossos dias de baba, além de fazermos atividade física, temos oportunidade de exercitar quase uma terapia de grupo que nos deixa mais leves para iniciar uma nova semana. Pelo menos é assim que eu me sinto. A energia é contagiante e, assim que acaba o baba, já fico contando os dias para o próximo.

Tínhamos planos de fazer um treino aberto aos maridos e interessados e, com a proximidade do meu aniversário, achei que poderia aproveitar a oportunidade para juntar a fome à vontade de comer.

Aos amigos, fiz apenas um pedido, que, se pudessem, viessem me ver de azul. E a maioria esmagadora veio. 

Ao longo do dia, recebi a visita de amigos queridos, mensagens pelo facebook, pelo celular, ligações..., enfim, inúmeras demonstrações de carinho.

O público maior, conforme esperado, realmente, apareceu à noite.

Uma onda azul gigante na quadra do meu prédio. Lindo de ver. Emocionante!

Enquanto trocava a roupa para o baba, uma conspiração se organizava do lado de fora do vestuário. 

Azamigas providenciaram padrões em dois tons de azul, ensaiaram ao longo da semana a música Ser Diferente É Normal, colocaram um amigo para tocá-la no violão, e, quando saí do vestiário (pronta para marcar meus gols), me colocaram no meio do círculo em que se organizaram para cantar para mim. Todos vestidos de azul.

A emoção que senti não dá para descrever. Meus amigos tão queridos, juntos, reunidos, com a letra da música em mãos, cantando, tão afinados, tão intensos, pra me dizer, de uma maneira diferente, criativa, linda, que a minha bandeira pelo respeito à diversidade também é deles, ainda que não sejam nem pais, nem mães de nenhuma criança especial.

E mais. A mobilização ao longo do dia de tantos amigos nas redes sociais, compartilhando postagens sobre o autismo, a informação recebida por outros sobre direitos que eu, como (possivelmente - já que ainda não tenho diagnóstico fechado) mãe de autista tenho, e não sabia, o interesse sincero por tudo que envolve o autismo...

Presenciar tamanha demonstração de carinho me faz acreditar que, talvez, estejamos, sim, vivendo um momento diferente, no qual o pensar a inclusão possa deixar de ficar circunscrito a pais, mães e profissionais simpatizantes, para ocupar seu lugar de prioridade numa sociedade que, de fato, respeita a diversidade e assegura o exercício dos direitos que lhe são inerentes.

Até lá, celebrarei cada pequena conquista ao lado dos amigos queridos que tanto amo!


primeiro turno
 



segundo turno
terceiro turno - seleção do baba da saia

ensaio

padrão novo dAzamaigas




50 tons de azul



o ensaio:

a surpresa:

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